(Imagem Ilustrativa)

Dezembro é por si só uma efeméride. Todos vivemos o ano inteiro com nossas rotinas atribuladas e, como que de repente, chegamos ao último mês do ano. Percebemos o tempo que passou, registramos nossos comentários de como tudo seguiu rápido e refletimos se os meses que se passaram foram bem aproveitados. Um ou outro acontecimento mais marcante virá a nossa mente. Se ele é triste ou feliz, não importa, porque o mês de dezembro nos renova e motiva a fazer dele um tempo especial, mais do que tudo o que já passou. Abrimos nossos corações para o outro com mais compaixão, realizamos pequenas ou grandes obras de caridade, buscamos com afinco o sorriso das nossas crianças.

Dezembro também nos faz lembrar da nossa infância. É natural nos recordarmos dos preparativos para o natal, das bolachas caseiras, das faxinas, da família reunida. Além dessas lembranças, recordo-me do início de minha vida de lojista. Acredito que nenhuma outra profissão viva tão intensamente esse período. Era um mês de muito trabalho, ainda que hoje assim continue, mas naquela época as coisas se iniciavam e terminavam pelas minhas mãos, as pernas não tinham muito descanso até tarde da noite, e os balcões aguardavam serem revelados novamente sob pilhas de roupas a dobrar. O cansaço, no entanto, parecia ser uma recompensa. É incrível como nos tornamos naturalmente felizes quando fazemos aquilo de que gostamos. Costumava dizer que a musiquinha do Fantástico já não me atormentava mais nos finais de domingo, porque a segunda-feira me levaria novamente às atividades do comércio. E dentre todas essas funções, era o cliente que me impulsionava a ser melhor. Uma das coisas que eu fazia ao receber um novo cliente era apresentar a loja, como se estivesse abrindo as portas da minha própria casa. O acolhimento é, sem dúvida, a primeira atitude de um vendedor feliz.

A loja que ficava no bairro também atraía clientes de outras áreas da cidade, e talvez tenha sido esse o motivo que me levou, anos mais tarde, a mudá-la para a região central. Naquela época eu encontrava mais tempo para criar as decorações natalinas que sempre foram as minhas prediletas. Presépio externo em tamanho natural e painéis pintados a mão são alguns exemplos. Certo ano, a larga calçada em frente a loja ficou repleta de pessoas convidadas para uma novena de natal. Devo dizer que sempre me emociono quando volto àquele tempo, porque são as coisas mais singelas e simples aquelas que mais nos cativam.

Outra vez, confeccionei uma árvore de três metros de altura. Armação de metal encomendada, faltavam mais de 300 garrafas pets. Após lavadas eram cortadas ao meio, “fatiadas”, passadas rapidamente ao fogo para se assemelharem a folhas, furadas, pintadas e fixadas à árvore. As bases unidas se transfomaram em grandes bolinhas de natal vermelhas. Na metade do empreendimento, olhando tudo o que havia feito e tudo o que ainda faltava, me perguntei: “onde eu estava com a cabeça quando iniciei isso?” Ela teve uma vida útil de uns seis anos, ou mais, e eu sempre a admirava, porque ela encantava quem passava e quem chegava à nossa loja, como ocorre com toda árvore de natal que é feita com carinho.

Ao compartilhar essas lembranças com o amigo leitor, gostaria de lembrá-lo, se é que tenho esse direito, de que são os pequenos feitos da nossa vida que a tornam bela. Basta deixarmos que os ponteiros do relógio girem no seu tempo, para admirarmos a nossa própria existência. E, nessa pausa tão importante, não nos esqueçamos de que, mais uma vez, o Menino Salvador nos será dado. Uma memória que nos ajuda a construir melhores dias, para nós e ao nosso semelhante. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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