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Dia Internacional da Mulher: Executivas são-mateuenses contam suas inspiradoras histórias

Fotos: Gazeta Informativa

Fotos: Gazeta Informativa

As mulheres já não são mais consideradas sexo frágil. Bem ao contrário, elas vêm quebrando tabus e invadindo espaços antes ocupados pelos homens, sobretudo no mundo dos negócios. Com o propósito de se tornarem cada vez mais independentes muitas delas têm decidido trilhar o caminho do empreendedorismo. Atualmente, o Brasil possui mais de 5 milhões de mulheres empreendedoras, número que cresce constantemente. E os negócios assumidos pelas mulheres têm dado tão certo que hoje elas são exemplos a serem seguidos, responsáveis por grandes cases de sucesso.

Para chegar onde estão, elas precisaram batalhar, se dedicar, enfrentar desafios e ter muito foco e entusiasmo. O jornal Gazeta Informativa aproveitou o Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 08 de março, para contar a história inspiradora de algumas mulheres que empreendem em São Mateus do Sul. Abaixo, você confere um pouquinho da história de Ângela, Rosane, Elouize, Gisele e Sheila, mulheres que deram um passo à frente e, hoje, são empresárias de sucesso, exemplos de dedicação e determinação.

Ângela Cabral Sakurai, proprietária da rede de supermercado Baratão

Ângela tem 43 anos, é casada, tem dois filhos e está concluindo o curso de Administração. Em janeiro, sua empresa completou 11 anos de história e já conta com cinco postos de vendas na cidade. Para ela, as dificuldades no mundo dos negócios são grandes. “Quando somos novos, achamos que sabemos tudo e queremos sair empreendendo, sem nos prepararmos adequadamente para o desafio. Quase fui a falência quando abri a minha empresa, mas foi correndo atrás da informação, fazendo cursos e mais cursos, que fui me capacitando para o negócio. A medida em que fui me especializando, o meu principal foco sempre foi ter uma empresa saudável, lucrativa e contextualizada na sociedade”, conta.

A primeira loja do Baratão, foi inaugurada em 2005, na vila Prohmann, com apenas 10 funcionários. Hoje, a empresa tem 110 colaboradores. “Eu fazia de tudo, comprava, atendia o cliente, repunha mercadoria na prateleira, era operadora de caixa, enfim. Cobrava o escanteio e cabeceava a bola. Os anos foram passando, continuei me especializando e a empresa foi crescendo”, conta.

Em 2010, adquiriu uma segunda loja localizada no centro da cidade. “Contrariando a vontade de muitos colaboradores que ‘temiam’ a concorrência com uma poderosa rede de mercados. Mas resolvi encarar o desafio porque acreditava muito em mim”.

Em 2015, em plena crise, a empresa estava preparada para crescer. “Queria investir mais. Então veio a oportunidade de expandir o negócio para mais três lojas, salto grande para a nossa empresa, mas devido à estruturação que a gente possuía, foi possível expandir e abraçar a gestão de todas as lojas. Com certeza, foi um dos maiores desafios da minha vida. Neste mês de fevereiro, estamos completando um ano de gestão nesta nova estrutura”.

Para Ângela, ser empresária neste ramo exige muita dedicação. Sua rotina é pesada, mas afirma que não deixa de fazer o que gosta. “Temos que abdicar um pouco da vida familiar, pois trabalhamos em torno de 10 horas por dia, sábados e as vezes domingos e feriados. Mas apesar da escassez de tempo, consegui construir uma linda família que amo muito”.

De acordo com Ângela, as características positivas da mulher empresária são muitas, mas a principal delas é a versatilidade — fazer bem, muitas coisas ao mesmo tempo. Seu maior desafio como empreendedora é: “fazer com que as pessoas que trabalham comigo, cresçam junto com a empresa, numa relação onde todos ganham. Na empresa, existe oportunidade de crescimento para todos. Me sinto extremamente motivada quando os meus colaboradores atingem as metas, ou quando atingem objetivos pessoais. Mas a principal alegria é constatar a confiança e gratidão que o colaborador deposita em mim”, destaca.

Para ela, a decepção acontece quando não consegue atender bem o cliente. “Quando acontece isso, tento enxergar as falhas dentro da organização, corrigir e aprender com os erros. Adoro ouvir o meu cliente, atender às suas necessidades e melhorar sempre mais”, completa.

Segundo Ângela, o Baratão tem planejamento para os próximos 10 anos. “Vamos crescer cada vez mais, com os pés no chão e muita fé em Deus”. Particularmente, ela acredita, que as mulheres são mais adaptadas para o comércio. “Elas são mais versáteis, perfeccionistas, perseverantes, exigentes e tolerantes. Quero parabenizar todas as mulheres empreendedoras de São Mateus do Sul, mulheres guerreiras, batalhadoras e incansáveis. Não importa qual seja seu sonho, dedique a ele muito do seu tempo e de seu pensamento, para dar o máximo a fim de vencer. Daí você chega lá”, finaliza.

Rosane Vernizze Arante Souza Batista, franqueada do Método Kumon Instituto de Educação

Rosane tem 45 anos, é casada e tem três filhos. Na sua escola Kumon, atua como orientadora e administradora. É formada em Administração de Empresas, e pós graduada em Marketing. Para ela, uma motivação em empreender todos os dias é amar o que faz. “Sem amor não há motivação”, destaca.

Ela acha ótimo as mulheres estarem cada vez mais presentes no mundo dos negócios. “Nós devemos participar mais e nos envolvermos mais nos negócios. Acredito muito no potencial das mulheres na capacidade de trabalho e na resiliência das mesmas. Nós mulheres conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo, todos sabem que uma pessoa com estas habilidades é essencial para o sucesso”, comenta.

Seu maior plano para o futuro é aumentar o número de alunos e fazer parte do Clube Ouro, clube das melhores orientadoras do Kumon América do Sul.

Antes de chegar ao topo, ela precisou enfrentar algumas dificuldades. “Tive dificuldade financeira, desafios para busca de informações e conhecimento. Mas creio que todas estas dificuldades são sanadas e esquecidas”, declara.

Rosane trabalhou em diversas empresas. Mas, foi na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Mateus do Sul, onde permaneceu durante 10 anos, que conseguiu aprender muita coisa, aprendizados esses que fizeram a diferença para a sua vida profissional. Em 2009, quando estava desempregada, surgiu a oportunidade de ser dona do próprio negócio. “Certo dia, no Kumon, após o retorno das férias do meu filho, na entrega do material. A orientadora me avisou que a unidade iria fechar. Eu fiquei muito chateada e inconformada. Perguntei a ela se havia alguém interessada em continuar com a escola. Foi neste momento que ela viu em mim a continuação para o Kumon em São Mateus do Sul”, conta.

Rosane acredita que o maior desafio como empreendedora é manter a qualidade do serviço e da equipe, para que os seus alunos tenham a melhor orientação. “Minha maior decepção como empreendedora, foi investir, apostar e acreditar em pessoas que traíram minha confiança, e a maior lição é ter sempre objetivos determinados, traçar metas e caminhos para poder atingi-los”.

Elouize Zene Staniszewski e Gisele Zene Staniszewski, proprietárias da loja Anônima, que atua no ramo de artigos femininos

Gisele (à esquerda) e Elouize (à direita).

Elouize, casada, 34 anos, formada em Administração, com Habilitação em Comércio Exterior, e pós graduada em ADM, teve o seu primeiro emprego aos 18 anos de idade, desde então, trabalhou em várias empresas na cidade. Mas desde criança ela e a sua irmã, Gisele Zene Staniszewski, casada, 33 anos, tinham um sonho, ser donas do próprio negócio, até que em 2006, o sonho se realizou, e juntamente com a sua irmã resolveram empreender, numa área ainda pouco explorada na cidade, e assim deste sonho nasceu a loja Anônima. A loja iniciou com acessórios femininos e lingeries e aos poucos foi crescendo e diversificando.

Nesse ano a loja está completando dez anos, e está consolidada com uma linha completa de lingeries dia e noite, sex shop, pijamas, moda fitness, moda praia e acessórios. Para Elouize, o dia-a-dia da vida de empreendedora, possui dificuldades e desafios. “Precisamos estar preparados para enfrentá-los. Uma das coisas que considero muito importante nessa caminhada é a busca de informações e conhecimento, através de cursos e palestras”, destaca.

Elouize acredita que o maior desafio que enfrentamos hoje é a economia do país, que está atravessando um momento difícil. “A economia brasileira vinha em um constante crescimento, e agora enfrenta uma das suas piores crises, e é nesse momento que precisamos de estratégias e conhecimento para nos mantermos no mercado e voltarmos a crescer”.

Para Elouize, as mulheres vem se destacando no mundo dos negócios e em outras áreas também pela determinação, persistência, coragem e vontade de vencer que possuem, aliado a isso o desejo de se tornarem independentes, desta forma as mulheres vem conquistando cada vez mais seu espaço.
Gisele evidencia que a Anônima é uma grande conquista. “É um sonho que a grande maioria das pessoas tem, que é ter seu próprio negócio. Gosto muito do que faço, adoro trabalhar com o nosso público, que é maioria feminino. É motivador vender produtos que você gosta de comprar, além de saber que as nossas mercadorias irão colaborar para o relacionamento dos casais”.

Segundo Gisele, a vontade de empreender existe desde a infância. “Quando éramos criança, eu e minha irmã sempre falávamos para nossa mãe que queríamos abrir uma loja. Crescemos, o sonho continuou, fomos amadurecendo-o, até que um dia saiu do pensamento e se concretizou”, conta.
Para as mulheres que desejam ser empreendedoras, Gisele aconselha buscar algo inovador, estudar bastante e conhecer muito bem o mercado que deseja entrar. “É importante ter bastante conhecimento antes de iniciar uma atividade para saber no que está ingressando. Não é fácil, é preciso ser perseverante, existem superações constantes, os desafios são muitos, mas é muito gratificante e prazeroso quando se tem amor pelo que faz. Acredito que, com amor e determinação tudo se torna mais fácil”.

Para Elouize e Gisele os planos para o futuro são a expansão dos negócios, inovando sempre, mantendo a qualidade dos produtos e atendimento, e satisfazendo as necessidades e expectativas de todos os clientes. “A mensagem que deixo para vocês é nunca desista dos seus sonhos, por mais difíceis que pareçam, se você possui um desejo, vá em busca dele, que com certeza com muito trabalho e esforço você alcançará o sucesso”, finaliza Elouize.

Sheila Kátia Smiguel Dacoregio, diretora do Centro de Desenvolvimento Intelectual (CDI) – Educação e Desenvolvimento

Sheila é casada, tem 33 anos e 2 filhos. Ela considera-se uma mulher empreendedora de sucesso. “Sinto o sucesso e o considero em minha vida e nos negócios. Eu gosto de empreender, então o faço com muita dedicação”, declara. Para ela, o grande desafio no mundo dos negócios, foi compreender que as dificuldades fazem parte, “que elas também pertencem ao crescimento e que é através delas que crescemos como pessoas e consequentemente como profissionais”, completa.

Seu primeiro emprego, aos 13 anos, foi em um salão de beleza, onde varria os cabelos, ajeitava o estabelecimento e também cuidava da filha da proprietária. Também foi babá de alguns primos e primas, o que rendia uma renda extra para pagar seus cursos de datilografia, informática, etc. Já dos 14 aos 16 anos trabalhou na produção da fábrica de móveis do seu pai, em São Bento do Sul (SC), também ajudava no escritório quando ele solicitava. Aos 17 anos casou, veio para São Mateus do Sul e juntamente com o seu marido, que tinha 19 anos, na época, resolveram empreender.

Seu marido, Edson Gislon Dacoregio, trabalhava na escola CDI, em 1999, quando o antigo dono ofereceu a escola. “Com as bênçãos e outros apoios muito mais que especiais dos pais, o negócio deu certo. Então, até hoje venho participando ativamente nas atividades da escola. Nós passamos por muitos momentos difíceis, mas todos foram superados”, comenta.

Quanto conciliar vida profissional e pessoal, Sheila afirma que é algo que precisa estar sempre atenta, para não deixar nenhum dos lados desprovidos, mas em geral é tranquilo.

Sua maior lição como empreendedora foi perceber que precisa estar profundamente conectada com o propósito da empresa. “Que empresa sem propósito não prospera. Que eu sirvo a empresa e aí ela prospera. Meu planos para o futuro é continuar servindo, buscar um tanto mais de conhecimento e inovar dentro daquilo que já fazemos. Quero ‘crescer para dentro’ como diz uma de minhas professoras, Olinda Guedes”, finaliza.

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