(Imagem Ilustrativa)

Na semana passada, usei como exemplo de competência e objetividade a construção de Brasília durante o governo JK. Mas a Capital não é feita só de maravilhas da arquitetura e urbanismo.

A cidade é habitada por pessoas inteligentes e muito bem qualificadas, que passaram pelos melhores cursos das melhores universidades brasileiras. A própria Universidade de Brasília (UnB) é uma das melhores do Brasil. Então, por que há tanto desperdício na administração pública? Talvez seja porque quem gasta não é quem paga e quem gasta procura manter seus status e regalias. Assim, criam um abismo entre a vontade popular e seus atos.

Com certeza cada um dos leitores poderá citar exemplos de má gestão na administração pública. Vou falar da minha simples experiência de um dia. No meu roteiro de visitas em Brasília incluí o Congresso Nacional. Com antecedência fiz o agendamento no site. No dia e horário marcados, comparecei com minha família. Passamos pela primeira recepção. No Congresso, apenas a entrada é única, depois tudo é duplicado: de um lado a Câmara dos Deputados, de outro o Senado, cada qual com seus quatro anexos. Nos perguntaram se tínhamos o agendamento confirmado, conferiram no sistema, nos entregaram um adesivo para colar no peito e passamos pelo primeiro aparelho de raio-x e detectores de metais, similares aos de aeroportos. Fomos encaminhados para uma segunda recepção, a da Câmara. Lá um novo recepcionista (entre as mais de seis pessoas que trabalhavam na recepção) conferiu nosso agendamento e depois nos encaminhou para a recepção do Senado (com igual número de recepcionistas). Mais uma vez conferido o nosso agendamento, nos encaminharam para um outro ambiente, onde recebemos um crachá e fomos recebidos pela nossa guia de visitas. Saímos do Salão Negro (a cor do piso identifica o salão), passamos pelo Salão Verde (lá ficam os repórteres de plantão e o acesso ao Plenário da Câmara). Depois fomos até o Salão Azul. Mas antes de assistir à uma seção do Senado, onde um dos Senadores discursava para meia dúzia de pessoas, entre elas duas taquígrafas entediadas, passamos por mais um aparelho de detecção onde as pessoas repetiam o ritual de retirar os cintos e outros objetos de metal, mas antes tivemos que deixar os celulares numa chapelaria.

Voltamos para o Plenário da Câmara. Em plena quinta-feira pela manhã não havia sessão deliberativa. Porém, mesmo assim, passamos por outros aparelhos detectores. Talvez existam outros detectores nas entradas dos parlamentares e dos funcionários da casa.

Pois bem, uma visita, numa única casa, três aparelhos de detecção. Em cada um deles uma equipe de segurança, com pessoas bocejando pela falta do que fazer.

Qualquer um, com o mínimo de discernimento sabe que é possível usar melhor tais recursos, gastar menos, gastar com o que é importante. Podem dizer que o orçamento das casas é individualizado, por isso tudo é duplicado. Mas o bolso que paga é um só! É claro que é possível otimizar! Então por que não fazem? Acredito que falte vontade política. É mais cômodo manter as coisas como estão. Talvez o que importe para eles é garantir um novo mandato com todas as vantagens que lhe são peculiares (eles entendem que lhe são devidas). Gasta-se tanto com consultorias. Um simples estudo poderia encontrar muitos pontos de melhoria. Um convênio com universidades poderia ajudar em muito neste sentido.

Talvez o que retrate bem esta situação seja um texto chamado “A fábula dos porcos assados”. Vale a pena busca-lo no Google e dar uma olhada. O que eles fariam com todos os profissionais da casa? Afinal cada qual tem a sua especialidade! Para que simplificar? Quanto mais complexo, quanto mais gente, quanto mais custo, mais fácil negociar, buscar vantagens. Só que com dinheiro tirado do seu, do meu bolso. Com certeza eu e você leitor, gostaríamos que fosse diferente, mas até hoje não escolhemos líderes com coragem e vontade de mudar.

Adnelson Borges de Campos
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