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Doação em vida: são-mateuenses comemoram o sucesso de 3 anos de transplante renal

Silmar Burdzinski e Marcos Antonio Sebem após 3 anos do transplante. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Tudo começou quando Marcos Antonio Sebem aos 33 anos, sentiu fortes dores nas costas, pernas, cabeça e enjoos. Em um aniversário, o bloqueio e sangramento nos ouvidos, fizeram com que Marcos ficasse 3 dias sem escutar nada. “Até então eu achava que estava machucado por conta das dores nas costas, depois disso, minha pressão subiu e fez com que acontecesse esse problema na minha audição. Nunca passou pela minha cabeça que seria por conta dos meus rins”, afirma Marcos.

Após passar pelo plantão médico e exames para diagnosticar o problema, o empresário são-mateuense procurou um especialista na área, para conseguir um tratamento que diminuísse o desconforto que por ele era sentido, e que a princípio, imaginava que não era nada tão complexo para ser tratado.

“Depois que o médico viu os meus exames e disse que o meu problema não tinha cura, eu fiquei sem chão. Ir 3 vezes por semana, ficar 4 horas fazendo hemodiálise porque meus dois rins não estavam funcionando, me fazem lembrar desse dia até hoje”, ressalta.

Os rins são dois órgãos localizados na parte de trás do abdômen, que são a força matriz do sistema urinário, e funcionam como dois filtros altamente seletivos responsáveis por limpar o sangue das impurezas do corpo. Mas, além dessa função vital de eliminar substâncias tóxicas do organismo, os rins também desempenham muitas outras funções e, devido ao fato de passar pelo sistema renal todos os líquidos corporais, seu bom ou mau desempenho pode afetar, sem exceção, todos os demais órgãos e sistemas do organismo.

Quando os rins deixam de funcionar, a hemodiálise surge como uma opção de tratamento que permite remover as toxinas e o excesso de água do organismo. Nesta técnica depurativa (designada para a limpeza do organismo), uma membrana artificial é o elemento principal de um dispositivo dialisador, conhecido por “rim artificial”.

Procurando por mais médicos especialistas, Marcos foi até o hospital Angelina Caron em Campina Grande do Sul, cidade metropolitana de Curitiba, e encontrou o profissional em Nefrologia (ramo da medicina que se dedica a estudos da fisiologia e problemas nos rins) Dr. Carlos Gustavo Marmanillo, que lhe apresentou a possível esperança que para Marcos era de extrema importância: um transplante. Mas para esse processo que exigia ainda mais procedimentos, a hemodiálise serviu como “válvula de escape” para manter o organismo do paciente funcionando enquanto a procura por um doador compatível era feita.

Pai, mãe, irmãos, esposa, filhos e familiares fizeram exames para ver a compatibilidade com Marcos, e os resultados negativos começaram a deixar a esperança um pouco abalada. “Eu não queria pedir para ninguém. Como é que vou chegar e falar para alguém me doar um rim? A minha situação era complicada e eu me sentia mal com tudo isso”, diz.

Até que em uma das idas para a realização da hemodiálise, o então cunhado na época, Silmar Burdzinski, disse para Marcos que doaria seu rim para ele. “Olhei e fiquei pensando que nunca daria certo”, assume Marcos.

Silmar, hoje com 42 anos, resolveu ser doador de órgãos no ano de 1999 com o término da sua carteira de motorista. “Na realidade esse ato eu tive, pensando em ajudar alguém lá na frente. Por que não doar? Se você estiver com uma boa saúde e alguém precisar de um órgão seu para continuar lutando pela vida, ele pode ser doado sim”, afirma.

Esperando a família de Marcos realizar os exames de compatibilidade, Silmar resolve fazer o exame e descobre que pode ser o doador tão esperado. Vários exames são realizados para se certificar que o doador apresenta rins com bom funcionamento e que não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor. Silmar fez todos esses procedimentos, com mais de 50 exames, e os resultados foram os melhores possíveis.

Após a longa tramitação com exames e liberação judicial pelo fato do doador não ser parente de sangue do receptor (a liberação judicial é de extrema importância em casos como este, pois garante a confirmação de que o órgão doado não faz parte de um mercado de órgãos), o caminho para a doação é pausado: os rins de Marcos que antes estavam com falência de 13%, voltam a funcionar em 45%, o que fez com que os médicos parassem com as sessões de hemodiálise, e o transplante se tornou opção em caso de extrema necessidade.

Essa tranquilidade durou 3 anos, e após os sintomas voltarem, a confirmação da falência dos rins fez com que Silmar e Marcos voltassem a realizar novamente todos os exames para o transplante. Além disso, a alimentação controlada pelo doador foi monitorada 6 meses por uma cartilha de dieta que apresentava restrições para garantir uma melhor vitalidade do órgão.

E no dia 19 de setembro de 2014, os dois são-mateuenses entraram no centro cirúrgico para a realização do transplante. No transplante renal, um rim saudável de uma pessoa viva ou falecida é doado a um paciente portador de insuficiência renal crônica avançada. Através de uma cirurgia, esse rim é implantado no paciente e passa a exercer as funções de filtração e eliminação de líquidos e toxinas.

Procedimento realizado no transplante renal.
(Foto: Divulgação)

Seus próprios rins permanecem onde eles estão, como é o caso de Marcos e que é ilustrado pela imagem ao lado, eles só são retirados caso estejam causando infecção ou hipertensão.

Hoje, após 3 anos do transplante e com 42 anos, Marcos vive uma vida normal, mas frequentando periodicamente o médico para exames que verificam se o rim está em pleno funcionamento. Silmar também vive uma vida normal, livre de impedimentos.

“Na verdade, sempre me veio na memória os filhos do Marcos. O maior prêmio é a felicidade deles após a recuperação do pai. Sempre incentivo as pessoas a se tornarem doadoras. Doem, pois você estará ajudando mais uma família”, se emociona Silmar.

“Se não fosse a doação do Silmar hoje eu estaria fazendo hemodiálise ainda, ou nem estaria mais aqui. Trazemos muitas lembranças das pessoas que estavam no hospital doentes, de jovens a idosos que fizeram com que repensássemos em nossa vida. Pelo o que eu passei eu peço para que as pessoas se tornem mais conscientes e sejam doadoras de órgãos, e principalmente, que esse cuidado se estenda para a liberação dos órgãos dos entes queridos que acabam falecendo”, incentiva Marcos.

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