(Imagem Ilustrativa)

“O essencial é invisível aos olhos.” Foi assim que a raposinha contou o seu segredo ao Pequeno Príncipe, explicando que o mais importante são os sentimentos, porque enxergamos melhor com o coração. A obra infantil francesa de Antoine de Saint-Exupéry completa no mês que vem 78 anos de seu lançamento. Recorde de vendas em todo o planeta, parece provar que somos, em essência, buscadores do belo, das boas atitudes e do correto, independente daquilo que vemos de negativo nas atitudes humanas.

Do livro para a vida real, essa frase nunca fez tanto sentido como agora. Faltando apenas um mês para completarmos um ano do primeiro lockdown na cidade, estamos vivenciando o segundo. Num mesmo pacote, alguém nos “explicou” o que é um lockdown e o que diferencia um “serviço essencial” de um “serviço não essencial” à população. Não sei ao certo se a definição dos serviços já existia, ou se foi o próprio meio político que os nominou, com o seu poder de legislar e mandar executar suas leis. Seja lá como for, a coisa veio pra ficar.

Peço desculpas se soar irônico, mas a experiência própria me faz concluir o seguinte. Na economia, a palavra essencial pode agora ser adotada como critério de análise para abertura de uma empresa. Num plano de negócios, por exemplo, o futuro empreendimento pode vir a ser tachado de “não essencial”, receber nisso um ponto fraco e ser deixado de lado. Afinal, apenas o que é essencial parece não sofrer imposições diretas de governos ditos “democráticos”. O interessante nisso tudo é que, no Brasil, são os estados que vem tomando atitudes autoritárias, consequência direta da decisão do STF que deu autonomia a governadores e prefeitos para o enfrentamento da pandemia. Foi assim que uma doença virou moeda política, ou melhor, virou politicagem, pra não dizer outra coisa.

A atividade religiosa também vem sofrendo forte pressão para não ser considerada essencial, mesmo sendo garantida pela nossa constituição. Em tempos de confinamento, de sofrimentos, de perda de entes queridos, a fé promove equilíbrio emocional. A capacidade dos templos que era restrita a 30% agora ficou reduzida a apenas 15%. Impossível encontrar coerência nesse ponto com todos os cuidados sanitários sendo tomados.

Outra incoerência do lockdown: os governos estaduais que ditam o que abre e o que fecha, boicotam a sua própria fonte de renda. Nos dois sentidos: os seus salários esplêndidos e os recursos para os serviços públicos, dentre eles os da saúde para o enfrentamento da pandemia. Não há como esquecer que é o motor da economia que move o Estado e que o impedimento ao trabalho trava essa engrenagem. Desabastecimento, aumento de preços, desemprego e fome são a face negra de toda essa situação.

O setor do comércio do qual faço parte, não irá suportar novos lockdowns. Para quem enxerga apenas com os olhos físicos, dirá que é exagero. Mas para quem olha aquilo que é essencial, e que nem é tão invisível aos olhos, verá um setor que emprega centenas de famílias e que contribui para a manutenção do município. Dez dias com portas fechadas significa a terça parte do mês sem produção, o que para muitos seria o tempo necessário para pagar a folha salarial ou o aluguel, por exemplo. Toda atividade é essencial quando dela alguém tira o seu sustento, portanto, nossas autoridades vêm provando que lhes falta os olhos do coração ao tentar resolver um problema criando outro.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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