(Imagem Ilustrativa)

Quando ainda muito pequenos, aprendemos na escola a usar as quatro operações básicas: adição, subtração, multiplicação e divisão.

Com certeza, a divisão é a mais difícil de se aprender, pois quando se divide, há várias formas de tratar o resultado dessa divisão e seu resto.

Uma operação matemática é algo lógico, exato. Então, sempre pegamos um certo número e dividimos por um outro número maior do que 1 (divisor), o quociente sempre será um número menor que o dividendo. O mesmo acontece com o resto. O pior é que se pode continuar uma divisão infinitamente e são várias as possibilidades de representação desse resultado.

Mas não é de matemática que quero falar, e a lógica também não consegue explicar o que acontece quando pregamos e efetuamos a divisão em nossa sociedade.

Se sempre o resultado de uma divisão é algo menor, por que insistimos em dividir?

Se as minorias são sempre excluídas ou marginalizadas, por que não tentamos nos tratar como uma parte do todo, integrado, não dividido?

Também não gostamos de ser rotulados, mas nos esforçamos para nos autorrotular, para sermos diferenciados do todo. Pregamos que classes ou castas fazem mal para a sociedade, mas insistimos em escolher ou criar grupos para nos representar. É importante o senso de pertencimento, mas não o de distanciamento.

No dicionário, há vários significados e linhas para se definir e associar a palavra “divisão”, mas parece que aquela que mais usamos é a de falta de acordo, discórdia, dissensão.

Nesta semana, por exemplo, vi um post do lançamento de um livro chamado “Contra o feminismo branco”. Acredito que o pensamento da autora seja o de que o feminismo deva incluir a defesa dos direitos das mulheres das diversas raças (vejam que nós criamos essa segmentação, uma divisão), de igualdade, mas muito provavelmente alguns pregarão mais uma divisão (não é esta a proposta da autora) a do feminismo branco e a do feminismo não branco, já que um feminismo único não conseguiu, até então, representar a unicidade.

Temos uma necessidade insaciável por fazer parte de um grupo opositor. É bom que pensemos diferente, mas seria muito mais sensato buscar o que temos em comum e com isso conseguir meios de união, de integração, resultados bons para todos. O todo é mais forte, a natureza nos mostra isto.

Quando falamos de uma associação, de uma comunidade, de um país, de uma nação ou quando pensamos no nosso planeta como um todo, precisamos escolher, pautar nossas ações para o bem comum. A Terra gira em torno do Sol, nossa estrela gira em torno do centro da galáxia, que por sua vez executa seu movimento ordenado no Universo. Nada gira ou se move, exclusivamente em torno de nossos pensamentos individuais ou de determinado grupo.

Tudo está entrelaçado, interligado. Se fazemos algo bom, todos ganham. Se não, todos perdem, inclusive quem comete uma maldade, uma arbitrariedade, faz algo errado, por exemplo, pois mesmo que não admitamos, todos somos parte de algo maior. Ainda será necessário muito mais tempo para a nossa evolução, para que compreendamos nossa verdadeira missão neste planeta.

Enquanto isso, precisamos aprender a minimizar os efeitos do divisionismo. Precisamos olhar para cima, para baixo, para todos os lados. Respeito, humildade, empatia são essenciais.

Usando mais uma vez a analogia da matemática, depois de dividido um número ou todo tantas vezes, é mais difícil encontrar um multiplicador, um unificador comum, mas precisamos muito dele ou deles para voltamos a nos compreender como um todo.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Muros
Imagine
“Em Educação, não avançar já é retroceder”