Prismas

Dignidade

(Imagem Ilustrativa)

Escrevo este texto no primeiro dia de campanha dos presidenciáveis no rádio e TV. Pelo que pude ver e ouvir até aqui, nada mudou nos discursos dos candidatos ao longo das últimas campanhas. O mesmo tem acontecido nas entrevistas e debates em que eles participam.

Não há propostas concretas, o discurso é genérico. Ninguém parece falar em construir, reconstruir, como fazer. O discurso não parece honesto. Desqualificar os adversários é a estratégica predominante, não a de apresentar propostas.

Imagino que muitos brasileiros têm, como eu, dificuldade em escolher e acreditar em algum dos candidatos, pois da forma que tudo tem sido conduzido, nos propõe escolher o candidato menos ruim.

Neste mesmo dia assisti a um documentário, conduzido pelo repórter Murilo Salviano, onde ele buscou mostrar um pouco da realidade brasileira percorrendo todos os 4.772,4 Km da BR-101, desde São José do Norte no Rio Grande do Sul até Touros, no Rio Grande do Norte, passando pela maior parte da costa brasileira.

É sabido que a colonização do Brasil se iniciou pelo litoral, na Região Nordeste, há mais de 518 anos. Há pouco mais de 50 anos foi inaugurado o primeiro trecho da BR-101, justamente entre Paraná e Santa Catarina.

Nesses mais de quinhentos anos, era de se esperar que esta faixa do território fosse a mais desenvolvida, onde a população apresentasse uma boa qualidade de vida. Isto acontece em alguns pontos do litoral, mas a pobreza está muito presente na vida de muitos dos brasileiros que nestes pontos residem. Nada diferente do que é encontrado quando nos afastamos da região atlântica, em direção ao interior do país.

O repórter declarou que imaginava que conseguiria definir um perfil do brasileiro ao final da viagem. Algo impossível, segundo ele, dadas as diferenças encontradas ao longo do caminho. Salviano, que é de Brasília, disse que sabia da distância existente entre Brasília e o resto do País, mas constatou que na realidade há um abismo entre o poder de Brasília e o povo brasileiro.

Creio eu, que fora do período eleitoral, o único modo de encontrar um político na faixa litorânea seja em algum dos grandes resorts instalados em locais paradisíacos, cercados pela pobreza dos moradores locais.

Assistindo ao programa, que mostrou muita gente simples, porém trabalhadora, e esforçada concluo que o brasileiro não espera de seus governantes nada de graça, não precisa de um novo bolsa-qualquer-coisa. O que este povo precisa é de oportunidades para trabalhar, estudar, progredir. Não é só do assistencialismo que precisamos. Queremos um plano e ações que nos deem estrutura para o crescimento, para o fortalecimento da nação.

Em certo trecho da viagem, o repórter perguntou a um pescador, pai de uma Aluna Nota 10 e poeta, homem que ganhava menos que um salário mínimo para o sustento da família, se ele achava que podia viver ali com dignidade.

Ele disse num bom português, que sentia muito em não poder responder, pois desconhecia o significado da palavra.

Dignidade: talvez seja isso o que de melhor um governante possa apresentar e oferecer ao povo que representa.

Adnelson Borges de Campos
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