(Imagem Ilustrativa)

Longe de recontar a história que levou a se proclamar o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, ou de entender o que é lenda e o que é verdade, minha intenção aqui é traçar uma trajetória mais de pensamento e intenções entre as diversas ondas do feminismo até o momento atual.

O discurso feminista nunca fez muito sentido para mim. Mas aqui, antes de qualquer crítica feminina que eu possa vir a receber, lembro que sou uma mulher, portanto, o feminismo deveria me representar, visto que o movimento diz defender os “direitos” de nosso gênero. Esse texto está na contramão de tudo aquilo que nos é entregue para ler, ouvir e assistir sobre o assunto, porque a narrativa feminista atual é a ”verdade” que se apresenta como um consenso geral. Mas existe uma maioria de mulheres que discorda da atual pauta feminista, que se tornou ideológica, e, portanto, é usada como ferramenta política. Uma espécie de revolução cultural onde a mulher é vítima, ou de sua própria “luta”, ou de seu desconhecimento das reais intenções da causa.

A primeira onda do movimento das mulheres ocorreu nos séculos XIX e XX na busca pela igualdade. Foi em 1848, em Nova Iorque, que ocorreu a primeira convenção sobre os direitos das mulheres, com a emissão de uma Declaração de Sentimentos, reivindicando com razão, o tratamento igualitário sob a lei. O documento insistia na admissão das mulheres “a todos os direitos e privilégios aos quais têm direito os cidadãos dos Estados Unidos”.

“Afirmamos serem estas verdades auto-evidentes: que todos os homens e mulheres são criados iguais; que seu Criador lhes deu certos direitos inalienáveis; que entre tais direitos estão a vida, a liberdade e a busca pela felicidade.” (Declaração de Sentimentos, 1848)

Esse primeiro movimento queria sobretudo o direito ao voto, grande conquista alcançada em 1919 nos Estados Unidos e no Brasil em 1932. A segunda onda chegou nas décadas de 60 e 70, quando as mulheres buscaram uma participação maior na sociedade e na economia, exigindo um fim à discriminação baseada no gênero. Até aí, tudo certo. O problema foi o que se deu a seguir, quando uma ala do movimento iniciou um verdadeiro combate contra os papéis tradicionalmente femininos, como a maternidade e colocaram em dúvida o conceito de família. Se colocaram contra as relações tradicionais, incentivando a liberação sexual e fizeram dos homens seus inimigos ferrenhos, sem a mínima possibilidade de vê-los como parceiros iguais.

O movimento feminista de hoje em dia pode ser considerado como a terceira onda e de todas, a mais radical. Forte, organizado e politicamente poderoso, exerce grande influência sobre políticas públicas que são criadas no mundo, dando ênfase a questões das minorias femininas. Muitas das suas lutas, no final das contas, já foram vencidas. Dificilmente teremos alguém que defenda tratamento diferenciado entre os sexos, ou seja, isso já é pauta conquistada. Daí a sua fala se transformar num discurso que beira o ódio, ao querer ditar o que mulheres devem pensar, sentir, desejar e fazer. Do seu bom início, hoje está alinhado a políticas ideológicas de esquerda, com grande hostilidade à família, tão explicitamente discursado no seu combate ao sistema patriarcal e na defesa da liberação do aborto.

Se a igualdade a ser alcançada fosse apenas pelos direitos civis, teríamos a adesão unânime de todas as mulheres. Mas ao cair no campo da revolução cultural e ideológica, o feminismo perdeu voz e vez.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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