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CRISE: comerciantes ‘aplicam’ esperança e denotam confiança frente à economia

Foto: Thaís Siqueira/Gazeta Informativa

De certa forma é notório que a mídia causa pavor nos consumidores. A palavra ‘crise’ tem sido amplamente difundida em todos os meios informativos e entrado no vocabulário, e mente, das pessoas. Contudo, os comerciantes são-mateuenses demonstram esperança e otimismo para superar a nebulosidade econômica atual, bem como, apontam inovações e ações criativas para atrair seus clientes. Há, ainda, preocupação com o setor agrícola e apontamentos sobre reajuste de impostos e taxas de juro. Também, investir em imóveis e aplicações financeiras pode ser interessante para quem dispõe de capital.

A crise em si

A comerciante de produtos naturais, Fátima de Lara, reconhece que o período atual é de grandes dificuldades no cenário econômico e político, mas observa que o Brasil já teve outros momentos difíceis e houve superação. “Muitas coisas precisam ser revistas politicamente e acredito que isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde”, analisa. Segundo ela, todos os setores sentem os reflexos disso.

Patricia D’ Avila é formada em administração e atua no setor de calçados e acessórios. Na sua visão, todos os segmentos do comércio sentem com a retração econômica. Contudo, a lojista tange para a análise frente à postura dos clientes, que contribuem nisso, “mas ainda acredito que muitas [pessoa]estão com medo e por isso acabam comprando somente o que acham necessário e isso acabou gerando uma queda em todo o comércio”.

“Existem setores que estão sendo profundamente afetados e outros quase não estão sentindo os efeitos desse declínio econômico. No ramo do comércio, o que se sente é a insegurança do consumidor, que fica com medo do que pode acontecer e passa a consumir apenas o essencial, evitando gastos desnecessários, sem contar aqueles que perderam o emprego e não tem mais condições de consumir”, observa o coordenador geral da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Jovem de São Mateus do Sul, Felipe Staniszewski. Ele, também, é proprietário de estabelecimento que comercializa roupas e calçados.

Extensão da crise

Conforme o vice-presidente da CDL (e sócio-proprietário das Lojas Leonardo), Márcio Luis Staniszewski, essa situação se estende desde 2014. “Ao ouvir a palavra crise, o consumidor acaba não gastando”, explica. Em seu entendimento, o cenário afeta mais o setor de bens duráveis e maior valor, como móveis e eletrodomésticos. “Os pequenos lojista têm melhor resultado”, completa, em relação ao período de final de ano. É comum a prática de dar presentes, nessa época, disso a busca por produtos com pequenos valores que acabam por alimentar a economia.

O dirigente salienta que houve momentos econômicos muito piores, exemplificando com o final da década de 1980, inflação em alta e remarcação frequente de preços. “Tivemos tempos bem mais difíceis, inclusive com racionamento de alimentos, no passado”, observa.

Vendas de final de ano

Na visão do coordenador do CDL Jovem a comercialização de produtos encolheu em 2015, num comparativo com períodos anteriores. “As vendas de final de ano, deixaram a desejar com certeza. Muitos impostos, dependemos de transportes, enfim, tudo recai sobre os produtos infelizmente”, acrescenta a lojista Fátima de Lara.

Para Patricia D’ Avila o composto: juros altos e inflação, têm diminuído a confiança do consumidor, mas a situação melhorou no final do ano. “No início do mês de dezembro as vendas estavam abaixo de nossas metas, porém nos dias próximos ao Natal o comércio sentiu uma melhora. Apesar de todas as expectativas negativas, posso dizer que o nosso resultado referente ao mês de dezembro foi positivo e conseguimos atingir nossa meta”, relata. Em suas três lojas, o intuito foi de manter os colaborados e houve somente um funcionário temporário. “Em anos anteriores sempre fazíamos mais contratações.”

Expectativa para 2016

Fátima de Lara demonstra esperança para este ano, “vamos trabalhar e viver um dia de cada vez, com otimismo, fé e perseverança”. Patricia D’ Avila entende que o comerciante, por mais pessimista que seja a situação, não pode parar. “Precisamos ver a dificuldade como uma forma de crescimento, novas ideias, atingir outros públicos e continuar trabalhando com otimismo”. Essa perspectiva, da lojista, sinaliza novos investimentos para 2016, tendo em vista a oferta de novidades aos clientes.

Felipe Staniszewski, também, entende que o quadro aponta que não será um ano fácil. Por outro lado, é momento de renovação. “Mas será uma ótima oportunidade para mudanças e correções que dificilmente seriam realizadas em um momento de economia aquecida. Mas, com certeza, terminaremos o ano mais fortes e confiantes!”, justifica.

“Criar maneiras de atrair o cliente, ser criativo. Levando essa motivação aos nossos colaboradores”, complementa o vice-presidente da CDL. Para Márcio, a crise é momento de renovação e busca de alternativas eficientes. A entidade foca maior profissionalização, com objetivo de buscar treinamentos e ofertar, especialmente, aos pequenos empreendedores, para tornar o atendimento e a prestação de serviços mais eficientes e, assim, atrair os clientes.

Agricultura preocupa

O vice-presidente da CDL menciona que o setor pode trazer reflexos para a economia, sobretudo na região de São Mateus do Sul, bastante liga à agricultura. Márcio lembra que o longo de período de chuvas impediu o plantio da safra que ocorreu com atraso, podendo afetar a produção. Havendo menos produto no mercado, o preço tende a subir “Pode encarecer os alimentos”, frisa. Essa opinião é compartilhada com Fátima de Lara. “Nossa agricultura também foi muito prejudicada com as chuvas em excesso e isso, inevitavelmente, reflete em todo o comércio”, explica a lojista.

Opinião técnica

Sobre o ponto de vista econômico, a professora de economia do Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), Josiane Bendlin Gasparoto, aponta cenário desfavorável. “Infelizmente os principais analistas econômicos estão prevendo um ano de 2016 bem difícil para a nossa economia. A junção de inflação alta e crescimento baixo tende a ser perversa porque poderemos ter um contexto de desemprego aliado à elevação dos preços e, como consequência a elevação dos juros, penalizando toda a sociedade mais principalmente as classes menos favorecidas que são as que mais sofrem com a inflação”, enumera. Além disso, de acordo com a especialista em Gestão e Desenvolvimento de Pessoas e mestre em Economia, a instabilidade do mercado está atrelada à crise política, que causa incertezas, afasta investimentos e prorroga a retomada do crescimento.

A economista afirma que 2015 se encerrou confirmando as tendências dos analistas econômicos. “Como o rebaixamento da nota de crédito do país, ou seja, a perda do grau de investimento, consequência da deterioração das contas públicas brasileiras e da falta de perspectiva de um ajuste fiscal que possa melhorar este cenário”, relata. Também, a inflação ficou na casa de 11%, maior índice desde 2002, puxados pela alta do dólar, reajuste de telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros.

Novo ministro e perspectivas

“Na verdade o ministro Nelson Barbosa é muito mais próximo do ponto de vista de pensamento econômico da presidente Dilma [Rousseff] do que o ministro Joaquim Levy que deixou a pasta. Ele já assessorava o ministro da Fazenda da gestão anterior, Guido Mantega e discordava do ministro Joaquim Levy quanto ao grau de ajuste que deverá ser feito na economia. Portanto, na minha opinião, podemos esperar ‘mais do mesmo’, ou seja, a perpetuação das medidas econômicas que nos trouxeram até a situação atual”, explica a professora. Josiane Bendlin Gasparoto analisa que o discurso busca acalmar o mercado e o novo ministro mantém como prioridade o ajuste fiscal, mas suas ações, dentro do governo, ainda não compactuam com a fala imprimida, pelo menos no início.

Sobre este ano, e o próximo, a economista demonstra perspectiva negativa. “Infelizmente a crise tende a piorar em 2016 e 2017 e eu não conseguiria traçar uma previsão de melhora por conta das medidas econômicas que estamos vendo ou que não estamos vendo na economia”, analisa. “A turbulência política acaba ‘roubando a cena’ e as reformas estruturais e fiscais que são fundamentais para o processo de retomada do crescimento estão sendo deixadas para depois”. A professora comenta, ainda, que o governo têm índices baixos de aprovação e não possui ‘capital político’ para aprovar medidas que, para uma parte da população são consideradas ‘amargas’, pois incide sobre corte de benefícios.

Crise x Oportunidade

“Toda crise gera, também, oportunidades. Como diz o ditado ‘tem sempre os que choram e os que vendem lenços’ e esta crise não é diferente”, pontua a professora Josiane. A opinião da economista compactua com a análise dos lojistas, de renovar, treinar colaboradores e criar novas alternativas mercadológicas para ampliar o comércio.

Ainda, sobre oportunidades de investimentos. Josiane aponta o setor imobiliário e aplicações financeiras, como boas opções. “Para os que são mais propensos ao risco, o mercado de ações, também, está muito atrativo porque o valor de nossas empresas está substancialmente baixo”, acrescenta. Outra dica, segundo a mestre em economia, é a diversificação de atividades e atenção aos ‘movimentos da economia’.

Sidnei Muran

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