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Doces, uma paixão sem fim

Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa

Até o fim do mês de maio, publicaremos uma série de reportagens especiais sobre o Dia das Mães, comemorado sempre no segundo domingo do mês de maio, que neste ano a celebração acontece dia 14. Para dar início a nossa série, intitulada como “Mãe: sinônimo de força, amor e fé”, trazemos a linda história de uma das mais famosas doceiras de São Mateus do Sul e região, Lili Cauca Padilha, a popular dona Lili dos docinhos.

Provavelmente, a maior parte dos são-mateuenses e região do Vale do Iguaçu conhece quem é a Lili e, a base da história de seus deliciosos docinhos, mas por trás de uma história recente de sucesso e fama, existe um passado conhecido por poucos e que contaremos a partir de agora. São-mateuense, da localidade de Tesoura, casou-se jovem com um conterrâneo da região de Cambará, localidade vizinha, Pedro de Freitas Padilha. Um casal apaixonado que trouxe ao mundo quatro lindos filhos, Rosane, Rosangela, Rosemari e Rodrigo. Uma família unida que sempre se solidificou à base da fé e perseverança.

Pedro trabalhava em uma empresa que construía asfaltos e rodava por várias cidades a fim de sustentar sua família, que sempre o acompanhava em meio a tantas mudanças, cerca de um ano em meio em cada localidade, mas fosse Curitiba, Palmeira, Ponta Grossa, União da Vitória, lá estava a Lili, esposa companheira e base da estrutura familiar e como ela mesma diz: “Eu adorava as mudanças, conhecia novas pessoas e fazia novas amizades.” Todas as mudanças fizeram com que cada filho nascesse em uma cidade diferente. Mesmo na simplicidade, a família nunca perdeu seus valores. “Minha primeira filha não teve um berço, dormia em uma caixa de papelão e a seguinte em uma caixa de madeira”, afirma emocionada Lili.

O salário de Pedro, sustentava toda a família, mas Lili sempre colaborou, lavando roupas para fora e cozinhando marmitas ou sortidos como ela mesma relata, para ajudar nas despesas de casa e no sustento das crianças. “O sonho do Pedro sempre foi deixar uma casa para a família, pois sempre pagávamos aluguel. Então nosso sonho foi realizado quando ele se aposentou”, comenta Lili. A atual residência da família foi construída ao longo de anos com o salário do pai que mesmo aposentado não deixará de trabalhar.

A família Cauca Padilha, teve uma guinada muito triste em 1994, quando o pai Pedro, foi subitamente envolvido por um câncer de intestino que o assolou e mudou o rumo da história desta família. Em maio do mesmo ano, lembrado por muitos pelo título da seleção brasileira de futebol regida por Mário Lobo Zagalo, a família sofria o luto da perca de seu genitor. No dia 16 de maio de 1994, aniversário de Lili, mais de 30 pessoas, dentre amigos e familiares estavam unidos apoiando a família na casa de Pedro, tendo em vista a ausência de vagas no hospital do município. “Na virada do dia, 15 minutos após o dia de meu aniversário, ele nos deixou”, conta Lili.

Desde então, a família teve de se unir ainda mais e encarar a dura realidade, a ausência do Pedro. O mundo havia desabado nas costas de Lili, mas mesmo assim, com sua vida virada de cabeça para baixo, não mediu esforços e seguiu em frente, criou seus filhos, um deles com necessidade especial, e encarou cada situação, financeira ou sentimental de forma brilhante e envolvente.

“Todos os dias eu rezava o terço. Certo dia pensei em parar! Pois Nossa Senhora não estava nem aí pra mim! No outro dia, mesmo assim, resolvi rezar e de forma que não sei explicar uma voz me disse ‘Calma Lili, isso vai passar. O sacrifício santifica a pessoa’ e aquilo, fato que lembro até hoje, me deu uma alegria tão boa”, relata Lili.

A dona de casa e mãe de quatro filhos, Lili fazia salgadinhos para vender e as filhas também trabalhavam e ajudavam nas despesas da casa. “Todos os dias a mãe fritava salgadinhos, nós íamos trabalhando cheirando a gordura, e eu vendia todos os salgadinhos em meu local de trabalho”, diz Rosemari, popularmente conhecida como Nenê, a filha mais nova (dentre as meninas).

A história da doceira mais famosa de São Mateus do Sul iniciou quando Nenê, que vendia todos os salgados pela manhã relatou a mãe que a mesma poderia fazer alguns docinhos para ela levar aos seus colegas, à tarde, tendo em vista que eles brigavam na disputa pelas guloseimas. Foi aí, que Lili, utilizando de uma latinha de leite condensado, fez 20 brigadeiros e Nenê vendeu todos aos colegas de trabalho. No dia seguinte, já com o dinheiro das vendas do dia anterior adquiriu mais duas latinhas e fez quarenta docinhos e assim por diante!

“Eu vendia cerca de 200 docinhos por dia, e até dava briga com o pessoal, que adoravam os docinhos”, completa Nenê. Dona Lili, além de fazer seus docinhos também possui “mãos encantadas” para fazer bolos. Inclusive sempre fez para os vizinhos em diversas oportunidades e nunca cobrou nada. Fazia com todo amor e carinho. Certa vez, em seu aniversário, todos os vizinhos já beneficiados com sua generosidade, fizeram uma festa surpresa e a presentaram com sua primeira batedeira.

“Sempre tive apoio dos amigos”, comenta Lili, que logo após a morte de seu esposo, contou com a solidariedade da comunidade e amigos. Dona Lili nos relata uma experiência com José Stica, então proprietário da farmácia Avenida, que durante meses acumulou notas de gastos da família Cauca. Com o falecimento do genitor, a família recebeu um seguro de vida e Lili foi até a farmácia acertar o montante do valor. Na oportunidade, surpreendida com a atitude de Stica que diante de um “monte de notas, separou algumas e me perguntou: ‘está bom assim Lili?’ e o restante, três vezes, ele separou e rasgou.”

Os docinhos de Lili, rodaram o mundo sempre saindo de São Mateus do Sul. Fosse via carro, ônibus ou avião, as pessoas experimentam e se apaixonam. “Pois sempre uso matéria prima de primeira e sempre rego com muito amor, este é o segredo”, destaca Lili.

Ao questionada sobre o número de aniversários, casamentos e festas em geral, as quais tiveram seus docinhos, Lili comenta que não tem noção de quantas foram, mas tem certeza que sempre manteve seu “Padrão Lili de qualidade”, afirma Rosangela.

E como sente-se a maior doceira de São Mateus do Sul, sabendo que há 23 anos fez e continua fazendo a alegria e a doçura em várias festas e a várias pessoas? Lili afirma: “Realizada”, enquanto suas filhas afirmam: “Sentimos orgulho”, ao enxugarem as lágrimas que começavam a cair nesta altura da entrevista.

“Uma mãe não pode desistir nunca! E precisa, principalmente, ter muito amor. Mãe é uma palavra muito forte”, conclui Lili que deixa este singelo recado a todas as mamães leitoras do jornal Gazeta Informativa. E por aqui encerrasse a primeira história de uma mãe especial, sinônimo de força, amor e fé.

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