O mistério dos túmulos que se uniram passa por inúmeras gerações. (Foto: Reprodução Internet)

Há décadas que a história dos túmulos que, supostamente, teriam se unido no cemitério do município de São João do Triunfo intriga o pensamento de quem conhece o relato. “Como podem esses túmulos estarem juntos?”; “Seria a força espiritual?”; “O que tem por trás disso?”; são algumas das perguntas mais feitas por quem ouve a lenda.

De acordo com as lápides, ali estão sepultados Maria Antunes Ferreira ( 03/01/1876 – †10/02/1939) e Lourenço Hipólito Neto ( 16/10/1924 – † 24/09/1939), que são os protagonistas das lendas que envolvem os túmulos. Segundo o relato que circula na região, a primeira hipótese é de que o casal vivia um romance proibido. Após a morte de Maria Antunes, Lourenço havia falecido meses depois e com o passar do tempo o túmulo de Maria uniu-se ao de seu amado. Algo que os moradores que conhecem a história ficam na dúvida é a diferença de idade entre eles: Maria faleceu com 63 anos e Lourenço prestes a completar 15.

Com o passar dos anos outras versões foram acrescentadas na lenda, como a de que Maria e Lourenço eram mãe e filho separados por questões financeiras, e assim descansam lado a lado após a morte. A lenda ganhou tanta repercussão que foi parar no livro de lendas e contos populares do Governo do Estado do Paraná. “Conforme demonstram fotografias tiradas dos túmulos, pode-se ver, claramente, que eles se juntaram. Estavam muito distantes um do outro e não haveria como empurrá-los, ou mesmo não havia possibilidade de deslizar um ao encontro do outro”, destaca a publicação do livro.

Em dezembro de 2017, a equipe da Rede Massa também esteve presente no cemitério de São João do Triunfo para ver de perto a lenda contada por tantas pessoas. No Youtube, a reportagem passa de 3 milhões de visualizações. “A terra só cedeu e por isso eles se uniram”, opina um telespectador. Houve também um especial dentro do cemitério feito pelo canal “Caça Sobrenatural”, que mostrou mais sobre os detalhes das lápides, seus mistérios e uma possível conversa com os mortos.

Mas afinal, foi o amor que uniu os túmulos?

No final de 2019, as pessoas que procuravam o cemitério para conferir de perto a lenda se surpreenderam ao ver que os túmulos estavam passando por reforma. Será que a família rompia a história de amor? Muito pelo contrário!

A equipe de reportagem da Gazeta Informativa esteve visitando o cemitério no dia 15 de fevereiro para conhecer os mistérios que essas histórias escondem. Após conversar com alguns moradores, entramos em contato com Antônio Hipólito, neto do irmão de Lourenço que está sepultado no famoso túmulo. “Chega até ser engraçado a quantidade de história que inventaram sobre os túmulos”, expressa.

Reforma que está acontecendo nos túmulos atualmente. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Segundo Antônio, mais pessoas da família foram sepultadas nos túmulos. Ali estão enterrados o Lourenço, sua irmã, avó e o túmulo que supostamente “moveu-se” até o dele, é uma construção feita naquele local para sepultar a sobrinha de Lourenço, que faleceu ainda criança. “Então nada foi ‘movido’ para chegar ao lado do outro, a construção foi feita ali mesmo”, explica. No túmulo ao lado está sepultada a mãe de Lourenço, Maria Antunes e outros membros de sua família. “Antigamente as pessoas eram sepultadas diretamente na terra, por isso que a estrutura da capela ficou posicionada daquela forma”, diz.

O familiar conta que Lourenço faleceu aos 15 anos vítima de uma fatalidade. “Ele era jovem e estava brincando com uma espingarda junto de outras pessoas. Ele levou um tiro no pulmão e por falta de recursos médicos, acabou falecendo”, conta. Lourenço era noivo de uma jovem de outra localidade, e já estavam construindo uma casa no interior do município para morarem depois de casados. Maria faleceu vítima de tuberculose.

A família conta que em todo esse tempo que a lenda circula pela região, poucas pessoas os procuraram para realmente entenderem o que de fato aconteceu. O projeto é arrumar os túmulos e identificar cada membro da família que está sepultado no espaço.

CHARGE

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