Há certa confusão com o termo empreendedor. Muitos acham que apenas define um sujeito que é ou quer se tornar dono de uma empresa e que quer colocar produtos ou serviços no mercado. Empreendedor é aquele que é capaz de identificar problemas, oportunidades e encontrar soluções criativas e inovadoras.

Vejam que inovação e criatividade não envolvem apenas insights geniais e revolucionários. Soluções simples, lógicas e bem trabalhadas podem trazer enormes resultados.

Outro equívoco: muitos só esperam encontrar empreendedores na iniciativa privada. A indústria, por exemplo, procura por funcionários disciplinados, com raciocínio lógico e principalmente capazes de resolver problemas, inovando, pensando criativamente. Os resultados dos trabalhos desses profissionais geram menores custos, maior produtividade, maior qualidade, fortalecimento da marca e fidelização de clientes, por exemplo.

O mesmo vale para as organizações públicas pois os tempos atuais exigem celeridade, receptividade e objetividade no atendimento ao interesse público. O funcionário público é um empregado contratado e remunerado com o dinheiro de quem elegeu um representante para gerir a máquina pública. É uma relação um pouco diferente, pois quem paga impostos é, ao mesmo tempo, patrão, sócio e cliente de quem trabalha no funcionalismo. O funcionário público é empregado e sócio do contribuinte. É uma relação mal resolvida, na maioria dos casos, penso eu.

Se uma empresa trabalha por resultados, por qualidade e respeito no atendimento ao cliente, o mesmo deveria acontecer no setor público.

É claro que a grande maioria dos funcionários públicos são dedicados, porém há aqueles que se acomodam. Na iniciativa privada também há os bons e não tão bons empregados, porém se na iniciativa privada não apresentam resultados, geralmente precisam buscar outras alternativas de emprego, compatíveis com o seu nível de qualificação e esforço dedicado ao trabalho.

A estabilidade no funcionalismo gera uma certa acomodação, pois independente do esforço dedicado, o resultado financeiro é sempre o mesmo. Assim, ainda temos poucos empreendedores no setor.

Talvez estejamos falhando em nossa educação básica e na formação de nossos profissionais, onde deveríamos reforçar este conceito. Precisamos construir e reafirmar valores. Só assim, teremos serviços públicos de melhor qualidade, com menores custos, com soluções inovadoras, que melhorem a qualidade de vida e a administração de nossas cidades, estado e do país. Afinal, somos partes interessadas na gestão pública.

Cidades e organizações bem administradas são aquelas que pensam diferente, fazem diferente, ousam fazer e crescer. Com certeza, tem em seus quadros muitos empreendedores, pessoas que se realizam com o trabalho que fazem.

Adnelson Borges de Campos
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