Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Consciência global

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Como vivemos sob uma mentalidade capitalista e sempre mais secularizada, nossa tendência para o individualismo é sempre maior. O capitalismo nos impulsiona ao consumo, à garantia de sobrevivência de cada um por si, ao clima de concorrência.

A mentalidade capitalista passa para nós a ideia de que é comprando, é adquirindo e acumulando posses que se vive melhor a vida, que mais segurança e estabilidade teremos; gera em nós o medo de ficarmos para traz na guerra da concorrência.

Com isto, vamos aos poucos perdendo a sensibilidade para com o outro, seja o outro humano ao qual convivemos no mesmo mundo, ou o outro ser, como no caso dos outros elementos do planeta, recursos naturais etc. Em discurso à 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas, no último dia 25 de setembro, diante de 170 chefes de estado, o papa Francisco disse: “Na verdade, uma ambição egoísta e ilimitada de poder de bem-estar material leva tanto a abusar dos meios materiais disponíveis, como a excluir os fracos e os menos hábeis”.

Quando corremos ao encontro desenfreado da garantia de nossa própria vida, deixamos de olhar para o lado vendo que outros caminham conosco, rumo a uma mesma meta, a uma mesma busca de vida digna.

Por isso, o papa nos convida à uma reflexão: olhar para o outro, nosso irmão, está também associado ao olhar para o cuidado com a natureza, os recursos naturais. São pequenas atitudes, gestos, comportamentos de consumo que temos no nosso dia a dia, que melhorados nos faz estreitar os laços de fraternidade.

Perceba o quanto vivemos nossa vida sempre pensando mais em nós mesmo, em nossa garantias, quem sabe até olhando para o lado vendo o sofrimento alheio. Porém, nos mantemos inertes, talvez apenas como espectadores, com poucas atitudes concretas de estender o braço ou renunciarmos alguns caprichos nossos para amenizar o peso da caminhada do nosso irmão.

O papa, nos convida a uma reflexão profunda, nos faz pensar no sentido de nossa vida neste mundo, no sentido de nossas relações; de que vivemos juntos, mas não somos inimigos, concorrentes uns dos outros, mas estamos juntos no mesmo mundo. É o despertar para uma consciência global, nos perceber como a parte de um todo, que nos leva a olhar a vida e nossa atitudes com uma visão maior, mais ampla, mais humana, mais divina.

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