Em São Mateus do Sul, Diego em frente ao acampamento montado por ele e sua família, ao lado do artesanato produzido por eles a fim de sobreviver na peregrinação por diferentes estados. (Fotos: Éber Deina/Gazeta Informativa)

A comemoração anual do Dia do Índio no dia 19 de abril foi instituída a partir de 1940 no continente americano, quando as principais lideranças indígenas se reuniram para o 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. O objetivo do encontro foi discutir ações de zelo à cultura indígena. A amplitude da discussão culminou com a escolha de uma data utilizada em toda a América, para marcar um momento de reflexão acerca da problemática que envolve a resistência de um modo de vida bastante tradicional em nosso país.

Apesar da numerosa população indígena que habita o Brasil, a adoção da data em terras brasileiras aconteceu posteriormente, em 1943, através do decreto-lei nº 5.540 assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. Segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que foi elaborado em 2010, existem no Brasil cerca de 305 etnias de índios e 274 línguas faladas, compondo uma população total de 896,9 mil indivíduos. De acordo com relatórios da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), estima-se que a população de indígenas que residia no Brasil em 1500 era de 3 milhões de indivíduos. O decréscimo do número de índios só passou a ser percebido a partir do censo de 1980, mas a preservação de seus valores e de seu modo de vida ainda se faz necessária atualmente.

A utilização do termo “bugre”

O termo bugre surgiu durante a Idade Média, no século IX na Bulgária. Ele se referia a uma doutrina religiosa que possuía componentes bastante divergentes dos da Igreja Católica, acreditando no diabo como uma figura criacionista, negando o mundo terreno, os rituais, o sacramento, o batismo, o matrimônio, entre outras coisas. Os praticantes desses preceitos eram chamados de bugres pela sociedade.

De acordo com artigo científico do Professor de Sociologia da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (SEADE), essa terminologia acabou se fixando no imaginário da população europeia, remetendo à imagem do bugre como uma pessoa devassa e infiel. A chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 confrontou os costumes, hábitos alimentares, a cor da pele, os traços, a imersão na natureza e o hábito de andarem nus dos povos indígenas que residiam em nosso país. O termo bugre passou a ser utilizado pelos colonizadores evidenciando que essas diferenças no modo de vida foram consequência da privação das luzes e da fé religiosa.

A produção dos cestos depende do tempo de secagem do bambu, o que pode variar de 3 a 4 dias.

Diferentes ornamentos produzidos pelos índios através da manipulação do bambu.

No entanto, as tribos indígenas também possuem seus rituais de louvor e fé, que é expressa de maneira diferente por eles. Os nativos do Brasil são os índios, termo que engloba toda a riqueza cultural e étnica de uma das matrizes formadoras do povo brasileiro. Confira abaixo o depoimento de um índio da tribo Kaingang que passou por São Mateus do Sul acompanhado da família.

O relato de Diego, da Tribo Kaigang

Diego tem 32 anos e é natural da cidade de Nonoai, localizada no Rio Grande do Sul. Ele é membro da Tribo dos Kaingang, um dos mais numerosos povos indígenas do Brasil. Desde a juventude ele peregrina por diferentes cidades sobrevivendo através da produção de artesanato. “Já andei por várias cidades, localizadas em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A venda de artesanatos circulando pelos estados é uma alternativa que muitos índios acabam adotando para sobreviver. É um modo de vida difícil, mas através dele ajudo minha família”, comentou Diego.

Independente das muitas dificuldades que permeiam esse modo de vida, Diego, sua esposa e dois filhos possuem muito orgulho da cultura Kaingang. “Nós falamos nosso idioma e ensinamos ele às nossas filhas, pois é uma das maneiras de continuarmos ligados à cultura indígena. Além disso, celebramos todo ano o Dia do Índio com uma dança que é praticada há muitos anos por nossa tribo, é uma maneira de reverenciar nossas origens e nossa luta”, afirma Diego.

De acordo com a família Kaingang, a boa-vontade da população das cidades visitadas por eles é muito importante. “Nosso artesanato é feito de bambu e uma peça pode demorar até 3 dias para ficar pronta. A população sempre nos ajuda, o que nós índios muitas vezes sentimos é que deveria haver mais facilitação para que possamos usufruir de alguns serviços como o restante da população, a saúde e a assistência social são exemplos disso”, encerram eles.

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