Saúde

Criança de 9 meses sobrevive após engolir bateria; pais alertam outras famílias

A antoniolintense, Isabela Guimarães Pereira passou mais de 20 horas com a bateria em seu organismo. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Como dizia o velho ditado, quando estamos com uma criança por perto, “todo cuidado é pouco”. Foi exatamente isso que Silvana Guimarães Pereira e Jean Carlos Pereira passaram no último dia 7 de abril, quando a filha caçula, Isabela Guimarães Pereira, de apenas 9 meses, engoliu uma bateria e deixou familiares e amigos da família preocupados.

Quando convivemos cotidianamente com crianças, aprendemos no decorrer de seu desenvolvimento que elas possuem a curiosidade e a vontade de mexer nas pequenas coisas. Nessa fase de descobertas, é comum muitos objetos irem diretamente para a boca, fazendo com que a atenção se redobre.

No final de semana posterior à Páscoa, a família que reside no município de Antonio Olinto, viajou até São Bento do Sul (SC), na casa da mãe de Jean. Chegando lá, Isabela começou a mexer nos objetos que estavam em cima do criado-mudo. “Quando vimos, ela tinha se engasgado com alguma coisa, mas não tínhamos visto o que era”, explica Silvana.

Após algum tempo, Isabela desengasgou e acabou engolindo o que estava preso em sua garganta, e até então, os familiares não descobriram o que era. “Levamos ela para o hospital. Chegando lá, o médico suspeitou que ela havia engolido uma moeda, e nos disse que a mesma sairia nas fezes em até dois dias, e que não precisávamos nos incomodar”, conta. Silvana disse que logo após esse diagnóstico, eles voltaram para casa.

Durante a madrugada, Isabela acabou vomitando um líquido com um forte cheiro de ferro, o que deixou os pais preocupados. Pela manhã, um familiar olhou o aparelho de medir glicemia que estava na cômoda, e sentiu falta da bateria que se encontrava no objeto. “Nós não tínhamos a noção do risco que a nossa filha estava passando”, admite Silvana. O irmão de Jean entrou em contato com um amigo médico, e ele aconselhou a família a procurar imediatamente um hospital porque a criança estava correndo risco de vida.

Esta bateria foi engolida por Isabela, de 9 meses. Ela ficou com o material corrosivo por mais de 20 horas no organismo.

Por ser altamente corrosiva no corpo, ao engolir baterias e pilhas, elas podem causar fortes lesões permanentes no sistema digestivo e respiratório de uma criança, dependendo os casos, ela pode levar à morte em poucas horas.

Engolir baterias traz consequências devastadoras. Isso porque se elas ficarem presas na mucosa do esôfago, podem causar uma possível reação química que pode perfurar o tecido do canal que liga a boca ao estômago.

O resultado dessas lesões ou rupturas podem trazer consequências devastadoras para a vida, como dificuldades para se alimentar e a necessidade de passar por inúmeras cirurgias ao longo da vida – algumas crianças têm que passar por mais de 50 operações e procedimentos depois do incidente – e até mesmo levar à morte.

Chegando no hospital, a equipe médica atendeu prontamente Isabela, que já estava com a pilha há 20 horas no organismo. Vendo a gravidade da situação, ela foi encaminhada para o hospital de Joinville, com equipe de enfermagem prestando os cuidados na ambulância. “Ela não podia comer e nem tomar nada, pois quanto mais líquido entrasse no corpo dela, haveria mais chances de diluir o material corrosivo”, explica Silvana.

As duas opções para a retirada da bateria eram a endoscopia ou a cirurgia. Passando por exames antes de realizar algum desses procedimentos, a pequena Isabela tomou anestesia geral enquanto familiares aguardavam ansiosos na sala de espera.

Retirando a bateria pelo processo de endoscopia através de um imã, Isabela teve algumas lesões de corrosividade no seu esôfago e estômago. Agora ela está passando por um tratamento de 60 dias com medicamentos para evitar maiores danos.

“Tentei não demonstrar o nervosismo para não passar para ela. Pensava em primeiro lugar na saúde e no bem-estar de Isabela”, enfatiza a mãe. Ligando para amigos que reforçaram a oração para a recuperação da pequena Isabela, eles acreditam que o fato dela estar bem hoje é um milagre. “A nossa fé foi muito grande”, afirmam.

Jean e Silvana aconselham os outros pais a não se contentarem apenas com um laudo médico. “Se você não viu colocar na boca, corra atrás de outros exames. A noite fomos constatados pelo médico que era uma moeda. Apenas no outro dia descobrimos que era uma bateria”, conta o Jean.

Além disso, a família reforça a atenção sobre a gravidade que uma bateria/pilha pode causar no organismo. “É importante as pessoas compreenderem que uma bateria é extremamente perigosa. Fiquem atentos com controles, brinquedos, relógios movidos a estas baterias. Sempre que forem retirá-las, guardem em um lugar longe do alcance de crianças”, avisa os pais.

Apesar do susto e do tratamento diário, Isabela passa bem e está levando uma vida normal.

Família comemora a vitória e a saúde da pequena Isabela. Da esquerda para direita: Silvana Guimarães Pereira, Jean Carlos Pereira, Isabela Guimarães Pereira e Vitor Guimarães Rutkowski, irmão mais velho de Isabela.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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