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Dia 7 de abril foi comemorado o Dia Nacional do Jornalista

Foto: Thaís Siqueira / Gazeta Informativa

Para falarmos um pouco sobre a profissão de Jornalista, o Jornal Gazeta Informativa entrevistou Edinei J. Wassoaski e Angela Farah graduados em jornalismo e professores no Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), Bruna Kobus graduada em Jornalismo pela Uniuv em 2014 e Amanda Letícia Neves acadêmica do 3° semestre de Jornalismo, também pela Uniuv.

Edinei J. Wassoaski possui pós-graduação em Metodologia da Ação Docente e mestrando em Comunicação e Linguagens. É professor do Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), editor de Jornalismo da Band FM Canoinhas, do portal JMais e colunista político do jornal Correio do Norte. Sobre a escolha da profissão Edinei diz, “nunca me imaginei fazendo outra coisa. Tenho paixão pelo Jornalismo.”

Segundo ele, atualmente o Jornalista tem mais desafios do que dificuldades. “O grande desafio é transitar entre as diferentes plataformas – impresso, digital, produzir textos, áudios, vídeos – já que a grande qualidade do jornalista contemporâneo é a versatilidade”, destaca.

O jornalismo é diferentes ideias e opiniões exposta em um papel, onde cabe ao jornalista passar essas informações de uma maneira clara e objetiva ao leitor. “É expor à sociedade o que, invariavelmente, alguém quer esconder. Ao informar, de modo justo e fidedigno, o jornalista contribui para uma sociedade melhor”, fala Edinei.

SOBRE O JORNALISMO

Para Edinei, o grande desafio do jornalismo é transitar entre as diferentes plataformas – impresso, digital, produzir textos, áudios, vídeos – já que a grande qualidade do jornalista contemporâneo é a versatilidade.

Para Edinei, atualmente o grande desafio do jornalista é transitar entre as diferentes plataformas – impresso, digital, produzir textos, áudios, vídeos – já que a grande qualidade do jornalista contemporâneo é a versatilidade.

“Cada reportagem marca de uma forma diferente. Teve algumas que me orgulham como a que fiz em 2008 denunciando a farra de diárias na Câmara de Canoinhas. Descobrimos que havia vereadores que fizeram 3 vezes o mesmo curso e o presidente da Casa havia liberado diárias sem saber para quê. A partir dessa reportagem, a mídia estadual veio fazer suítes e o jornal Correio do Norte ganhou grande destaque. Desde então, o gasto com diárias na Câmara de Canoinhas caiu de R$ 198 mil (2008) para R$ 15 mil (2014)”, diz Edinei sobre sua matéria marcante.

O jornalista é aquele profissional que não tem feriado ou fim de semana, pois sempre está atrás da notícia. “Eu já vivi muitos fins de semana assim”, revela Edinei. “O mais recente foi o do acidente na Serra Dona Francisca, que matou 51 pessoas da região que eu cubro, a cidade de União da Vitória. Varei a madrugada acompanhando”, conta.

Aos que estão começando na área, Edinei aconselha, “se especializem em alguma área, leiam e se informem a todo momento, porque tudo muda muito rápido. Minha profissão talvez tenha sido uma das que mais mudaram e das que mais exigem com as novas tecnologias”.

Para Edinei, os vários anos na profissão de jornalismo, tudo que viveu e vive, servem de aprendizados, principalmente onde acaba cometendo erros, é com eles que dá o seu melhor da próxima vez. “Tem tanta coisa que me serviu de aprendizado, mas embora canse bastante por causa da rotina atribulada, gosto muito de compartilhar as experiências de campo com os alunos. Isso me ajuda e creio que os auxilia também no aprendizado. Fazer jornalismo é compartilhar e absorver experiências. Traduzi-las ao leitor é o grande desafio”, finaliza Edinei.

“Escolhi o jornalismo porque acredito que ele pode ser uma nova forma de ver o mundo. Há muito por detrás daquilo que vemos com os olhos. Por isso, o jornalismo tem de dizer o dizível e o indizível, ser capaz de ver o que está além dos olhos”, comenta Angela.

“Escolhi o jornalismo porque acredito que ele pode ser uma nova forma de ver o mundo. Há muito por detrás daquilo que vemos com os olhos. Por isso, o jornalismo tem de dizer o dizível e o indizível, ser capaz de ver o que está além dos olhos”, comenta Angela.

Angela Farah é professora do curso de Jornalismo da Uniuv desde 2002, ano em que os cursos de Jornalismo e Publicidade iniciaram suas atividades na mesma universidade. “Hoje faço Doutorado em Ciências da Comunicação, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo. Amo ser professora”, destaca Angela. “Realizo-me em cada projeto de TCC que oriento, em cada reportagem que acompanho, em cada conversa com os alunos, em cada vitória conquistada pelos alunos ou ex-alunos, agora colegas de profissão.” Ser professora é muito desafiador e uma atividade de grande responsabilidade. Estou sempre atenta para buscar o melhor para o aprendizado dos futuros jornalistas. Tenho muito contato com egressos do curso de Jornalismo da Uniuv e creio que esse é o maior retorno que posso ter como professora.”

A NOTÍCIA PODE ESTAR EM QUALQUER LUGAR
Para o jornalista, a boca não deve ser prisioneira dos olhos, pois há coisas que vão além daquilo que vemos. “Escolhi o jornalismo porque acredito que ele pode ser uma nova forma de ver o mundo. Há muito por detrás daquilo que vemos com os olhos. Por isso, o jornalismo tem de dizer o dizível e o indizível, ser capaz de ver o que está além dos olhos”, comenta Angela.

Para Angela, o Jornalismo tem a ver com a essência de cada ser humano. A essência de um jornalista é a essência de seu jornalismo, que o retrata a todo momento, deixando clara a sua visão de mundo. “Para isso, é preciso estar aberto a novas ideias e mudanças de pensamento, para tornar-se um profissional e uma pessoa cada vez melhor.”

Angela comenta que o jornalismo é um constante corpo-a-corpo com a vida, por isso o jornalista precisa refletir diariamente sobre as novas e velhas questões do cotidiano humano. “É preciso descobrir qual a sua posição no mundo, de que lado está, quem é. Sem essa descoberta, torna-se difícil pensar no jornalismo como um espaço de construção de solidariedade e de definição do homem como sujeito do seu cotidiano”, destaca Angela.

Há muitos mitos que envolvem a profissão. Um é a falta de rotina. Outro é o glamour. Para quem trabalha com jornalismo há muitas oportunidades de conhecimento, muitas experiências diferentes, mas a rotina industrial da produção da notícia está presente no deadline, no fechamento de cada edição. Portanto há rotina, e Angela ressalta, “esta profissão também oferece o convívio com personalidades importantes, celebridades (e pseudos também), o que pode dar ao jornalista a falsa sensação de pertencer aquele ‘mundo’ ou ‘grupo’. Nada mais falso. Ou perigoso. O jornalista não pode se deixar envolver por esses grupos, com o risco de comprometer seu trabalho e sua credibilidade. Além do caderninho de fontes de informação, a credibilidade é o ponto mais valioso para o jornalista e para os meios de comunicação. Eu poderia dizer muitas coisas importantes para quem quer seguir a profissão de jornalista, mas vou tentar ser sintética. O jornalismo contemporâneo precisa de profissionais com formação humanística integral. Também precisa de profissionais que saibam dosar bem emoção e razão. Precisa de profissionais honestos, ternos e responsáveis, que busquem conquistar liberdade, fraternidade e igualdade para a sociedade em que vivem. Profissionais que possam pensar além das dualidades óbvias, que possam pensar de forma abrangente e complexa. Para alcançar isso é necessário ler, muito, livros, revistas, jornais, mas, principalmente, é preciso ler o mundo, estar presente no cotidiano de sua sociedade. É preciso observar a vida cotidiana, experimentando-a em toda a sua complexidade”, relata Angela.

JORNALISMO, INSPIRADOR E APAIXONANTE
Cada pauta que se recebe na redação de um veículo de comunicação é uma viagem ao desconhecido que precisa ser revelado. “Para ser revelado, é preciso que o jornalista dispa-se de seus preconceitos e vá até o fato com o coração aberto. Tentar ver na violência, na morte, no menino de rua, no morador de rua, além de suas roupas sujas e rasgadas, deve ser objetivo do jornalista”, finaliza Angela, orgulhosa da profissão que escolheu.

DECISÃO

“Quando me formei no ensino médio não sabia muito bem ainda o que queria, então comecei a pesquisar alguns cursos, e me identifiquei bastante com Jornalismo, porque sempre amei ler e escrever, e gosto da ideia de trabalhar não só em um lugar parada”, explica Amanda Letícia Neves, acadêmica do 3° semestre de Jornalismo. “Quando me formar pretendo ir para uma cidade grande, com mais oportunidades, fazer uma pós ou outras faculdades, gostaria de ser colunista e editora de jornal impresso”, comenta Amanda.

Todos temos nossas fontes inspiradoras, podem ser eles jornalistas de grande destaque na TV, ou algum comunicador muito próximo de nós, onde podemos sempre estar trocando ideias e tirando dúvidas, “alguns professores da faculdade me inspiram, entre outros profissionais da TV”, destaca Amanda.

Após formado, o comunicador vê um leque de opções para trabalhar, há aqueles que querer ser repórteres outros editores, vai de cada um, todos tem uma personalidade diferente, e essa mesma personalidade se manifesta quando ele se identifica com algo nesse meio de comunicação. “Quero muito trabalhar em algum jornal impresso, por que acho legal o ritmo dos repórteres que correm atrás da notícia para depois escrever tudo”, finaliza Amanda, decidida pelo seu futuro.

DESAFIOS

Bruna revela que quando você é jornalista em tudo você enxerga uma matéria.

Bruna revela que quando você é jornalista em tudo você enxerga uma matéria.

Bruna Kobus graduada em Jornalismo no ano passado, trabalha há quatro anos como repórter, em um grupo de comunicação de União da Vitória. “Apesar de trabalhar na cidade onde moro, minha intenção não é ficar por aqui muito tempo. Meu objetivo é TV e aqui não tem muito espaço”, desabafa Bruna.

Os desafios da profissão são vários, como ela mesma relata: “São vários e aparecem todos os dias, principalmente se você é jornalista em cidade pequena que tem de exercer a função de muita gente de uma só vez. Acho que profissional do interior tem a melhor formação, porque aqui temos de fazer o papel do pauteiro, editor, fotógrafo e motorista. Mas o maior desafio é saber lidar com as histórias que conta e ter energia suficiente pra narrar todas elas. Eu particularmente me envolvo em algumas pautas e, às vezes, abro a porta da minha casa e as levo junto comigo. Ser jornalista é por tempo integral, pois quando acontece algum acidente – como do ônibus da Costa e Mar que 51 pessoas morreram – para uma pessoa que não exerce a função é mais um acidente. Sim elas vão ficar consternadas porque é muita gente da mesma cidade e se solidarizar com familiares e amigos, mas o jornalista se pergunta: quem estava lá? Qual o motivo do acidente? Teve alguém que não embarcou? Há sobreviventes? Como eles estão? Nós temos um dever de acabar com os ‘boatos’ e trazer o que é correto e, para isso, não importa se é feriado, final de semana ou madrugada”, conta.

TUDO PODE VIRAR NOTÍCIA
Segundo Bruna, quando você é jornalista em tudo você enxerga uma matéria. “Há alguns meses viajei para Brasília visitar meus pais e na chegada do aeroporto tinha alguns taxistas fazendo uma pequena manifestação com faixas – até com escritas em inglês – e pensei que aquilo renderia. Já dentro do carro, com a minha família, entre uma palavra e outra minha cabeça pensava numa chamada, um ângulo bom para foto ou uma passagem, o que falar e perguntar. No trajeto aeroporto/casa eu tinha a reportagem ‘montada’, sabia o que deveria fazer. Olha que eu estava de folga em uma cidade que nem faz parte da minha cobertura! Pra ver que a nossa cabeça sempre está a mil”, relata Bruna.

A ESCOLHA
Conforme Bruna, tem sempre aquela desculpa clichê de que “sempre fui boa em Português, Redação e Sociologia” por isso escolhi tal profissão. “Na real, eu sempre fui boa mesmo, mas também me dava bem em química, biologia e física. Mas o que me fez escolher o jornalismo foi a minha curiosidade em tudo e aquela vontade imensa de mudar as coisas por meio de relatos. Sempre me imaginava contando histórias e sempre fui uma boa contadora de histórias – isso é o que a minha família fala. Quando criança eu não sossegava, escutava tudo e todos, lia qualquer coisa, como faço até hoje, e não negava fogo para uma boa conversa. A dádiva dos jornalistas é ter ‘orelhas grandes’ para escutar bem o que falam. Também tem aquela coisa que é meio estranha pra alguns. Quando ando pela rua geralmente imagino a vida da pessoa que está caminhando a minha frente. Pergunto-me sobre as supostas opiniões que essa pessoa pode ter sobre política, economia, campo de refugiados na Síria – se é que ela sabe que existe um”, finaliza Bruna.

Por Adeline S. Volochem e Thaís Siqueira

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