Educação e Cultura

‘Dançar é assim como se apaixonar’, diz bailarino são-mateuense de 17 anos aprovado para Escola de Dança Teatro Guaíra, em Curitiba

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

O palco é o Teatro Guaíra em Curitiba, um dos maiores teatros da América Latina, nele apresenta-se o jovem bailarino de São Mateus do Sul, para ele, mais que a conquista de aplausos, é ser o personagem do seu próprio sonho.

São tão comuns as histórias de superação, e os grandes voos alçados, de garotos que encontraram na dança, uma oportunidade profissional. Eles aceitaram o desafio, não apenas de vencer algumas barreiras técnicas, mas principalmente, os tabus do preconceito, enraizado em uma sociedade intolerante.

Poderíamos aqui, apenas trazer o atual momento de destaque do jovem Bruno Gabriel Fabricio, no entanto, ele nos revela alguns momentos da sua trajetória em busca da formação artística. Nesta conversa, iremos conhecer um pouco sobre ele, seu sonho, e o empenho dedicado à dança. E quem sabe, desvendaremos o segredo para quem busca realizar um sonho.

Com apenas 17 anos, nosso bailarino conquistou uma das vagas mais cobiçadas por aqueles que desejam ingressar no mundo da dança. Foi selecionado para integrar a Escola de Dança do Teatro Guaíra, em Curitiba. Com mais de mais de 50 anos atuação, (desde 1956) forma alunos de alto nível, tanto em técnica, quanto a formação artística, resultando em profissionais de excelência, tornando-a reconhecida nacional, e internacionalmente.

Bruno Gabriel Fabricio

Bruno Gabriel Fabricio

Atualmente Bruno, cursa a formação de Bailarino, iniciada em 2015, agora há a preocupação em conciliar a formação pela Escola de Dança, ambos previstos para fevereiro deste ano. Será uma nova etapa, com dupla jornada de formação, “a rotina do curso é muito gostosa, temos aulas de Ballet Clássico, Contemporâneo, Teatro, entre outros”.

Bruno fala que logo na infância, sentia o gosto pela música, “ficava pulando em casa e sempre se machucando, meus pais diziam que eu era o Diego Hypólito, pois adorava fazer acrobacias”. (Diego Matias Hypólito é um atleta brasileiro que compete em provas de ginástica artística. Diego é bicampeão mundial do solo e membro ativo na seleção brasileira.)

Extrovertido e sempre de bom humor, acrescenta, “acredito que seja difícil uma pessoa não se alegrar perto de mim, sempre estou disposto a ajudar o próximo, sou uma pessoa sonhadora que, independentemente do tamanho do meu sonho nunca deixarei de sonhar e sempre vou lutar por aquilo que acredito”.

São-mateuense, logo aos 3 anos de idade muda-se com a família para Curitiba. Aos 11 anos inicia o curso de Ginástica Olímpica, recorda com carinho desse período, “eu saía dos treinos e corria olhar a seleção brasileira treinando, sonhava um dia ser como eles”, este foi primeiro período de treino, onde permaneceu por 2 anos.

Nem tudo foi fácil, algumas barreiras surgiram, permanecendo apenas a vontade para continuar, “certo dia minha mãe me chamou para conversar e me falou que não poderia me levar aos treinos porque precisava trabalhar, fiquei abatido, senti que meu sonho tinha acabado naquele momento, parei de treinar, mas nunca parei de praticar”.

Sua determinação permanece mesmo afastado dos treinos, manteve seus hábitos e exercícios. Aos 13 anos encontra uma escola de dança no bairro onde morava, “descobri que a dança era aquilo que eu deveria fazer”. Desta vez, as dificuldades foram financeiras, impossibilitando-o de manter-se no curso, foi preciso dar um tempo, “meus pais não tinham condições de pagar minhas aulas de dança, descobri mais uma barreira em minha vida, mas não desanimei, fiquei por algum tempo sem praticar o que amava fazer”.

Aos 15 anos, volta a residir em São Mateus do Sul, “recebi um convite para dançar no festival de talentos da cidade, de imediato aceitei, no dia do festival conheci um grupo de dança e fiquei interessado em participar, conversei com o professor e logo entrei, tivemos algumas apresentações”, comenta.

Com o intuito de aperfeiçoar sua técnica, para as apresentações, de maneira autodidata, busca métodos e apresentações de bailarinos profissionais, “sou uma pessoa que sempre está pensando em evolução, em todas as áreas, buscando respostas para tudo, mesmo que as vezes não as encontre”. Com o sonho em mente, passa a buscar por testes em escolas de dança, em outras cidades, foi então que se deparou com a seletiva da Escola de dança do Teatro Guaíra, “é um teste difícil, pois é uma escola muito boa, mas tinha certeza que queria aquilo para mim”.

O apoio da família foi fundamental na busca pelo sonho, “sempre recebi o apoio de muitas pessoas queridas, principalmente de minha família”. Da inscrição até o teste, nosso bailarino teve apenas 2 meses para se preparar, “como na cidade não havia escola de Ballet Clássico, então comecei a olhar vídeos, confesso que estava nervoso, enfim chegou o dia do teste, e por sorte era no dia do meu aniversário, dia 27 de novembro. Acordei tenso, fomos de carro para Curitiba e fiz o teste, o resultado sairia dia 10 do próximo mês”.

Mesmo depois de muito empenho e sem muitas esperanças, enfim surge o resultado, seu nome foi aprovado entre inúmeros concorrentes, “acredito que fui presenteado com a aprovação da escola, é difícil explicar tamanha felicidade”. Para realizar este sonho não foi uma tarefa, das mais fáceis, “deixei meus pais para viver meu sonho, a falta deles é constante, mas tudo por um bom motivo”, cometa entusiasmado.

Hoje, após muito suor e persistência, nosso bailarino diz estar realizado, “conviver em meio de artistas é algo muito gratificante, participei do meu primeiro espetáculo ‘Olimpo’, pelo curso em 2015, só tive a certeza de que estava no lugar certo”.

Dificuldades foram superadas, inclusive a do preconceito, “a escassez de homens em escolas de balé clássico no país, em pleno século 21, ainda tem raízes no preconceito, em relação a uma atividade considerada ‘coisa de mulherzinha’”.

Sobre o futuro: “coloco nas mãos de Deus, pois até hoje minha fé me manteve em pé”.

Bruno deixa seu recado: “para jovens que tem o mesmo sonho que o meu, eu diria para nunca desistir, mesmo diante das dificuldades, nunca é tarde para sonhar!”

As pessoas verdadeiramente são felizes, e realizadas, quando desempenham suas atividades com amor. Tudo vai depender, da maneira como encaramos a vida, e as circunstâncias das quais precisamos, na falta delas, será preciso cria-las. O sucesso requer empenho e muito suor, visão e determinação, alvo e objetivo, há aprendizado mesmo que tenhamos errado em algum momento. Todas estas são palavras das quais já ouvimos, elas nos motivam e tornam reais nossos projetos de vida, assim realizam-se os sonhos.

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