Apresentação do projeto “Amanhece. Mestre Aorelio e o Fandango Caiçara” em São Mateus do Sul. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Mesmo com a temperatura de inverno chegando aos poucos em São Mateus do Sul, o grupo do projeto “Amanhece. Mestre Aorelio e o Fandango Caiçara” não desanimou e aqueceu a noite dos são-mateuenses que estiveram presentes para incentivar a cultura caiçara do povo da Ilha dos Valadares, em Paranaguá. A apresentação aconteceu na quarta-feira (26), no Centro Cultural do Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE).

O show faz parte do Circuito Cultural do Sesi e segundo a equipe, a apresentação teve como objetivo difundir o ritmo que é patrimônio e a cultura popular mais antiga do Paraná. Os membros do Grupo Mandicuera além de contar as histórias de como o fandango é realizado na Ilha, levaram todo o público para dançar no palco e vivenciar na pele a energia da cultura. “É um prazer muito grande poder levar o nosso fandango para todos os cantos do Paraná”, enfoca Mestre Aorelio Domingues, que coordenou toda a apresentação contando histórias e um pouco da realidade caiçara.

A apresentação faz parte do Circuito Cultural do Sesi.

Mestre Aorelio é músico e construtor premiado por suas atividades no fandango, boi-de-mamão, terço cantado e na folia do divino Espírito Santo. Já realizou apresentações pela Europa como Portugal, Barcelona e Madrid, conhecendo de perto a construção da viola que dá ritmo para os outros instrumentos de percussão. “Ainda existe uma crise de identidade das pessoas em relação a sua própria cultura. Quando você trabalha com alteridade é comum que a cultura local passe a ser valorizada justamente pelas suas referências”, expressa.

Para a professora Hilda Jocele Digner Dalcomuni, historiadora e que estava representando a secretaria municipal de cultura no evento, apresentações como essas são ricas de conhecimento. “A cultura de um povo revela sua identidade, suas preocupações e principalmente seu modo de viver. O fandango caiçara nos mostrou isso através da sua música, dança e de seus costumes. A noite foi muito linda! Gostei muito da história do fandango que foi passada entre uma apresentação e outra”, expressa.

O fandango caiçara

O fandango caiçara, registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em novembro de 2012, é uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva, que abrange o litoral sul do estado de São Paulo e o litoral norte do Paraná. Possui uma estrutura bastante complexa e se define em um conjunto de práticas que repassam o trabalho, o divertimento, a religiosidade, a música e a dança, prestígios e rivalidades, saberes e fazeres. O fandango caiçara se classifica em batido, bailado ou valsado, em que as diferenças se definem pelos instrumentos utilizados, pela estrutura musical, pelos versos e toques.

Nos bailes, como são conhecidos os encontros onde há fandango, se estabelecem redes de trocas e diálogos entre gerações, intercâmbio de instrumentos, afinações, modas e passos viabilizando a manutenção da memória e da prática das diferentes músicas e danças. O fandango caiçara é uma forma de expressão profundamente enraizada no cotidiano das comunidades caiçaras, um espaço de reiteração de sua identidade e determinante dos padrões de sociabilidade local.

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