(Acervo/Gazeta Informativa)

Boa parte das pessoas não teme o vírus, teme perder seus entes queridos ou os deixar desamparados. Muitas pessoas não se importam com a própria dor física, mas sim o distanciamento e apenas a memória como contato com aqueles que ama. É real e referendado por órgãos de saúde do mundo todo que a letalidade do Corona é baixa se comparada ao potencial infeccioso, mas não nos podemos deixar levar por isso, pois ainda não se sabe se haverá problemas a médio e longo prazo causados pelo vírus.

Nas últimas semanas muitas pessoas utilizam as redes sociais para reproduzir mensagens que tratam o vírus como uma “gripezinha” ou algo do tipo. Isso é o que ocorreu na Itália e nos Estados Unidos há pouco mais de um mês e o resultado hoje naqueles países é um cenário trágico: milhares de mortos e outros milhares de afetados. Não utilizo números neste texto – o que sempre deve estar presente no jornalismo – porque a intenção aqui está além da informação, que já se encontra em suficiência no jornal, o que se busca é colocar em pauta os riscos que corremos com a negligência de medidas de prevenção.

Antes de mais nada, uma coisa é importante de se ressaltar: fontes de informação confiáveis devem estar ao alcance da população. Falo do jornalismo, que tem por dever traduzir dados complexos para a realidade da população e mantê-la informada. A informação é a primeira arma contra uma pandemia.

A experiência de outros países já demonstrou que o isolamento social é uma medida necessária para conter a contaminação. Há pessoas que afirmam ser “bom” que os jovens sejam infectados para gerar imunidade. Isso pode até fazer sentido dentro de uma lógica restrita de pensamento, mas não é bem assim que as coisas funcionam na prática. Não há como prever como será o efeito disso e toda pessoa com o vírus pode transmitir. Além do mais, há pessoas na casa dos 20 anos e sem agravantes de saúde que morreram (é mínimo, mas ocorreu) e ainda não há certeza sobre as sequelas possíveis. A defesa do organismo só é feita de forma segura por meio da vacina, que só virá com investimento na ciência.

Aprender com a história é algo que nos falta e a Coreia do Sul dá exemplo. O país asiático já passou por graves problemas com o vírus da família Corona no passado e já tinha estipulado um plano de prevenção e contenção contra epidemias. Não à toa, o país serve como exemplo de como reagir rapidamente. O Brasil não tinha qualquer organização prevista e agora restam medidas emergenciais.

Além de qualquer questão especulativa ou previsão, há algo que deveria estar incomodando muito mais as pessoas é a condição da saúde em São Mateus do Sul. O município tem mais de 100 anos de história, um hospital-maternidade que existe desde 1970 e nenhum – repito: nenhum – leito de UTI. Uma negligência histórica que se evidencia no despreparo para enfrentar a pandemia que mais cedo ou mais tarde chegará até aqui. O caso do Corona apenas mostra o que nos falta durante o ano todo e todo ano: pessoas com enfermidades graves têm de ser transferidos para outros municípios com maiores recursos.

Enquanto isso acontece, não apenas em São Mateus do Sul, mas em vários municípios pelo país, representantes políticos em diversas instâncias tratam o problema como algo “simples” ou se valem de discursos incoerentes para autopromoção. Deputados do Paraná se posicionaram contra as medidas de proteção sem sequer apresentar qualquer plano alternativo. Em São Mateus do Sul abre-se o comércio mas muito pouco (quando não nada) é falado sobre uma veloz estruturação do sistema local de saúde. E falo da compra imediata de equipamentos e de uma organização eficaz e referendada do plano de defesa contra o vírus. Esta não é uma crítica direcionada à atual situação municipal ou estadual, mas sim ao nosso histórico de pensamento apenas em ações de curto prazo. Quando ficar em dúvida sobre qual opinião seguir, reflita: quando doente, procura consulta com algum político ou com um médico? Para as ações contra o Corona a resposta para a questão deve ser a mesma.

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