(Imagem Ilustrativa)

Neste 12 de junho, eu tentarei falar um pouco de amor. Não é fácil, pois não há palavras que possam traduzir perfeitamente este sentimento. Então, tomarei emprestado algumas formas de manifestar o inexplicável, o inenarrável, o irretratável. Talvez seja isto mesmo, amor não se explica, não se representa, só sente ou não. Mesmo assim, há tantas tentativas de fazê-lo.
Para escrever o texto desta Coluna, procurei uma música que, quem sabe, pudesse servir de fundo para uma representação do amor. Poderiam ser tantas outras também.

Em 1974 o músico italiano Ciro Dammico, que usava o pseudônimo Zacar lançou Soleado (do espanhol ensolarado), uma música instrumental. Espero que alguns dos leitores mais jovens desta Coluna a tenham ouvido e conheçam algumas de suas versões cantadas ou com poemas declamados ao redor do mundo. Aqui no Brasil a versão mais conhecida foi a cantada por Moacyr Franco, com letra de Alberto Luiz. Ficou conhecida como Soleado – a música do Céu. Sim, o amor, em cada uma de suas formas, é uma coisa Divina. Talvez a nossa maior dádiva. Usando-a como plano de fundo tantos exercitaram a sua expressão de amar.

Criado o cenário, como proposto, emprestei palavras que tentaram expressar este sentimento da relação mais íntima entre dois seres humanos. São frases de homens que marcaram gerações, nas artes. Pessoas de certa forma polêmicas, mas especiais. Se não o fossem, passariam despercebidas, como a maioria de nós. Você pode escolher outros representantes. Há tantos!

Talvez um dos escritores que tenham mais tentado expressar este sentimento foi William Shakespeare. Em um dos seus sonetos dizia que:

Amor quando é amor não definha
E até o final das eras há de aumentar.
Mas se o que eu digo for erro
E o meu engano for provado
Então eu nunca terei escrito
Ou nunca ninguém terá amado.

Aqui, alinhado ao sentimento de Shakespeare, modifico uma frase de Moacyr Franco que ele usou quando contou como foi seu encontro com Soleado. Ele dizia que “a felicidade tem fronteiras, daqui para frente já é saudade!”. Eu a adaptaria dizendo que o amor tem fronteiras, depois delas já é saudade! Então, se bem vivido, não definha, multiplica-se em cada lembrança.

As lembranças podem trazer sorrisos ou lágrimas, nunca indiferença. Você escolhe o que faz bem para a sua vida. Eu, prefiro os momentos de felicidade. Com certeza valeu a pena vivê-los.

Vinícius de Moraes, em um de seus poemas, também tentava expressar sua forma de vê-lo:

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Nem sempre o amor é uma via de duas mãos. Quando é, o importante é vive-lo, eternamente, enquanto dure. O amanhã é incerto.

Eu não poderia deixar de citar um de meus cantores e poetas preferido, Oswaldo Montenegro. Ele possui um repertório incrível e fala de amor em tantas canções. Metade, um dos poemas que compôs e a música que uso como fundo quando o declama também poderiam simbolizar o amor. E sua canção Quando a gente ama, afirma:

Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar.

Então, não explique, não tente entender. Viva o seu amor, dedique-se a ele! Com um bom tempo vivido, ouso afirmar que não se ama uma única vez. Por outro lado, é muito difícil reconquistar um amor perdido por não o ter vivido da melhor forma possível. Assim, faça-o eterno por mais tempo. Alimente-o com carinho, respeito, atenção e dedicação. Se assim o fizer, mesmo que o amor acabe, restará a amizade, boas lembranças e histórias para se contar.

Adnelson Borges de Campos
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