Máquina do Tempo

De outros carnavais

(Imagem Biblioteca Pública do Paraná)

O que trago na coluna dessa semana são daquelas coincidências que a gente topa vez ou outra com o nome da nossa cidade no meio. E se tem São Mateus do Sul no meio, é sempre uma história pela qual vale a pena viajar no tempo, não é mesmo?! Vamos para a década de 60, falar primeiro de um tal de Dalton Trevisan, um escritor curitibano, ganhador de muitos prêmios literários no Paraná, no Brasil e até mesmo no exterior. Famoso por seus contos, principalmente “O Vampiro de Curitiba”, publicado em 1965, o escritor é também conhecido pela sua postura reservada, se negando por quase toda a vida a dar declarações públicas, entrevistas e aparecer na mídia. Considerada por alguns uma estratégia para ganhar publicidade, a verdade é que Dalton Trevisan realmente manteve sua postura enigmática ao longo de toda sua trajetória. O contista sempre deixou bem claro que tudo o que as pessoas deveriam saber sobre ele estava em seus contos, pois a importância reside na obra não no artista.

Em 29 de junho de 1968, o mineiro Luiz Vilela, escritor e contista como Dalton Trevisan, uma influência confessa, realizou uma entrevista com o “vampiro curitibano” depois de participar do Concurso Nacional de Contos, realizado pela Fundepar no Paraná. Luiz Vilela ficou entre os cinco colocados; Dalton Trevisan havia ganhado o concurso.

Trabalhando para um jornal, Luiz Vilela ficou encarregado de entrevistar Dalton Trevisan no mesmo dia em que pegou seu prêmio, e aquela entrevista foi ímpar, por dois motivos: primeiro porque foi uma das únicas vezes em que o escritor aceitou falar de sua vida pessoal, pois segundo Trevisan, Vilela, sendo também um contista, conhecia de fato suas obras e não apenas tinha ouvido falar sobre. E, em segundo lugar, porque dali surgiu, digamos assim, uma amizade, a ponto do próprio Dalton Trevisan enviar uma carta a Luiz Vilela em 1971 o parabenizando pela publicação de seu primeiro romance.

No carnaval de 1972, Luiz Vilela veio a São Mateus do Sul visitar sua irmã que residia aqui. Nessa data, ele enviou uma carta a Dalton Trevisan para que pudessem se reencontrar, mas pelo jeito o carnaval estava animado por essas bandas, pois o escritor acabou não indo ao encontro do “vampiro curitibano”. Contudo, em setembro daquele ano, ainda estando pela terra do mate, o reencontro deu certo! Beberam cerveja e bateram papo, sendo aquela a última vez que os contistas se veriam, e apesar de ter sido num bar da rodoviária curitibana, se Luiz Vilela não estivesse pela nossa cidadezinha, essa despedida não seria possível… E hoje vou ficando por aqui, até a próxima viagem, pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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