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Da pecuária leiteira à pesca e artesanato

Eolira Schaedler junto de seu prêmio do “Conselho Mulher Executiva São José dos Pinhais (PR)”, que recebeu no dia 8 de fevereiro de 1996. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Encontramos em todos os lugares histórias que fazem com que a nossa vida se torne mais apreciada. Relatos de superação e batalha pelos objetivos fazem com que o compartilhamento destas informações se tornem a principal motivação para enfrentarmos os nossos problemas de cabeça erguida.

Como homenagem para o dia da mulher, comemorado no dia 8 de março, a Gazeta Informativa traz a história de Eolira Schaedler, mulher exemplo de criatividade e força de vontade que escolheu São Mateus do Sul para viver.

Natural de Três de Maio, cidade no interior do Rio Grande do Sul, Eolira nasceu no ano de 1938, e passou o começo da infância acompanhando o cotidiano de sua família em uma serraria. Aos 7 anos foi matriculada no colégio de freiras italianas, “As Filhas do Sagrado Coração de Jesus”, onde aprendeu a ler, escrever e realizar inúmeras atividades que a acompanham até os dias de hoje.

“Fiquei dez anos residindo no colégio, e lá as freiras eram responsáveis por ensinar tudo. Artes manuais, costura e a música. No ensino fundamental também aprendi o português, inglês, francês e o latim”, conta Eolira, e ainda reforça que a base de uma criança é a educação.

A disciplina aplicada no cotidiano do colégio ainda se faz presente na vida de Eolira. “Até hoje eu acordo às 5 horas da manhã, e isso tornou um hábito de disciplina”, diz. Aos 16 anos, após terminar os estudos no colegial, Eolira foi embora para Curitiba onde cursou magistério e lecionava.

“Na época meu pai havia comprado uma empresa de ônibus e perguntou quanto eu estava ganhando. Eu ganhava menos que os cobradores que trabalhavam para ele”, lembra. Dessa maneira a jovem foi em busca de melhores condições de trabalho, onde foi contratada como funcionária em um banco.

Novas experiências de trabalho e de vida fizeram parte da história de Eolira nos 50 anos que residiu na capital paranaense. Nesse período se casou, construiu uma casa e teve 4 filhos. Após o falecimento de seu pai, a herança recebida abriu uma nova oportunidade de vida para a mulher, que a fez se tornar reconhecida à nível nacional.

“Foi nesse momento que me interessei pela pecuária leiteira. Comprei uma propriedade em São José dos Pinhais (cidade metropolitana de Curitiba) e lá montei uma unidade modelo da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extenção Rural (Emater)”, diz.

Lá ela recebia excursões de muitos países como Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha para acompanhar de perto o trabalho na propriedade. A Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizava aulas práticas com todos os materiais de modernidade na época adquiridos por Eolira.

“Sempre tirei ótimos resultados na produção justamente por fazer as técnicas bem-feitas”, ressalta. Dessa maneira, a empresária começou a participar de competições e exposições do ramo, e foi classificada como a segunda melhor criadora do estado do Paraná. “Até hoje quando retorno nas exposições o pessoal me conhece. Fiz uma história muito bonita dentro da pecuária leiteira”.

Morando por 18 anos em São José dos Pinhais, Eolira foi convidada para administrar uma fazenda no Vale do Rio Preto no estado do Rio de Janeiro, e após uma contaminação através de produtos agrícolas, decidiu comprar uma propriedade na cidade de Castro, onde dedicou a sua vida naquele momento para a criação e inseminação de vacas.

“Transformei uma parte do bezerreiro em minha moradia. Era a responsável por inseminar os animais”, Eolira conta com orgulho, e ainda lembra que a sua Ariloe Evelyn Jetway ganhou como a melhor vaca parda suíça do Brasil.

Depois disso, por insistência dos filhos, Eolira resolveu aposentar de seus serviços no ramo, e foi nesse momento que as atividades ligadas ao artesanato começaram a fazer parte de sua vida.

 

Influenciada pela irmã, a qual lhe ensinou algumas técnicas de mosaico, Eolira começou a pegar gosto pela área de artesanato, e hoje produz quadros de cerâmica e argila no ateliê montado no porão de sua casa. “Trabalhei com minha irmã uns 4 anos, e depois resolvi morar em São Mateus do Sul por conta do meu filho que já residia aqui”, conta.

Há 7 anos fixando raízes em solo são-mateuense, Eolira conta que a principal motivação para ela ter escolhido o município para morar foram os lambaris. “Lembro que eu vinha muito aqui para pescar no Rio Iguaçu com meu filho. Eu adoro pescar! Vim morar aqui e me apaixonei por esse lugar”, diz.

Com 74 anos, construiu sua casa no alto da Vila Pinheirinho, e compartilha da vista com vizinhas e amigas que fez durante todo esse tempo no município.

A felicidade e a paixão que conta sobre suas histórias resume toda a sua vida.

As experiências e a segurança com que realizou todos estes feitos, define a pessoa que é: mãe, avó, bisavó, conselheira, amiga, ceramista, artesã, pescadora e principalmente mulher!

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