Transporte rápido e eficiente dos órgãos garante sucesso. (Foto: Ministério da Saúde)

A pandemia que estamos vivendo preocupa a grande maioria das pessoas pela sua letalidade e alto poder de contaminação. Também provocou um colapso em termos de internamentos, seja para tratamento da Covid-19 ou nas UTIs, para os casos mais graves. Mas há outros milhares de brasileiros que estão sendo penalizados duas vezes com essa pandemia: o grupo de pessoas que esperam por transplante de órgãos.

Segundo levantamento da ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos – revelou-se, em 2020, que os números de transplantes caíram e, em função disso, a taxa de mortalidade para aquelas pessoas que estão na fila de espera aumentou em até 30%. Os números de pessoas que estão na fila de aguardando um transplante é de cerca de 43 mil pessoas, pois o número de doadores diminuiu assustadoramente durante o período de pandemia.

Pelos dados do Registro Brasileiro de Transplantes, que regula as doações e transplantes, em 2020 as doações de córneas caíram em mais de 50%, em relação a 2019, sendo esta a mais simples e comum. No grupo de doações dos órgãos, a maior queda foi a doação de pulmão, depois: rim, coração e fígado. Desde 2020, o transplante mais realizado com doador vivo, o de rim, está suspenso, devido a pandemia, e isso fez com que o número de transplantes renais, entre vivos, voltar ao menor patamar dos últimos 36 anos.

Equipe e equipamentos eficientes para retirada e aproveitamento dos órgãos. (Foto: Sturti)

A ABTO está estudando novas abordagens, junto às famílias de doadores, visto que em 2020 mais da metade dos familiares disseram “não” a doação de órgãos. Se faz necessário uma mudança nessa situação. A legislação atual só permite a captação de órgãos se tiver a autorização da família, mesmo que o doador deixe registrado a sua decisão de doar algum ou todos os órgãos. Além disso, é preciso lembrar que o doador tem que ter tido o resultado negativo para coronavírus.

A doação de medula óssea também diminuiu, apesar de ser um procedimento que não envolve cirurgia. Ainda assim, caiu mais de 20% em 2020 – em relação a 2019. O Brasil, em 2019, tinha conquistado o posto de terceiro maior banco de doadores do mundo, com mais de 5 milhões de pessoas cadastradas no Redome – Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Com as dificuldades que a pandemia gerou, outro problema surge para o Redome, que é quanto aos dados atualizados dos candidatos a doadores, vários mudam de endereço ou telefone e não atualizam. Nisso, aparecem possibilidades de doações e os doadores não são localizados.

Doações de sangue

Não apenas as doações de órgãos reduziram, mas também as doações de sangue, com os bancos de todo o país trabalhando com estoques em níveis críticos. Em vários estados brasileiros, os bancos de sangue trabalham com apenas 40% do necessário. Apesar das cirurgias eletivas terem diminuído na pandemia, para dar lugar nos hospitais públicos as internações de casos de Covid-19, ainda assim muitos pacientes oncológicos e que precisam de transfusões regulares e mesmo aquelas cirurgias de emergência, por conta dos acidentes, necessitam de sangue e correm riscos pela falta de doadores.

Paraná possui eficiência serviços de aeronaves para transporte de órgãos. (Foto: Agência Estadual de Notícias)

Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, que pese mais de 50 quilos pode se doadora. Nos hemocentros e locais de doação, pode ser agendado horário para doação e com garantia do distanciamento e cuidados totais contra o Covid-19.

O Paraná, até 2019, era considerado o estado líder em doações de órgãos, pela solidariedade dos paraenses e pela estrutura existente para esse fim, com o Sistema Estadual de Transplantes ligado a Secretaria da Saúde, que conta com apoio de ambulâncias e várias aeronaves à disposição, com o objetivo de reduzir ao máximo o tempo de espera para realizar o transplante. Uma única pessoa doadora, é capaz de salvar até 10 vidas. Por isso, é fundamental deixar esse desejo bem claro junto aos familiares: um ato final de amor ao próximo.

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