(Imagem Ilustrativa)

Gostaria de abordar na coluna poética de hoje, um tema que me chamou a atenção no mês que acaba de encerrar. Eu confesso, amigo leitor, que desconhecia o que era o “janeiro branco”, mas ao ver entrevistas em rádio e jornais, descobri a importância deste tema, e entendo que o mesmo justifica ser abordado em prosa e verso. Embarque comigo nessa viagem poética!

O Janeiro Branco é uma campanha nacional que busca conscientizar as pessoas quanto à importância de cuidar da saúde mental e emocional. Quando ouvimos falar de “doenças mentais”, podemos ser levados a pensar em casos de demência, esquizofrenias ou outras psicoses, mas existem transtornos mentais muito mais comuns e que podem fazer parte do dia-a-dia das pessoas que amamos, sem mesmo sabermos. Um destes transtornos é a depressão, que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 6% da população brasileira, e mais de 300 milhões de pessoas ao redor do planeta. E nos últimos 10 anos, os casos de depressão aumentaram 18% no mundo!

O mais chocante dos casos de transtornos mentais é a dificuldade que muita gente tem de acreditar na pessoa que sofre a situação. Usando ainda a depressão como exemplo, ninguém pode diagnosticar essa doença com um raio-x ou com um exame de sangue. Não é algo palpável, mensurável… E, mesmo a pessoa que sofre os sintomas, muitas vezes esforça-se para disfarçar o turbilhão que tem por dentro, pois sabe que a sociedade tende a rejeitar, a tratar como se fosse “frescura”…

Bom, eu não sou um psicólogo, e sei que nossa cidade tem excelentes profissionais que poderiam discorrer sobre o assunto. Mas como poeta, tentei traduzir a depressão em versos e rimas, e assim surgiu o soneto abaixo, chamado “Depressão”:

Se alguém pudesse ler o teu olhar
enxergaria uma neblina densa,
ventos, tornados e a tormenta imensa
que teu sorriso insiste em disfarçar…

Se alguém tivesse o dom de mergulhar
no que tu calas, e a cabeça pensa,
descobriria a correnteza intensa
do mais revolto e perigoso mar!

E, sob o véu desta aparente calma,
veria monstros te assombrando a alma,
soprando escuras nuvens de desgosto…

E entenderia todos os momentos
nos quais a chuva dos teus sentimentos
transborda o peito e escorre no teu rosto…

O Janeiro Branco acabou, mas fica sempre o alerta para que as pessoas que sofrem de qualquer transtorno mental busquem ajuda. E que as demais pessoas, que tiveram o privilégio de não passar por isso, olhem em volta com empatia, analisando comportamentos, entendendo sentimentos e dando apoio a quem precisa.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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