(Imagem Ilustrativa)

Esses tempos de pandemia e isolamento social acabam deixando as pessoas um tanto mais nostálgicas e nos fazem recordar coisas. Há alguns dias vi uma criancinha fazendo aquelas famosas sequências de perguntas, “porque isso”, “porque aquilo” e voltei no tempo.

Falando nisso, não, não vou comentar de meus filhos, mas de certa vez há muitos anos quando tive uma conversa de alto nível com um aluno da 8ª série, se não me engano. A questão não era porque, mas sim “E se…”. Não me recordo exato o assunto, mas sim que era na aula de filosofia em que esse “assunto” veio à tona, sobre pensamentos e devaneios filosóficos, de quantas coisas poderiam ser diferentes hoje para a humanidade se isso ou se aquilo não tivesse ocorrido, como por exemplo, se Cristo não tivesse existido, como seria o mundo hoje? E assim foram diversas discussões se alguma coisa não tivesse ocorrido como seria?

Na ocasião, depois das aulas, peguei carona a pé com um aluno e continuamos os questionamentos, mas aí mudei o foco deles, ao invés de ser algo na história mundial fosse algo na nossa vida. Ele falou que nem tinha nada de tão importante assim na vida dele que pudesse alterar a sua história, comentei como não? E me lembro de falar pra ele, que conheci a mãe dos meus filhos numa festa de aniversário que por acaso eu quase estragara, pois era pra ser surpresa e estava marcada para iniciar às 20:00 h, mas eu estudava e tinha aulas até mais tarde, saindo da aula iria pra lá. Cheguei com outro amigo às 21h30 e não tinha ninguém ainda na festa, mas pra surpresa da aniversariante chegamos dando os parabéns… que mancada, o pessoal chegou depois. Fiquei com tanta vergonha de estragar a surpresa que por pouco não fui embora, e se assim fizesse não teria os maravilhosos filhos que tenho. Ele então se lembrou de ter salvado a irmã mais nova de ser atropelada, dizendo que se estivesse de costas, provavelmente ela não estaria entre nós. Era bem isso, a que eu me referia com ele, quantas coisinhas pequenas que teriam mudado muitas coisas em nossa vida.

Recordo-me desta ocasião por nostalgia, mas mais por ter conversado algo parecido com um amigo que outro dia se mostrou pensativo com o rumo que tomou sua vida, por causa de algumas decisões. Ele me questionava como que a vida da gente podia mudar tanto por conta de algo tão pequenas vezes, e muitas vezes coisas tão “bestas” como ele mesmo falou. Ele disse que se fosse uma morte, uma catástrofe ainda vá, mas por coisas tão pequenas, tão banais ele aceitaria mais facilmente. Então lembrei-o do filme “Efeito Borboleta”, onde um pequeno acontecimento pode mudar muita coisa ou como sugere o nome do filme, que o bater de asas de uma borboleta pode fazer que um tufão ocorra no outro lado do mundo. Pra colocar lenha na fogueira, perguntei a ele, e se você tivesse ganhado um bom dinheiro na Mega Sena, há 20 anos, onde será que estaria? Creio que ele deve estar se perguntando “E se” até agora, isso que faz 5 dias a conversa. Em qual cidade estaria, com quem estaria, será que estaria? Pelo menos o saudosismo dele naquele momento eu creio que acabou.

Já parou pra pensar quantos pequenos “E se” fizeram a sua vida, no que poderia ter se tornado? Ou o que poderia ter realmente acontecido? É um ótimo exercício de imaginação, pois cada decisão nos leva a tantas diferentes situações que poderiam ser melhores ou piores, quem sabe apenas diferentes, mas na mesma posição. E se eu não fizesse esse texto, faria diferença pra você? Será que pensaria nisso algum dia?

Hugo Lopes Júnior
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