Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Conheça a jovem são-mateuense que é apaixonada por rodeios e já ostenta diversas premiações

Com apenas 11 anos, Letícia já soma mais de 50 troféus e almeja ir ainda mais longe. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Estamos acostumados a acompanhar histórias de várias pessoas com sonhos peculiares nas páginas da Gazeta Informativa. Sempre buscamos novas histórias que visem chamar a atenção de nossos leitores, os cativando e sensibilizando. E a cada narrativa, seja de são-mateuenses ou pessoas que adotaram nossa cidade como sua, nos surpreendemos à cada história.

Muitas crianças, afloradas dos mais diversos sonhos, são o maior exemplo de que podemos nos surpreender cada vez mais. Sempre movidas e motivadas por inspiração em seus ídolos, iniciam desde cedo uma trajetória de vida. E quando uma criança de apenas 6 anos começa a se interessar em algo que deixa a maioria dos adultos com medo?

A pequena Letícia Muchiski Walter de apenas 11 anos acompanha os pais, Irene Muchiski, 34 anos e Renilson Rafael Walter, 44 anos, nos vários rodeios da região desde seus 4 meses de vida, quando participou pela primeira vez de uma cavalgada promovida pelo Padre Silvano. Aos 6 anos a pequena voltou-se aos pais e afirmou que queria começar a laçar como todo mundo. O pai acabou atendendo ao pedido da filha única e a ensinando o passo a passo da modalidade, que criou gosto e logo estava participando de várias provas.

Tudo começou com a prova de laço que se baseia na tentativa de laçar a vaquinha parada, uma estrutura de madeira similar a um cavalete. Não demorou muito e começaram a chegar os troféus. Empolgada, a menina em menos de um ano já estava nas pistas e agora começando a laçar os bois de verdade no lombo dos cavalos. “Meu coração veio à boca e tive de engolir minha coragem. Tinha muito medo, pois ela era muito pequena e em cima de um cavalo é muito mais perigoso. Mas ela comprovou de fato ser uma cavaleira, pois nunca caiu do cavalo”, lembra a mãe.

(Arquivo Pessoal)

Letícia também participa da prova de rédea que se baseia em percorrer determinado percurso montada ao cavalo e contornar várias balizas sem cometer infrações, ou seja derrubar as balizas, no menor tempo, seja na modalidade desafio, onde disputa com outra concorrente ao mesmo tempo ou contra o cronômetro em busca do melhor tempo individualmente, sendo eliminada caso derrube uma das balizas. Ela relembra que mesmo sem saber do que se tratava, ouviu falar sobre a prova de rédeas e sua curiosidade fez com que novamente pedisse ao pai para lhe ensinar. O pai montou as balizas e lá foi a baixinha que quase sumia no lombo de sua égua.

Renilson comenta que, “ainda na vaquinha parada eu incentivava, mas fiquei bem preocupado quando ela afirmou que queria ir laçar nas pistas, pois era muito novinha e eu temia largar ela sozinha em cima do cavalo. O coração veio à boca”, já a mãe afirma que, “meu medo sempre foi dela cair, essa é a primeira preocupação desde o início, mas depois pegamos confiança e vimos que ela também tinha segurança no que estava fazendo e assim confiamos nela”.

A jovem conta que seu primeiro cavalo, o pai tinha desde o momento que namorava sua mãe, o velho Tordilho que tem 21 anos e já laçava junto do pai há anos e, “foi o primeiro cavalo o qual tive contato”, destaca. Hoje ela é acompanhada da égua Baía que tem sete anos e é sua fiel companheira nas provas de rédea.

Atualmente, Letícia participa da categoria Prendinha e tão logo completará 12 anos e passará a atuar na categoria Prenda Juvenil até os 15 anos e em seguida, Prenda Adulta. Ela é membro do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Fronteira do Paraná, de São Mateus do Sul que faz parte da 6ª Região Tradicionalista com os municípios de Mallet, Rebouças, São João do Triunfo, Paulo Frontin, Irati, Inácio Martins e Rio Azul.

Os membros dos CTG’s destes municípios competem nas provas promovidas nos rodeios organizados por cada cidade que contempla a 6ª região e a cada participação nas provas somasse os pontos do participante em cada modalidade. Os que somarem mais pontos ganham o direito de participar da seleção que representa aquela região. Há seis anos nessa rotina campeã, Letícia já soma mais de 50 troféus.

A conquista mais significativa da pequena são-mateuense se refere a sua participação na Seleção Paranaense onde representou a 6ª Região Tradicionalista, dentre as 17 regiões de todo o estado na disputa da prova de rédeas e conquistou o segundo lugar na cidade de Cascavel em 2015. Letícia relembra que perdeu o controle do cavalo e disparou até o final da pista, mas mesmo assim não desistiu, iniciou e deu continuidade a prova, pois sua concorrente podia cometer alguma infração e quando a mesma se deparou que ela havia persistido na disputa, se impressionou e acabou derrubando a baliza, sendo desclassificada, um exemplo de que não podemos desistir. Letícia disputou com um cavalo emprestado, pois sua égua não chegou a tempo.

“Minha inspiração é meu pai, o responsável por tudo isso, mesmo ele não sendo um bom laçador”. Hoje o pai não compete mais, é um dos conselheiros da 6ª Região Tradicionalista e técnico da Prendinha, “sempre a oriento que quando sair para laçar e perceber qualquer coisa errada deve esquecer o laço, largando e dando preferência em segurar-se na rédea do cavalo”, relata Renilson que tem como prioridade a segurança da filha.

O objetivo da Prendinha para 2018 é ir para a seleção paranaense. Já no primeiro rodeio do ano, realizado no final do mês de janeiro aqui em São Mateus do Sul, conseguiu boa pontuação e está empatada com duas outras Prendinhas no primeiro lugar, tendo conquistado dois segundos lugares na competição e somando quatro pontos para a seleção. Restam mais 9 rodeios os quais ela já almeja ter boa pontuação.

O principal rodeio esperado por ela é o da cidade de Irati que é um dos maiores da região e do Paraná, onde vários competidores participam e agrega-se ainda mais pontuação devido a competitividade. Os treinos são baseados na participação em eventos como a Vaca Gorda e as disputas nas vaquinhas motorizadas, onde utilizasse de moto e estruturas montadas ao invés de animais. Os treinos nas balizas são feitos no quintal de casa, onde o pai monta a estrutura e a pequena soa a camisa.

Na escola os pais afirmam que ela é uma boa aluna e que eles se empenham em dar o melhor para ela, além de estrutura para que possa estudar, como cursos e materiais. Letícia é fã da disciplina de história e afirma, “não podemos deixar a tradição morrer, é algo tão bonito. As pessoas têm de respeitar sua cultura”, se referindo ao tradicionalismo dos CTG’s.

“Eu quero continuar laçando e me envolver com a diretoria do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e também me tornar uma patroa do CTG e ser a primeira mulher da nossa cidade a se responsabilizar com todas as atividades do grupo e tão logo quero me tornar a coordenadora da vaquinha parada e incentivar mais crianças a participar”, conclui a sonhadora.

(Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

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