Prismas

Coração de papel

Tenho muitos textos publicados em meio digital, mas confesso que sou mesmo fã dos textos impressos. A informação digital é importante para uma pronta recuperação, numa pesquisa, em consultas rápidas. Com certeza é e será muito importante para a preservação da memória do mundo.

Porém, nos livros em papel há uma relação com o leitor que envolve sentimento, apego. Em minha casa, todos temos muitos livros, bem cuidados, arrumados, sem uma orelha. Escrever no livro é um pecado mortal!

Minha filha adora livrarias. Escolher um livro é um ritual que além do conteúdo envolve a escolha da melhor capa (já que alguns possuem mais que uma opção) e verificar se não há dobraduras, falhas de impressão ou outros danos no processo de encadernação.

Livro precisa ser bem cuidado, já que é um companheiro para todas as horas. Qual leitor fiel não dormiu abraçado a um deles?

Só que eu sou, por formação e experiência, exigente quanto a fatos, dados e motivação lógica, mesmo que para explicar sentimentos. Nesta semana li um artigo que mostra dados, estatística para explicar a importância do livro físico na vida das pessoas.

Lá se afirmava que livros em papel melhoram a aprendizagem de crianças e que cidades que inauguram bibliotecas registram melhores resultados de seus alunos. Por outro lado, fiquei espantado com a informação de que no Brasil apenas 36% das escolas possuem bibliotecas e que há uma lei que obriga que 100% delas tenham bibliotecas até 2020. E isto é daqui a 16 meses! Vejam, é preciso uma lei para que uma escola tenha uma biblioteca! Cerca de 30% da população brasileira nunca conseguiu comprar um livro!

Ler livros por prazer ou ouvir dos pais as histórias na infância também fazem o estudante se sair melhor na escola. Um projeto do Instituto EcoFuturo aponta que houve um aumento de 7,8% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos alunos de 6.º ao 9.º nas cidades em que bibliotecas foram instaladas. Também cresceu a participação dos pais nas reuniões na escola e o incentivo para realização das lições de casa.

Pesquisas internacionais, como as realizadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam para o mesmo caminho: estudantes que leem por prazer chegam a ter um ano e meio a mais de escolaridade do que os que não gostam de ler. O resultado é melhor ainda para aqueles alunos cujos pais leram para eles um exemplar todos os dias, ou quase todos os dias, quando estavam no primeiro ano escolar.

Você já leu para uma criança hoje?

Adnelson Borges de Campos
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