(Imagem Ilustrativa)

A pandemia está despertando a nossa atenção para as coisas simples da vida. Dificilmente parávamos para pensar o quão importante era em nossos relacionamentos um apertar de mãos. Um gesto tão corriqueiro foi transformado em uma lembrança de um desenho de super-heróis dos anos 80. Até mesmo, uma grande empresa das vendas on-line, alterou a sua logomarca para uma outra versão de cumprimento, um toque de cotovelos. Mas, entre os dois tipos que criamos, a adesão da maioria ficou mesmo com o toque dos “Super Gêmeos, ativar!”. Particularmente, dentre os dois, considero o mais simpático.

Em outros tempos, eu não daria tanta importância a uma efeméride que celebrasse o Dia Internacional do Aperto de Mãos, sempre no dia 21 de junho. Pesquisando sobre o assunto, descobri que o cumprimento é milenar e pode ter sua origem nos tempos primitivos, onde o homem estendia a sua mão vazia para mostrar que não estava armado e que desejava a paz. E o ato de sacudir as mãos, para cima e para baixo, estaria relacionado com a necessidade dos governantes, ao longo da jornada humana, de garantir que não haveria nenhuma adaga escondida nas mangas da outra pessoa. Assim, o que antes era uma necessidade de sobrevivência, hoje é parte da nossa civilidade, de tal forma que nos tornamos criativos ao encontrar novas formas de cumprimento, para que a frieza não tomasse conta de nossos relacionamentos durante esses tempos de pandemia.

Por aqui, a pandemia vem revelando muito mais do que apenas novos toques de mãos, vem revelando também alguns cânceres na política nacional. E nesse cenário, o Brasil se tornou palco de uma triste regressão humana, assistida na CPI da Covid. Truculência, má educação, humilhações e insultos, são algumas das práticas ali vistas. Até mesmo o machismo mostrou a sua carranca, justificado pelas diferentes posturas ideológicas, por aqueles que deveriam “investigar e não acusar”, como bem lembrou a Deputada Janaína Paschoal em seu twitter. Duas das mulheres, convidadas a colaborar com o processo, sofreram esse tipo de postura por parte de senadores de oposição ao governo, durante a CPI. Ambas profissionais, conceituadas da área médica e defensoras do chamado tratamento precoce para a Covid-19, foram constantemente interrompidas quando discorriam suas respostas e construíam seus argumentos, Dra. Mayra Pinheiro e Dra. Nise Yamaguchi. A Dra. Nise, chegou a falar que estava se sentindo agredida, como se estivesse em um tribunal de exceção, o que qualquer pessoa assistindo aquele triste espetáculo, querendo ou não concordar com ela, sentiu. Posteriormente ao depoimento, a Dra. Mayra disse que “a sensação é que você já vai para lá julgada e condenada”, pois, além de receber um apelido pejorativo, sentiu aquele ambiente extremamente “tóxico”.

Como vemos, evoluímos de tal forma, que não nos preocupamos se as pessoas estão armadas ao cumprimentá-las. Já nas CPI’s da vida, políticos transformam suas palavras em verdadeiras armas para destruir reputações, não que o seu alvo principal seja a pessoa para a qual foi dirigida a humilhação. O seu alvo, ou seja, o fim último das suas ações, reside na manutenção do poder a que chegaram, nunca foi ou será, a preocupação com a vida dos brasileiros ou a tristeza pelas vidas que se foram em decorrência da Covid-19. A sentença final da CPI da Covid já está escrita por Renan Calheiros, mas a boa notícia é que o brasileiro não cai mais em narrativas políticas.

Receba o meu aperto de mãos e que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Ingrid Ulbrich
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