(Imagem Ilustrativa)

“Dou graças a Deus de ser digno do ódio do mundo”. Talvez essa frase possa nos assustar em um primeiro momento. A outros, porém, a frase contemple todo o sentido da sua vida. A vida dos santos e mártires católicos está repleta desses testemunhos, pois a sua compreensão para a realidade dessa vida já superou qualquer sofrimento e violência que possam enfrentar, por aqui, na defesa da fé. A meta de suas vidas terrenas é o Céu e sabem que, para alcançá-la, o caminho não será outro, senão sob o peso da cruz. Abraçar a cruz, portanto, é estar preparado para a ira do mundo que virá, porém, com a certeza das palavras do Mestre que alertou quem quiser segui-Lo, “tome a sua cruz e me siga. Aquele que quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por causa Mim, encontrará a vida eterna”.

Para os descrentes, toda essa conversa não faz sentido nenhum, justamente porque sua “crença” está apenas no que se vê e que tem seu término em nosso último suspiro. Mas, para Jerônimo, o santo padre autor da frase inicial desse texto, é apenas uma verdade que traz a razão para a existência humana. Ele, que antes da sua conversão estudava Cícero e Platão, e em Roma estudou letras gregas, latinas e hebraicas, foi o responsável pela organização e tradução das Sagradas Escrituras. Consagrou 55 anos da sua vida a esse grandioso trabalho e assim, a Bíblia sobrevive pelos séculos até os nossos dias, como o conhecimento de uma verdade perene e sempre atual.

São Jerônimo teve muitos perseguidores e detratores, o que o levou a escrever linhas, não de queixas, mas de alegria. “Queira Deus que, em nome de meu Senhor e da justiça, toda a multidão dos infiéis me persiga! Queira Deus que o mundo se erga com dureza para me ofender! Espero apenas uma recompensa: merecer os elogios de Cristo e a realização de suas promessas.” Palavras fortes e corajosas, mas incompreenssíveis aos perseguidores do cristianismo, para os quais estas mesmas palavras significam fraqueza ao serem surpreendidos na entrega do outro lado da face.

Perseguição essa quase inacreditável acontecer dos tempos de Jesus até os nossos dias. Segundo a organização Portas Abertas, que monitora o número de cristãos perseguidos no mundo desde 1955, esse número aumentou 30% em 2020 em relação ao ano anterior. Mais de 340 milhões de religiosos foram perseguidos naquele ano, sendo o número de mortos fiéis a Cristo de 4.761. O aumento da opressão aumentou no continente africano e em países como China e Índia, onde os governos são nacionalista e hinduísta, respectivamente. Nesses países, segundo a organização, tecnologias de sistemas de vigilância estão sendo usados para monitorar cristãos, sendo a China líder no ataque a igrejas e espaços religiosos. Ainda assim, a China ocupa o 17º. lugar na lista dos países que apresentam os maiores índices de perseguição contra cristãos, sendo esse ranking liderado pela Coreia do Norte, seguida pelo Afeganistão, Somália, Líbia e Paquistão, estes últimos tendo o islamismo como a religião oficial.

Na Igreja Católica a Bíblia tem em setembro um mês todo dedicado a ela e o dia 30, data da morte de São Jerônimo do ano de 398, é o seu dia em especial. Coincidência ou não, em 2002, um bombeiro encontrou nos escombros do atentado do 11 de Setembro, um fragmento da Bíblia incorporado a um pedaço de aço derretido. Na página incrustrada, mais uma vez, a prova da perenidade das Sagradas Escrituras, e ali diz Jesus, “Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Mas eu digo a você: não resista ao maligno. Em vez disso, se alguém lhe bater na face direita, ofereça a outra também”. A peça encontra-se no Museu do Memorial do 11 de Setembro em Nova York.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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