(Imagem Ilustrativa)

Recordar é viver, diz uma frase de que não tenho a mínima noção de quem seja, mas sei que algum tempo atrás estava eu dando uma lição, uma pequena lição de moral se é que dá pra dizer assim. Um amigo enquanto conversávamos acendeu um cigarro e eu como não fumo, reclamei. Ele riu e me perguntou se eu nunca fumei na vida, nunca experimentei quando adolescente, nunca fiz uma besteira assim, pois ele fumava desde adolescente.

Falando nisso, eu lembrei de um episódio que eu presenciei, e não participei, mas que sempre que lembro dou risada de tudo. Pra se ter uma ideia sobre fumar, beber e drogas então, seria o fim do mundo para os pais, inclusive o meu. Aconteceu quando estava no segundo grau, e eu sempre me dei bem com todo mundo, com os alunos bons e com os bagunceiros, não tinha muito aquele de ser “Maria vai com as outras”, ou aquela frase “me diga com quem tu andas que eu te direi quem és”, pois ouvi cedo dizerem que Jesus andou com cada um… Estando no segundo grau, tinha um amigo muito engraçado, brincalhão, mas que era bagunceiro e também tirava notas muito baixas, mas jogava bem futsal (na época chamávamos futebol de salão) e isso era importante, e ele volta e meia aprontava alguma, nunca era maldade contra alguém, eram bagunças em geral. Certa vez ele passou dos limites, pois deu a maior bagunça no colégio, com a nossa turma, pois ele veio com um estojinho pequeno redondo cheio de umas bolinhas prateadas e foi oferecendo para todos na sala. Deu a maior bagunça, pois em pouco tempo chegou a direção que ele estava distribuindo droga para os colegas. Pronto lá foi ele pra direção, com alguns outros que experimentaram a tal droga e serviriam de testemunha. Chamaram o pai dele, que por telefone foi informado do acontecimento e fiquei sabendo depois que ele já foi acompanhado de um advogado.

Lembro sempre de algumas vezes que meu pai falou comigo sobre drogas, que na época era a tal maconha e outra que não sei qual seria, mas era chamada de bolinha ou boleta. Assim que se referiam a essa outra droga. Agora imagina esse amigo tentando distribuir bolinhas para os outros? Sinceramente eu nem cheguei perto dele quando ofereceu bolinhas para a turma.

Foi uma situação hilária pensando hoje, mas na época foi tenso, pois as tais bolinhas eram nada menos do que Jintan, que na época não faziam a mínima ideia do que seria, mas eram bolinhas, e pra piorar a situação, vi algumas bolinhas depois de terem sido colocadas na boca que pareciam feitas de ervas, depois de perder a capa prateada. Se hoje Jintan não é muito conhecido, imagina 40 anos atrás? Jintan serve para o hálito e para a garganta, é feita de alcaçuz, canela, cravo, gengibre, erva-doce e outras ervas, é de origem japonesa. Sei que deu o que falar aquilo tudo, pois eram apenas balas, apesar de pequenas, bem pequenas parecendo os antigos chumbinhos de bolos. Ele acabou mudando de colégio depois de tudo, e nunca mais ouvi falar dele, mas não esqueço de toda a confusão. Relatei isso ao meu amigo fumante, para ele ter uma ideia do “perigo” que era algum tipo de transgressão, que pudessem cometer na época, já que ele é mais novo que eu. A ideia era, nunca aceitar balas ou bebidas de quem não conhece, pois o perigo de ser alguma droga era grande. Fiquei sabendo pouco tempo depois do que se tratavam aquelas bolinhas, o pai de outro amigo usava e tinha aberto na minha frente e perguntei pra que servia e contei a história, e lembro que ele defendeu o colégio, pois era algo pouco conhecido e gostou dos cuidados da escola. Isso tudo marcou muito a minha adolescência, e rio até hoje daquilo, mas o costume de ser “careta” a respeito de drogas permaneceu.

Hugo Lopes Júnior
Últimos posts por Hugo Lopes Júnior (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
18 de Maio é todo dia
Pequeno gesto de grande valor
Escrevendo à mão