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Dedicação voluntária é o segredo do funcionamento de bazar em prol do Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes há 20 anos

Trabalho começou com a ideia de Deolinda, que, aos 78 anos de idade, acumula duas décadas de dedicação ao hospital. (Fotos: Larissa Drabeski/Gazeta Informativa)

Trabalho começou com a ideia de Deolinda, que, aos 78 anos de idade, acumula duas décadas de dedicação ao hospital. (Fotos: Larissa Drabeski/Gazeta Informativa)

Em 1996, havia uma apreensão com relação ao futuro do Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes. Uma eventual interrupção dos serviços da instituição, essencial para a saúde dos moradores de São Mateus do Sul e região, teria impactos negativos para toda a comunidade.

Ao ouvir sobre a possibilidade do hospital vir a fechar, uma senhora decidiu tomar a frente e fazer alguma coisa para mudar os rumos dessa história. Deolinda Maria Maciel e Silva era vice-presidente de Apostolado da Oração e, juntamente com a presidente, Madalena Santos Lima decidiu fazer uma campanha com o objetivo de arrecadar fundos para o hospital.

O foco da primeira arrecadação foram latas de óleo de cozinha. Cada um contribuía com uma lata e assim, já na primeira campanha, o grupo conseguiu fazer um estoque de óleo.

Vendo que era preciso diversificar a arrecadação para ir além das latas de óleo, Deolinda então teve a ideia da campanha do 1 real. Cada voluntário doaria um real para o hospital. “Tem muita gente que até hoje segue fazendo essa doação”, comenta.

No início desse trabalho, Deolinda contou com a ajuda do marido Sadi de Paula e Silva. No ano seguinte ele faleceu, dez anos depois que o casal havia perdido o filho Pedro Eloi, aos 17 anos de idade. As desventuras, no entanto, não fizeram com que ela desanimasse ou diminuísse o ritmo.

Em 4 de abril de 1997, o grupo promoveu o primeiro bazar em prol do Hospital. Com o dinheiro arrecadado, elas foram a Curitiba adquirir máquinas de costura. As notas fiscais desta compra Deolinda conserva até hoje, tanto como forma de lembrança como para controle financeiro. “Eu sempre levo bem controlado”.

Nos primeiros anos, elas saíam pelo interior do município levando os itens do bazar para venda. Hoje as atividades se concentram no espaço localizado na rua Paulino Vaz da Silva, próximo ao hospital. Ali, elas concentram doações de roupas, roupas de cama, brinquedos e até móveis. O bazar está sempre aberto para receber novas doações. Tudo que é arrecadado é vendido a preços populares. É possível adquirir peças de roupa em bom estado por apenas 1 real. “Hoje é um movimento muito grande”, afirma Deolinda.

Além da venda de produtos usados, elas também confeccionam colchas sob encomenda. De roupas mais velhas, elas reaproveitam os tecidos para fazer estopas. A renda obtida com o trabalho é revertida em mantimentos, roupas de cama, camisolas, cadeiras, travesseiros, colchões, freezers, micro-ondas e outros itens que o hospital necessite.

Com 78 anos completados no dia 28 de março, Deolinda parece não ter sentido o peso da idade, segue esbanjando energia e vontade de viver. “Eu me sinto muito bem!”, afirma. Ainda menina ela aprendeu a costurar e, durante a vida toda, fez trabalhos de crochê para venda. Hoje, morando com a filha Isabel e com o genro, ela comenta com felicidade sua independência para cuidar da casa e ainda ajudar ao próximo. “Quando eu deito, fico fazendo planos e tendo ideias”, conta Deolinda, com orgulho.

Além da contribuição com a sociedade, ela destaca as amizades conquistadas nesses 20 anos de trabalho como um dos benefícios. Algumas das amizades estão no próprio trabalho voluntário. Para cumprir todas as atividades do bazar, reúnem-se alguns dias cinco voluntárias, em outros chegam a dez. “O grupo colabora bem, então o trabalho sempre dá certo”, conta Deolinda, que tem horário fixo: são quatro tardes, de segunda a sexta-feira, sempre das 13h às 17h.

Para garantir a harmonia da equipe, ela, que há 19 anos é presidente do Apostolado da Oração, procura sempre fazer sorteio de brindes, como agradecimento à sua equipe. “Se fosse fazer sozinha, não fazia nada”, avalia.

Questionada se o trabalho voluntário é o segredo para a sua felicidade, ela responde prontamente: “Feliz eu sempre sou, mas esse trabalho me deixa muito mais feliz!”

Larissa Drabeski

Larissa Drabeski

Jornalista com MBA em Administração e Marketing, é cofundadora da empresa Levante - Fotografia e Comunicação, que oferece serviços diversos de marketing e comunicação empresarial. Contato: larissadrabeski@gmail.com
Larissa Drabeski

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