(Imagem Ilustrativa)

Ainda com as palavras de minha última coluna ressoando na mente, é que abro caminho para essas novas linhas. Refiro-me de modo especial àquelas que, ao definirem Pátria, dizem ser ela, além de tudo o que nos faz ser e sentir participantes de uma grande família, “o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados”. Um lugar para criar nossos filhos, mas também um lugar para receber a matéria dos nossos entes queridos, cuja história integra a nossa própria história.

Aliado a esse sentimento, chegou-me às mãos uma revista católica. Uma de suas matérias discorria sobre a data de finados e o costume polonês de florir e iluminar os túmulos, prestando aos seus antepassados um tributo tão belo que, nem de longe, os cemitérios têm ares sombrios ou são pouco acolhedores. As duas fotografias que ilustram a revista, sendo que uma delas também ilustra essa coluna, são belíssimas! Principalmente, a foto noturna que contém a imensidão de velas acesas sobre os túmulos. Essa tradição católica é chamada no idioma polonês de Dzień Zaduszny, ou seja, Dia de todas as Almas, expressão essa que deve ser familiar aos descendentes poloneses daqui. A homenagem se inicia em primeiro de novembro com a Santa Missa, na Solenidade de todos os Santos, e na sequência, as famílias se reúnem junto aos sepulcros para rezar e acender as velas abençoadas, as quais ardem durante toda a noite até se consumirem. Conta a crença de origem medieval, que essas velas ajudam a iluminar o caminho das almas que estão no Purgatório a atingir a visão beatífica. Uma piedosa crença que incentiva uma linda tradição. No dia seguinte, na comemoração de finados, os poloneses voltam a participar da Santa Missa e retornam ao cemitério para continuar rezando pelos falecidos.

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A matéria relata, ainda, que os devotos poloneses não apenas limpam os túmulos de seus familiares, mas também os túmulos de desconhecidos, para depois adorná-los de cor e brilho. Nesse dia, também se repete a distribuição de pães para crianças e pessoas necessitadas, demonstrando que, da mesma forma que se deve rogar pelas almas dos falecidos, também se faz necessário estimular a caridade entre as pessoas que continuam a viver por aqui. Passada de pais para filhos com amor e devoção, Dzień Zaduszny revela a beleza e a piedade de um povo, que vê a importância de ensinar às futuras gerações o respeito àqueles que os antecederam e dos quais descendem. Uma pátria sendo sustentada pelos seus e pela sua história.

Ocorre ainda uma bela coincidência. Nessa época do ano é outono no Hemisfério Norte, e o que se vê é um cenário de árvores secas e folhas sem vida pelo chão. Uma visão que se une à lembrança do quão passageira é a existência terrena, mas que, apesar disso, não abala o povo que é ardente na fé e crê na vida eterna. Um cenário para reforçar a expectativa de que o término desta vida é, na verdade, o começo de outra muito mais linda e melhor.

Nosso Brasil é construído pela descendência de diversos povos e São Mateus do Sul foi presenteada, em maior grau, com a imigração polonesa. Esse é o nosso grande patrimônio: um exemplo valoroso de trabalho e de fé. A vida do povo polonês nos recorda de que todos os nossos dias devem ser trilhados com os pés na terra, mas que, sobretudo, nossa mente e coração devem estar constantemente em Deus, o Senhor das nossas vidas, para Quem um dia voltaremos.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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