Nem tão simples assim...

E eu tinha medo de dormir com os pés descobertos…

Imagem Ilustrativa

Crise de ansiedade. Paciência zero. Tendência suicida no limite máximo. Achar que a única saída é sentar em posição fetal e chorar. Dizer “eu desisto” a cada cinco minutos. Ter a dor de cabeça como sua única e fiel companheira. Só ter desesperança em você mesmo. Nem se lembrar de quando foi a última vez que você dormiu mais de sete horas. Aceitar o fato de que você não tem mais finais de semana e sim, dois dias sem aula para fazer tarefas. Crise existencial.

Se você tem mais de uns dezessete anos ou já terminou a escola, deve saber do que eu estou falando. Se você não entendeu nada ou acha que eu estou exagerando, prepare-se, seu pior pesadelo está por vir e você está subestimando-o: Terceirão.

Assim, quando eu passei para a quinta série (porque eu sou das antigas, “Ano” é uma coisa muito revolucionária para mim), eu e meus colegas passamos a estudar durante a manhã e ver os alunos do terceiro ano, e nós ficávamos “Nossaaa, olha que gente chiqueee, esses sim são Os Caras”. Era o que a gente esperava ser quando estivesse nessa fase, mas acho que alguma(s) coisa(s) deu(deram) super errado desde aquela época. Sabe por que? Porque eu estou há quase meio ano nesta tortura de último ano (tomara que seja mesmo) e ainda não entendi bem ao certo o que está acontecendo.

Obviamente eu estou exagerando um pouco (afinal, qual seria a graça da vida sem um drama quase constante?), mas é bem pouco. Até porque, na verdade, nós ficamos meio paranoicos mesmo, corrigindo os erros de português dos outros o tempo todo, não aguentando mais ouvir “Carbono” e chegando a sonhar com a escola. Por exemplo: há algum tempo, eu tinha um vestibular para prestar no domingo (inclusive foi a partir deste fato que meu choque de realidade veio à tona e eu resolvi escrever sobre isto), e durante meu soninho de sábado eu tive um pesadelo com a prova, com uns números gigantes que eram tipo uns monstros e meu professor de Física que estava só rindo da minha cara. Porque eu não gosto de números. Eu sou uma negação em exatas. E Física não faz sentido para mim.

Enfim, vamos esclarecer meu choque de realidade de sábado:
*Sintoma(s): idem primeiro parágrafo e adicional de pânico;
*Local(is) do corpo afetado(s): todos, com atenção especial para o cérebro;
*Motivo(s): acho que todos os acontecimentos desde o começo do ano (ou desde que eu entrei na escola).

Brincadeiras à parte, eu nem posso reclamar muito desse ano, lógico que temos desafios a mais do que sempre tivemos, mas se tem uma coisa que complica a vida de vestibulando, é aquela história de sempre, dos pais definirem o que querem que os filhos façam na faculdade. Com certeza, atualmente, esse problema diminuiu significativamente, as pessoas estão com a cabeça um pouco mais aberta, só que para os que ainda sofrem com isso é bem complicado. Mas isso é uma questão de cada um, e considerando que eu nunca tive esse problema, acho que nem posso opinar.

Enfim, um dia eu tenho que terminar o terceiro ano, e talvez depois que isso aconteça eu olhe para trás e fale “Nossa, como eu era fresca e escandalosa e dramática e exagerada”, mas tenho minhas dúvidas de que isto ocorra, portanto, vou continuar enfrentando essa fera e boa sorte para quem está sofrendo o mesmo que eu.

Beijos, Anna.
annajulia.reginato@yahoo.com.br

Anna Julia Reginato
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