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Do Vapor Peri ao Rancho: mais de duas décadas de parceria

Os Rancheiros em seu encontro mensal. Em pé da esquerda para direita: Juliano Ferreira de Lima, Altair José Simões, João Francisco Ferreira, Cléver Okonoski, Nádio Faresso, Osni Z., João Pedro Ferreira de Lima, Alessandro Dal Negro, Bernardo, Giovani Paolin Zeni, Luis Rodrigues e Wilson García. Agachados da esquerda para direita: Junior Petkowicz, João Pinheiro Bonfim, Guilherme Pacheco e Fernando Silva Pacheco. (Foto: Luis Fernando M. Juraski/Gazeta Informativa)

Grupo que foi fundado no verão de 1991, trás exemplo de coletividade ao decorrer dos anos. Alguns membros já se foram, mas seus legados e as histórias transcendem a passagem do tempo e as tradições continuam por aqueles que ainda permanecem entre nós.

O que acontece quando junta-se 12 amigos em uma chácara, a beira do rio com muita conversa e peixe fresco? Fundam-se os Rancheiros, um grupo que tem como principal objetivo sempre estar com o companheiro, seja comendo, bebendo ou na calma de uma pescaria. As posses e bens materiais não são nada importantes para esse clube que quer apenas estar junto e se divertir.

Tudo começou simples, no barranco do rio; onde todas as sextas-feiras o grupo de amigos se reunia para jantar. “Sempre na sexta, a gente fazia a janta, e chamávamos os amigos para virem, foi assim, do nada”, comenta Nádio Maltauro Flaresso, um dos membros fundadores.

Cada pessoa levava algo pra contribuir com a janta, mas depois de um tempo resolveu-se buscar uma maior organização: as jantas passaram a acontecer a cada 15 dias, com dois membros responsáveis que compravam a bebida e a comida, e que deveriam eles mesmos cozinhar para os companheiros.

O nome do grupo não tem nenhum segredo. “A gente sempre fazia em rancho: começou com o do Pedro Lim, em segundo no do Nádio, depois do Almir e também no meu quando eu construí, por isso somos os Rancheiros”, diz Wilson García, dono do Rancho Samas.

João Francisco Ferreira, sua esposa Rosalia Chyla e seu filho presidente de honra, Alexandre José Chyla Ferreira. (Foto: Luis Fernando M. Juraski/Gazeta Informativa)

Dentre todos os 12 membros fundadores, apenas quatro ainda estão no clube: João Pedro Ferreira de Lima, Wilson Garcia, Nádio Maltauro Flaresso e Fernando Silva Pacheco; e eles relembram com muito carinho os membros que ajudaram na criação do grupo. Um dos mais marcantes foi Alfonso Kruschinski, que trabalhou em um dos nossos símbolos são-mateuenses, o Vapor Peri. “Quando chegava a vez dele, a gente sabia que ia ter charque a vapor”, diz Wilson. “E ele que fazia o charque, acho que era o único que tinha tradição na comida”, completa Nádio. Os quatro também relembram com muitas saudades outros membros já falecidos, como Edi e Cará. “O Cará era o nosso gaiteiro, sempre estava animado, esse entrou para a história”, nos conta Wilson.

Com o passar dos anos, muita coisa mudou nos Rancheiros, com um número máximo de 18 membros, os encontros passaram a serem realizados uma vez por mês. Em 2007, o grupo deu outro grande passo e criou uma diretoria. O presidente, João Francisco Ferreira, possui o cargo mais importante dentro da mesa diretora, tem como função tomar certas decisões, organizar jantares e acima de tudo manter a união entre todos. Além disso, Alexandre José Chyla Ferreira de 24 anos que possui necessidades especiais, filho do presidente, é considerado por todos como “Presidente de Honra”, por estar participando junto ao pai desde criança.

As maiores decisões são realizadas através de votos, assim como a escolha de um novo membro que se dá depois de um desligamento dentro do grupo; a única maneira de ingressar dentro do clube é através de indicação por parte de outro participante. O grupo também possui seu uniforme, nada extravagante: camisa branca com o símbolo da rã do lado esquerdo do peito, trazendo um jogo de palavras com o nome do clube. No final do ano sempre é realizada uma grande festa para as famílias dos membros do clube, a chamada “Festiva”.

A amizade realmente é o principal objetivo do grupo, os Rancheiros não possuem nenhum tipo de quadro de regras, mas evitam certos assuntos e atividades como: jogos de baralho e discussões de futebol e sobre religião, tudo para evitar qualquer briga que possa dar dano aos princípios do clube, princípios que vem desde sua criação, onde o único pensamento era de compartilhar bons momentos juntos. “Todo muito tem uma opinião diferente, já da problema”, comenta Fernando.

O futuro do clube parece estar bem encaminhado, e já existem projetos que serão discutidos: “Queremos criar um estatuto e temos o sonho de construirmos a nossa própria sede, onde vamos voltar com todas as antigas tradições”, diz Nádio, afirmando que até a tradição dos Rancheiros cozinharem deve voltar. Depois de 26 anos, o que não falta são histórias, que vão de carros e caminhões atolados nas estradas difíceis do interior, até declarações de amor e muito choro pela mulher amada. “Uma vez fiquei mexendo a polenta por uma hora, só depois percebi que não tinha colocado lenha no fogão”, conta Fernando, em meio a risadas de outros participantes.

E se não souber cozinhar? “Lava louça”, comenta João Pedro rindo. Além de risos, conversas e comida, o grupo trata da celebração da vida, repassada em gerações, que até podem não ser de sangue, mas tem um sentimento de proximidade muito grande. “Os Rancheiros se trata de amizade, de estar junto”, diz Luis Rodrigues, um dos membros mais novos do clube. Seja à beira da água do rio, em um rancho ou em qualquer outro lugar; quando eles estão juntos, o sobrenome que os divide simplesmente some, e os faz se tornarem uma família: os Rancheiros.

Um dos primeiros ranchos utilizados pelos amigos, na década de 90. (Foto: Arquivo Pessoal)

Luis Fernando M. Juraski
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