Conheça a metodologia de trabalho de um brechó. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Você se interessou pelas peças de roupa dessa reportagem? E se disséssemos que em média, o look completo custou R$ 50? Essas e outras roupas de diferentes tamanhos, cores e estilos são encontradas em brechós e bazares por São Mateus do Sul e em inúmeras cidades do país. Alguns locais de venda e troca têm intuito solidário e outros são uma forma de sustento mensal de famílias brasileiras. A ideia do mercado sustentável é um dos empreendimentos que mais cresce no país, levando em consideração a qualidade e bom atendimento.

“Gosto de falar que eu não vendo roupa, mas sim o meu serviço”, afirma Bernadete Aparecida de Lima Teixeira, proprietária do Brechó Garimpo, localizado na Rua João Gabriel Martins, Vila Prohmann. Há 3 anos ela, junto de sua família, se dedicam para levar ao público são-mateuense roupas de qualidade e escolhidas à mão para uma segunda oportunidade de uso. A vida de brechó virou a paixão da família que enxerga no empreendimento uma forma de colaborar com a reutilização das peças de desapego. Se no passado os brechós e bazares eram conhecidos pelo visual sem capricho, hoje os proprietários investem na ambientação do espaço e tempo em estudos para garimpar peças de qualidade. Garimpar roupa nada mais é que procurar peças que lhe agradem e que serão úteis para o público. Nessa ação é possível encontrar peças únicas e de marcas requisitadas.

Bernadete conta que o número de clientes cresce a cada dia. Há momentos que não é possível caminhar pelos corredores do seu brechó pela grande movimentação. “Já teve pessoas que passaram pelo brechó pensando que era loja de grife, e só quando entraram perceberam que aqui haviam peças usadas”. Hoje as roupas vintages – antigas – como jaquetas jeans, blazers, camisas, calça e calção de cós alto estão entre as roupas mais procuradas pelo público jovem. “Quando garimpo em outras cidades busco inspiração pelas redes sociais para ver as últimas tendências”, conta Bernadete, que utiliza aplicativos como o Pinterest e Instagram.

Algo que também cresce no mercado é a compra e venda de peças infantis, principalmente pelo rápido crescimento das crianças. Sapatos, moletons e até brinquedos são encontrados em brechós e bazares à preços acessíveis e em ótimo estado. “Quando falo que vendo meu serviço já explico que tenho a responsabilidade de lavar as roupas e consertar as que, vez ou outra, vêm sem um botão ou descosturada”, esclarece a proprietária. Além de garimpar em bazares solidários e em outros locais fora da cidade, Bernadete conta que prioriza pelo desapego das pessoas que procuram o seu brechó para levarem à ela peças usadas. “Você pode ter uma roupa em ótimo estado dentro do seu guarda-roupa e que não aguenta mais usar. É esse desapego que eu gosto.”

De acordo com os dados divulgados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mais de 15 mil empresas no país comercializam produtos usados, sejam roupas, sapatos, móveis, objetos de decoração e demais produtos em condições de uso. Além das lojas físicas, os brechós on-line cresceram 300% em 2018. A expansão desses mercados foi impulsionada pela crise econômica, pois os clientes adquirem peças com valores mais acessíveis. Atrelada à esses impulsos, o público brasileiro está quebrando aos poucos o pré-conceito de comprar itens usados. A inteligência dos empreendedores desse ramo varejista vem de encontro com a mudança cultural e de estilo dos clientes.

As irmãs Nathaly Snak e Nicoly Snak frequentam brechós há mais de 3 anos, e muitas das peças do guarda-roupa foram adquiridas nesses locais. “Confesso que antes eu pensava que brechós eram lugares sujos”, admite Nicoly. Por curiosidade ela começou a frequentar o brechó localizado perto de sua casa, e esse pensamento foi desaparecendo. “Percebi que lá era um lugar agradável e cheio de roupas bonitas com precinhos ótimos”. Hoje as irmãs garimpam roupas em inúmeros brechós e bazares do município, como o do Hospital, localizado na Rua Paulino Vaz da Silva.

Economia, bom gosto e conscientização ambiental unem-se no momento da compra. “Quando me perguntam em que lugar eu comprei a roupa que eu estou usando, não tenho vergonha de dizer que foram adquiridas em brechós”, comentam as irmãs.

As irmãs Nathaly Snak e Nicoly Snak frequentam brechós há mais de 3 anos e fazem da compra um estilo de vida. Além de ser um local com peças únicas, os brechós ganham espaço e são uma oportunidade de emprego para famílias brasileiras.

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Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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