(Imagem Ilustrativa)

Eu sempre fui uma pessoa que se emociona fácil, e quando eu digo que é fácil, é porque é fácil mesmo. Antes de cair a ficha de que isso fazia parte da minha personalidade eu sentia vergonha de chorar na frente das outras pessoas. Não queria parecer fraca. Com o passar do tempo e das experiências que somei ao meu currículo emocional, fui percebendo como é bonito demonstrar o que sentimos e que está tudo bem se a gente chora porque sente falta ou porque a felicidade transborda.

Há um tempo, me perguntaram qual é o filme que eu mais me emocionei. Pensei em todo meu histórico de choradeira e falei “puts… foram tantos”, mas eu deveria escolher apenas um. Passou pela minha cabeça aqueles romances água com açúcar, aqueles filmes de vida após a morte e também os de cachorrinhos – esses acabam com qualquer um. Mas não, nenhum deles me fez chorar de verdade, com sentimento real sabe? Nisso, em um lapso de segundo, lembrei do filme “O Túmulo de Vagalumes”, e sim, nesse filme eu me entreguei de verdade e literalmente solucei de tanto chorar.

Confesso que antes de assistir essa animação japonesa tinha um certo “preconceito” por filmes assim. Pensava que era infantil demais e longe da minha realidade. Que bobeira. A produção do Studio Ghibli, conhecido mundialmente pelas suas animações, me fez quebrar toda essa barreira e mostrar, pelo menos para mim, que ele pode desbancar qualquer produção hollywoodiana.

O Túmulo de Vagalumes, lançado em 1989, se passa no interior do Japão durante a Segunda Guerra Mundial, e conta a história dos irmãos Setsuko e Seita e sua luta por sobrevivência em meio ao caos e desespero na batalha contra os americanos. A delicadeza que o cotidiano dos irmãos é descrito em cada traço do filme me fez pensar que muitas crianças viveram exatamente isso, seja em perdas ou na necessidade de encontrar algo feliz em meio a destruição que se passava. O filme me fez perceber a fragilidade humana e como ela pode ser descartada em questão de segundos. A obra é uma perfeita poesia, e me faz pensar que nesse mundo existem mais irmãos como eles.

Como uma bela dança de vagalumes, o filme me trouxe luz e a certeza de que vou chorar toda vez que assistir. Aliás, verei novamente hoje à noite.

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