Cartaz de divulgação do evento.

Vai acontecer a coleta de lixo eletrônico, iniciando no dia 31 de maio e seguindo até o dia 4 de junho, das 8h às 20h, no Colégio Estadual São Mateus. Já no dia 5 de junho essa coleta acontecerá na Feira do Produtor, das 7h às 12h em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Essa coleta do lixo eletrônico é uma promoção realizada pela Prefeitura Municipal de São Mateus do Sul através da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, pelo Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Estadual São Mateus e também pelo Rotary Club São Mateus do Sul. Será realizada a coleta, separação e o destino correto aos diversos produtos eletrônicos que a população possui em casa e não tem tido a oportunidade de realizar o descarte.

O mundo moderno não sobrevive sem a tecnologia e enquanto ela provoca grandes impactos na vida de muitos que cresceram e tiveram a tecnologia chegando aos poucos a sua vida, temos também aqueles que já nasceram vivendo em pleno mundo tecnológico. Enquanto para muitos o avanço de um aparelho celular é espantoso, para outros é algo totalmente comum. A tecnologia está presente em quase tudo o que fazemos ou usufruímos em nossa rotina, mas algo que poucos se dão conta é que toda a tecnologia baseada em produtos eletrônicos, a cada dia com mais velocidade, ela se torna obsoleta e necessita ser substituída. Mas o que em geral não é feito em nossa sociedade é o descarte de maneira adequada, sendo que isso é necessário por duas questões fundamentais: preservação do meio ambiente, evitando a poluição por produtos perigosos e a reciclagem de matérias primas caras e escassas.

A tecnologia que existe nos produtos eletrônicos atuais e que nos traz tantas vantagens é um desafio ao redor do mundo. Existe a produção em massa, mas em contrapartida a substituição e o descarte também, e esse é o grande problema a ser enfrentado. São produtos planejados para serem substituídos por modelos mais avançados, e assim serem descartados. E também são projetados, em sua maioria, para não serem consertados, mas substituídos quando apresentam problemas, pois o custo do conserto é muito próximo ao de aparelhos novos.

É muito comum associarmos o e-lixo (como também é conhecido o lixo eletrônico), com o descarte de computadores e celulares, porém, há uma lista mais extensa que inclui, por exemplo: bateria de celular; pilhas comuns, televisão de tubo de imagem, secadores, liquidificadores, impressoras, lâmpadas diversas, peças eletrônicas de automóveis, entre tantos outros.

Os equipamentos eletrônicos e elétricos possuem diversos componentes tóxicos em sua composição, mas eles não apresentam perigo ou danos imediatos para o meio ambiente e nem às pessoas, pois são inertes, ou seja, não liberam substâncias potencialmente poluidoras no ambiente. O perigo acontece quando esses equipamentos são descartados de maneira errada e se degradam, podendo prejudicar as pessoas diretamente ou contaminando o solo e os lençóis freáticos.

Vários locais de descarte irregular têm provocado muita poluição com produtos químicos.

Coleta de e-lixo realizada em local apropriado. (Imagens Ilustrativas)

Estudos apontam que cerca de 70% dos metais pesados encontrados em lixões e aterros sanitários controlados são provenientes de equipamentos eletrônicos descartados incorretamente. Esses equipamentos possuem uma grande quantidade de substâncias e materiais em sua composição, alguns com potencial de toxicidade, e a maioria das pessoas não tem a menor ideia dos possíveis problemas. Um estudo de centros de tecnologia norte-americanos pesquisou 36 celulares de diferentes marcas e modelos, analisando a quantidade de componentes tóxicos presente nos aparelhos, como chumbo, bromo e cádmio, demonstrando a presença de vários elementos perigosos se descartados de maneira incorreta, sendo muitos deles cancerígenos. São elementos que desde sua extração até o fim da vida útil do produto causam potenciais danos ao meio ambiente e à saúde humana. Os mais comuns encontrados nos aparelhos eletrônicos são: alumínio, arsênio, berílio, bismuto, cádmio, chumbo, níquel, mercúrio, antimônio, cobalto, cobre, cromo, estanho, ferro, lítio, prata, selênio, vanádio e zinco. Muitos desses são cumulativos no organismo humano, ou seja, o corpo vai aos poucos acumulando nos órgãos quantidades até causar a intoxicação e os diversos problemas advindos dela.

O descarte

No Brasil já existe o movimento das empresas fabricantes e também das importadoras para dar um fim correto aos que fabricam ou vendem. A grande maioria das empresas possuem canais de comunicação e de instruções para fornecer aos seus clientes informações sobre como realizar o descarte correto, como pontos de coletas, lojas parceiras e, em alguns casos, o envio pelos Correios. Aos poucos, os principais pontos de coleta destes equipamentos vêm sendo os mesmos pontos de vendas. Esses descartes quase sempre são gratuitos e recomenda-se que se apaguem dados sigilosos desses aparelhos, principalmente celulares, computadores e máquinas fotográficas.

Após o descarte, esses aparelhos são encaminhados para departamentos especializados no desmonte de modo correto dentro das próprias fabricantes ou empresas especializadas e terceirizadas. Os eletrônicos contêm peças feitas de plástico, vidro e metal, além de outras substâncias químicas, o que permite a reciclagem de muitos d os materiais que fazem parte do resíduo ou lixo eletrônico. Praticamente 100% dos aparelhos podem ser reciclados, quase tudo aqui no Brasil.

Logística reversa

A logística reversa é a criação de um caminho para que o consumidor possa descartar seus equipamentos de maneira correta, sendo assegurado de um destino ambientalmente correto e voltando para quem fabricou realizar isto. No Brasil existe a lei 12.305/2010, a chamada “Política Nacional de Resíduos Sólidos”, que entre outros assuntos trata do descarte dos produtos eletroeletrônicos, pilhas e baterias. Em vários setores, a lei já é uma obrigação legal, por isso os fabricantes, comerciantes, distribuidores e usuários são todos responsáveis por dar um fim correto aos produtos a serem descartados, somos todos partes desse processo.

Mundo a fora, na implantação da logística reversa, em alguns casos o poder público atua diretamente e com papel fundamental, fornecendo os locais para descarte correto e assegurando o transporte. Em outros, toda a responsabilidade recai sobre os fabricantes. E existem exemplos onde o consumidor assume boa parte da responsabilidade, pagando pela coleta dos equipamentos que quer descartar. O Brasil tem observado e testado alguns destes modelos para desenvolver algo que seja adaptado à cultura local e às dimensões continentais do país.

Hugo Lopes Júnior
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