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Dia Internacional da Mulher: a história

Mulheres operárias. (Imagem Ilustrativa)

No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Por isso, dou continuidade ao tema da semana passada, sobre mulheres, para contar-lhes um pouco a respeito da história por detrás desta data. Existe um motivo para o 8 de março, e ele está relacionado à luta das mulheres por direitos e liberdades no percurso histórico. Segundo a socióloga Eva Blay, foi Clara Zetkin (1857-1933), deputada alemã, quem propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, quando participava do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhagem, em 1910. A proposta de Clara Zetkim estava ligada a toda uma luta que já estava ocorrendo nessa época em boa parte da Europa e nos Estados Unidos por movimentos que reivindicavam a igualdade de direitos entre homens e mulheres, inclusive o direito ao voto feminino, do qual falei semana passada.

Contudo, é dito erroneamente que o Dia Internacional da Mulher foi proposto por Zetkim para lembrar cerca de 125 operárias mortas em um incêndio ocorrido na fábrica Triangle, no dia 25 de março de 1857 em Nova Iorque, devido as péssimas instalações elétricas. É verdade que tal tragédia ocorreu, e que as condições das mulheres dentro das fábricas no século XIX e XX, sobretudo nas têxteis, eram insalubres e análogas à escravidão. Para se ter uma idéia, além da péssima estrutura física dessas fábricas, os salários eram baixos, e quando as mulheres exerciam a mesma função que os homens, eram pagas com salários abaixo dos masculinos. As operárias eram também submetidas ao assédio e abuso sexual de patrões e empregados durante sua jornada de trabalho, jornada a qual durava de 12 a 14 horas por dia, sem descanso. Crianças também eram vítimas desse tipo de contratação, muitas delas filhas e filhos dessas operárias que não tinham com quem deixá-los, e então acabavam empregando-as nessas fábricas para ajudar no sustento da família.

Sendo assim, apesar da data não ter sua origem histórica essencialmente e tão somente por causa do fatídico incêndio, ele representa o que significa, na história, o Dia Internacional da Mulher. Um dia para lembrarmos da luta de nossas antepassadas por igualdade de direitos e melhores condições de vida, seja no trabalho, no exercício da maternidade, a conquista do direito a educação e instrução feminina e o direito a representatividade política através do voto. Gostamos de flores, de bombons, maquiagens, sapatos e mimos, mas gostamos mais ainda de respeito e dignidade.

Esse é um dia também para lembrarmos que a luta continua, que temos um longo e árduo caminho pela frente, sabendo que juntas somos mais fortes. Na semana que vem, amigos (as) leitores (as), para encerrar as colunas em homenagem à mulher no mês de março, vou trazer uma história super especial – vamos viajar no tempo nos concursos de beleza de São Mateus do Sul e falaremos da Miss Erva-Mate de 1959! Até a próxima viagem!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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