(Imagem Ilustrativa)

Lá se vão 521 anos desde que Portugal declarou ter descoberto novas Terras que um dia chamariam de Brasil.

Na Era dos Descobrimentos, a Carta de Pero Vaz de Caminha descrevia ao Rei de Portugal, Dom Manuel I, suas primeiras impressões sobre a nova terra.

Como colonizadores que eram os portugueses, a exemplo de outras nações europeias, estavam muito interessados nas riquezas que poderiam obter no escambo com quinquilharias que carregavam a bordo. Isto só acontecia, por considerarem os povos, que acabavam de conhecer, de ignorantes e sem valor. Ofereciam bebidas, colares, espelhos e outras futilidades em troca de riquezas das novas terras “descobertas”.

Sim, se passaram mais de cinco séculos e talvez aqueles que nunca pisaram aqui e que se baseiam em informações difundidas mundo afora, ainda continuem com o mesmo pensamento. Talvez acreditem que o país ainda é selvagem e precisa ser “explorado”, em todos os sentidos da palavra, com menos ênfase no sentido da descoberta. E nós permitimos.

Continuamos sendo um país de várias tribos e apesar de termos adotado oficialmente uma mesma língua, não nos entendemos e continuamos ainda mais divididos. Esta falta de união faz com que continuemos vulneráveis ao poder dos conquistadores e dos oportunistas que tentam nos catequizar, hoje com influenciadores digitais e mentirosos com suas falsas notícias.

Caminha descrevia em sua carta que os nativos, nus, usavam cores em seu corpo e na sua inocência não prestavam atenção às suas vergonhas. Hoje, se algum colonizador chegasse por aqui, não encontraria homens e mulheres nus, mas fantasiados e escondidos atrás de cores e bandeiras. Não inocentes, mas escondendo atrás das cores e das bandeiras as suas vergonhas, as suas equivocadas crenças.

Guerreiros? Não. Apenas gente inflamada por posições políticas interesseiras.

Chegariam à conclusão de que seríamos um povo fácil de dominar, pois as principais lideranças da terra estão muito interessadas em manter a sua posição social e ostentar o seu poder. Assim, seria bom fazer acordos internacionais, não para beneficiar a população, distante da sede do país, mas para fortalecer os interesses pessoais e dos grupos que os levaram ao poder.

Isto pode ser uma visão pessimista, mas pelo momento que vivemos, não consigo pensar diferente. Muito embora se diga aos quatro ventos que estamos buscando resgatar a nossa soberania, estamos sim nos curvando cada vez mais ao poderio econômico internacional e entregando nossas riquezas e até nossa comida ao mercado internacional.

Recuperar este tempo perdido não será fácil. Tudo muda muito rapidamente, no ritmo das transformações tecnológicas. Como não temos tecnologia própria, nem investimos na qualificação dos brasileiros, continuaremos ainda por muito e muito tempo dependentes dos diferentes “conquistadores”.

Como eu disse algumas colunas atrás, trocamos nossos grãos por sementes e fertilizantes, nosso minério por bens de consumo, nosso petróleo por derivados, nossas ideologias e convicções por smartphones, nossa liberdade por dinheiro na conta bancária de alguns que nos dirigem. Para finalizar, trocamos nossos livros por armas, pois livros só os ricos leem e podem compar.

Adnelson Borges de Campos
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