(Imagem Ilustrativa)

Você já percebeu como tem aumentado o número de empresas que oferecem cashback (dinheiro de volta)? Até pouco tempo tínhamos muitos programas do tipo “milhagem” ou programas de pontos, onde compras em empresas parceiras acumulam pontos que depois podem ser trocados por produtos ou serviços. Depois do sucesso no mercado americano, já há mais de vinte anos, chegou ao Brasil e tem aumentado o número de consumidores que aderem aos programas de cashback.

Quando as empresas criam um programa de cashback ou formam parcerias para tal, buscam, entre outros objetivos, melhorar a fidelização de clientes e divulgar suas marcas.

Conseguem aproveitar melhor algumas vantagens desses programas as pessoas mais bem informadas, que têm acesso a crédito e poder aquisitivo para fazer suas compras.

É certo que negociar faz parte da natureza humana desde os primórdios. Há povos em que o vendedor não realiza o negócio sem que seu cliente negocie. Faz parte das tradições, como por exemplo em vários países onde a religião predominante é a muçulmana, onde a negociação vem sendo praticada, mesmo pelos comerciantes mais simples, desde a época das caravanas e das trocas comerciais. Para muitos deles, não negociar é desrespeitoso.

Lembro do que dizia minha tia mais velha, que procurava chegar logo cedo na Loja Gabriel Nemes em União da Vitória. Era preciso chegar cedo para uma boa negociação, pois, segundo a crença do proprietário, não vender ao primeiro cliente não gerava boa sorte no dia de vendas.

Como negociar é importante, muitas empresas desenvolveram treinamentos para que empresas, instituições, organizações e governos preparem seus colaboradores nestes processos. Só que no caso dos programas de cashback, este processo não existe, na maioria dos estabelecimentos. Ou você adere ao programa de dinheiro de volta ou paga o preço cheio, paga mais caro.

Muitos perguntam: quem ganha num programa de cashback? Você que adere, até tem a ilusão de que ganhou, afinal, depois de algum tempo o dinheiro volta para sua conta.

Na realidade, quem mais ganha facilmente é a empresa que administra o programa, a instituição intermediária, que atua no mercado financeiro. Infelizmente é assim, num mundo capitalista, ganha fácil quem já tem ou administra muito dinheiro.

Você, quando se filia a um programa desses, quando compra, repassa parte do seu dinheiro para um terceiro, que durante o tempo em que fica de posse dele, faz investimentos, lucra e depois devolve o dinheiro, que é seu, sem o pagamento de qualquer tipo de remuneração. Melhor, nem devolve o dinheiro, pois você só pode, na maioria das vezes, usá-lo comprando outro produto ou serviço.

Mas você que se filia a um programa de cashback ainda recebe o seu próprio dinheiro, mas, geralmente, as pessoas de menor poder aquisitivo, menos esclarecidas e ainda alguns que têm dificuldade em obter crédito, simplesmente perdem esta parcela, pois a menos que ainda tenham algum poder de negociação e consigam com o lojista ou prestador de serviço um desconto, nunca mais verão a cor de parcela do seu próprio dinheiro. Afinal, o custo real da mercadoria é, em teoria, o preço pago, menos a parcela oferecida como cashback.

Outra coisa que me deixa um tanto aborrecido é quando tento adquirir algo e o vendedor não me apresenta o melhor preço de venda possível, mesmo que você se veja obrigado a negociar. Não há nada pior que sair de um processo de aquisição com a sensação de que foi enganado ou explorado. Você voltaria a comprar em um estabelecimento depois de descobrir que o preço que pagou não era o justo?

Voltando a falar em processos de negociação, o melhor resultado é quando todos ganham, todos saem satisfeitos. É tudo uma questão de respeito e a respeitabilidade é a melhor forma de fidelizar clientes.

Adnelson Borges de Campos
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