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Depois de 66 anos, 1ª banca de jornal fundada em São Mateus do Sul encerra suas atividades

Fundada por Romeu Nadolny em janeiro de 1951 e prestando serviços à comunidade são-mateuense há 66 anos, parte da história de São Mateus do Sul estará sendo guardada na memória com o encerramento das atividades da Revistaria Nadolny. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Toda história inicia-se com um “era uma vez” e encerra-se com um “felizes para sempre”, caso contrário não é o fim. Porém a primeira banca de jornais e revistas de São Mateus do Sul não resistiu à pressão da revolução da comunicação agregada aos efeitos da crise econômica nacional e fechou as portas na quinta-feira (31/08).

Fundada por Romeu Nadolny, em janeiro de 1951, e prestando serviços à comunidade são-mateuense há 66 anos, parte da história de nosso município estará sendo guardada na memória com o encerramento das atividades da Revistaria Nadolny.

Desde pequeno, Romeu relata que adorava gibis e os trocava com seus amigos e colegas. Então, num certo dia, resolveu adquiri-los direto da editora Brasil América, no Rio de Janeiro e chegavam quase que semanalmente no antigo correio do município localizado na esquina do Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes. “Primeiro eu enviava o dinheiro e em seguida vinham minhas revistas, depois de algum tempo me enviavam vários exemplares e na medida que eu vendia, enviava o dinheiro”, conta. Com apenas 15 anos, aquele jovem neto de imigrantes poloneses que se instalaram na Colônia Taquaral, idealizou e criou a Banca de Revistas Nadolny. “São Mateus inteiro passou pela minha banca”, relata Romeu que lembra quão pequena era nossa cidade, pacata e conservadora, mas que valorizava muito mais a escrita.

Ao mesmo tempo que atuava com a banca, Romeu ajudava seu pai Roberto Alexandre Nadolny que possuía uma marcenaria e produzia esfregadeiras de roupas. Todas as prateleiras e estantes da loja foram produzidas pelas próprias mãos da família e que ainda hoje, resistem firmes e fortes, demonstrando a qualidade e profissionalismo da marcenaria informal dos Nadolny.

Foto antiga da revistaria.

O segredo dos 66 anos, de acordo com Romeu é o empenho familiar, pois suas quatro filhas nasceram, cresceram e tornaram-se cidadãs de respeito em nossa sociedade, baseadas e inspiradas em nossa tradição. Walquiria de Fátima, Sandra Maria, Simone Aléia e Milena Alessandra Nadolny, além da genitora Saloméia Burdzinski Nadolny com quem é casado há cerca de 40 anos, foram as principais motivadoras na vida do jornaleiro que hoje sustenta seus 81 anos.

Com o encerramento das atividades, Romeu relata que parte de si morrerá, mas “me empenharei com minha marcenaria, minha segunda paixão”, afirma. Sobre o motivo para o encerramento das atividades da banca, explica: “não poderíamos continuar com as atividades pois as despesas são muito mais altas que os rendimentos, chegamos a um ponto que estávamos tendo de tirar dinheiro do bolso para pagar as despesas. Antigamente recebíamos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e vários de Curitiba. A Gazeta do Povo era o principal jornal e vinham centenas de exemplares diariamente, mal conseguíamos levantar os pacotes e agora tudo se acabou”.

Ao longo de quase sete décadas, a beira da BR-476 na rua Paulino Vaz da Silva, nº 664, muitas histórias ficaram marcadas porta adentro e fora da Revistaria Nadolny, muitas que ainda persistem nas lembranças e relíquias guardadas por Romeu, um arsenal histórico desconhecido por muitos e de grande valor para a sociedade são-mateuense, acompanhando de camarote a construção da Paróquia São Mateus e o crescimento da cidade.

A banca fica na história, um novo rumo será tomado e a família ainda analisa o que fazer com o espaço. “A tradição não ajudou a continuar com as atividades, hoje tentamos vender o que resta, revistas, vinis, alguns livros – tudo diferente em relação aos tempos que a leitura, a literatura e o papel eram valorizados”, encerra.

A Gazeta Informativa deseja muito sucesso nesta nova fase da família Nadolny, e apoia, incentiva e acredita que é com a leitura que as pessoas tornam-se capazes de se comunicarem melhor.

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