Máquina do Tempo

Do Iguaçu para o Nilo: a erva-mate em terras faraônicas

(Imagem Ilustrativa)

Já diz o ditado, o historiador, antes de mais nada, precisa ser um eterno curioso. Pois é a curiosidade que nos impulsiona a desvendar o passado. Contudo, seria pretensão (e das grandes) achar que temos acesso ao passado por completo, quando o que conseguimos, são fragmentos dele. Portanto, chamamos esses fragmentos de fontes. Fontes documentais, oficiais ou não, cultura material, objetos, sítios arqueológicos, inscrições, iconografia, relatos orais, enfim, hoje lidamos com uma gama de fontes para interpretar o passado. Numa dessas minhas andanças pelas bibliotecas e museus da vida, pois historiador que se preze já diz o ditado também, é rato de biblioteca e acervo de museu, encontrei algo que particularmente, me chamou a atenção.

(Foto: Acervo Biblioteca Museu Paranaense)

Envolvida num projeto do Instituto Histórico e Geográfico de nossa cidade, junto a colegas, fui a biblioteca do Museu Paranaense em Curitiba para realizar uma pesquisa bibliográfica. Em meio a papelada amarela cheirando a naftalina (adoro), encontrei um catálogo que demonstrava possíveis locais de comercialização e consumo da erva-mate. O catálogo datava do período do chamado “Ciclo de Ouro” da erva-mate, período o qual a erva-mate foi considerada o “ouro verde” do Estado do Paraná, pois era a responsável por 70% das exportações paranaenses, por conseguinte, era a base da economia estadual. Esse período ocorreu entre 1830 e 1930, e o documento que encontrei (foto) apontava países na Europa Central como a Áustria, na Península Ibérica como a Espanha, e no Reino Unido como a Grã-Bretanha. Mas de todos, o que mais me chamou a atenção, foi o Egito- na grafia em inglês Egypto- sim no Egito, terra das pirâmides e dos antigos faraós, localizado no continente africano e culturalmente árabe desde a Idade Média. Porém, nos idos dos séculos XIX e XX, a erva-mate ainda não era conhecida por lá, contudo, o catálogo indica a boa receptividade do produto no mercado egípcio na seguinte frase “não há consumo, mas oferece possibilidades”. Ou seja, a galera por lá estava afim de fumar um narguile e tomar um chimarrão nas rodinhas de fim de tarde (risos).
Economicamente, isso explicita como nesse intervalo de 100 anos, de fato, a erva-mate foi o ouro paranaense. Pois nós fomos os maiores produtores e exportadores desse produto no mundo. Além disso, demonstra também, o intercâmbio cultural e a difusão da cultura paranaense pelo mundo afora. Imaginei-me agora, tomando um mate com erva paranaense, sentada encima da corcunda de um camelo, avistando as pirâmides! Quem sabe quando eu for para lá, eu saia em busca de erva-mate nos milenares mercados árabes?! Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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