(Imagem Ilustrativa)

Quando analisado o termo “dispersão” podemos pensar em muitas coisas. Na química, está relacionado às misturas em geral. Por exemplo, uma mistura de água e sal é um tipo de dispersão.

Na botânica, está relacionada à disseminação de sementes, que pode ser feita pelo vento, ou por pássaros, por exemplo.

Na matemática/estatística, medidas de dispersão são utilizadas para indicar o grau de variação dos elementos de um conjunto numérico em relação à sua média. Por exemplo: amplitude, desvio, variância e desvio padrão.

Já para a física/ótica, a dispersão é definida como sendo a separação da luz em vários componentes espectrais, com diferentes frequências.

E na economia, o que pode significar dispersão? É um novo conceito, mas é provável que afete significativamente a parte mais sensível de nosso corpo: o bolso. Então, os indivíduos, as organizações e governos precisam estar atentos à mudança.

Para o escritor e professor de Marketing da Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York, Scott Galloway, estamos no limiar da terceira grande mudança da economia moderna. Para ele, a “dispersão” é a sequência da globalização e da digitalização.

Com a pandemia, aceleramos o processo de digitalização, globalmente. E este processo de digitalização acentuou a diferença entre pobres e ricos.

No processo de dispersão, podemos transformar os meios de distribuição de produtos e serviços, eliminando etapas da cadeia de fornecimento. O fornecedor aumenta sua margem de lucro e o usuário recebe o que comprou com menor interferência ou com menor preço.

São exemplos o uso de streaming em substituição aos cinemas e as videoconferências no lugar das reuniões presenciais. Imagine no primeiro caso, do streaming: você vai ao shopping, paga o estacionamento, compra a pipoca e o refrigerante (com preço elevado) e ocupa a sala da empresa que projeta o filme. Imaginem quantas pessoas trabalham e o custo envolvido neste processo. Parece vantajoso, não é? Mas, se por um lado o custo é menor, por outro, quantos empregos podem deixar de existir, quantos materiais e equipamentos vão deixar de ser comprados. Sem falar dos efeitos sobre a socialização, pois há redução na interação das pessoas.

Agora imaginem que isto também está acontecendo com a medicina, na telemedicina. Ocorre nos escritórios com o home-office. Com a hotelaria e o Airbnb. Com os táxis e o Urbe.

Muito embora os alunos ainda não tenham se adaptado totalmente, a educação é outro exemplo. A tendência é que para cursos especializados os treinamentos à distância cresçam cada vez mais. Quando a língua não for mais a barreira, esta opção vai se agigantar, globalmente.

As novas opções de mídia estão impactando as contas das empresas com canais de marketing convencionais. Com baixo custo, usando redes sociais, se atinge um maior número de pessoas com custos infinitamente menores que os das grandes redes de televisão, por exemplo.

Os bancos também sofrem com os canais alternativos de pagamento, que oferecem maiores vantagens para os usuários.

Na linha dos problemas causados, a dispersão tende a aumentar a segregação, pois minimizará o contato entre pessoas diferentes. Quando não há esse contato fica mais difícil a empatia e a sensibilização quanto aos problemas da sociedade, aumenta-se os ressentimentos.

Outro ponto é o maior crescimento das grandes corporações. Quatro delas juntas já são maiores que a economia de algumas das maiores nações do mundo. Assim, concentra-se a renda.

Ainda há muito a descobrir e falar sobre a dispersão na economia. Hoje paramos por aqui, mas é preciso continuar pensando a respeito, sob pena de termos um mundo sem educação, sem trabalho, sem dinheiro e sem relacionamentos afetivos. Isto tudo cria um ambiente favorável ao aumento dos males, incluindo ainda mais violência em nossas vidas.

Adnelson Borges de Campos
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