Prismas

Educação Moral e Cívica

No Distrito Federal, a Câmara Legislativa aprovou projeto que estabelece o retorno da disciplina de Educação Moral e Cívica nas escolas públicas e particulares. Ele foi vetado pelo Governador e mantido pela Câmara. Agora a lei precisa ser regulamentada, porém sua aplicação ainda vai render muito debate e questionamentos.

Depois de ler a reportagem acima e também um artigo de Ana Carla Abrão, relembrei as disciplinas de Educação Moral e Cívica – EMC e de Organização Social e Política Brasileira – OSPB que cursei. Muitos, como eu, não acreditam que ter frequentado tais aulas tenham causado prejuízo à nossa formação. Porém alguns pensam diferente. Talvez o problema esteja em associar tais disciplinas aos períodos de autoritarismo vividos no Brasil: o primeiro nos governos Vargas e o segundo durante o Regime Militar.

O civismo representa o respeito pelos valores de uma sociedade, pelas suas instituições e pelas responsabilidades e deveres do cidadão. Isto não se modifica em função de quem detém momentaneamente o poder.

Eu nasci um pouco antes do início do Regime Militar e, na minha humilde posição de cidadão afastado do centro do poder, vivenciei um pouco de tudo da vida social e política brasileira. Quando criança cantei o Hino Nacional Brasileiro com entusiasmo antes de entrar na sala de aula, conheci pelo nome cada ministro e suas respectivas pastas, aprendi, como aconselhado pelos meus pais e professores a respeitar as autoridades constituídas. Minhas cores do coração sempre foram e sempre serão o verde e amarelo.

Aprendi na escola e em minha casa a respeitar as instituições e a experiência dos mais velhos. Primeiro conheci os meus deveres e depois de bem os compreender, consegui melhor identificar quais os meus direitos.

Posso estar enganado, mas na sociedade brasileira atual enxergamos aquilo que acreditamos sejam nossos direitos e esquecemos dos nossos deveres. Valeria repetir a antiga e valiosa frase de que “a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”, ou que “é preciso respeitar para também ser respeitado”. São valores recebidos dos mais velhos e que deveríamos repassar para aqueles que vieram depois de nós.

Hoje, nos agredimos por divergirmos nas ideias; acreditamos que nossos direitos estão acima dos direitos do outro e os nossos privilégios são legítimos porque são nossos. Aceitamos o desrespeito à lei e à ordem e toleramos o vandalismo e a violência em nome da liberdade de expressão.

Talvez nos falte alguns entendimentos: a noção de cidadania, ensinada nas aulas de EMC; a consciência de que temos obrigações que vão além do interesse individual; o sentimento de coletividade, de pertencimento.

Temos que resgatar o sentimento cívico e a ideia de que a cidadania é a base de sustentação e o principal valor de um país democrático. É o exercício da cidadania que defende nossos direitos, mas que também os delimita frente ao direito dos outros. “Direitos não são dádivas isentas de contrapartidas”. Civismo, patriotismo, disciplina, respeito e, principalmente, conhecimento não fazem mal a ninguém.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
O futuro se aprende
Caça às bruxas
Precisamos de equilíbrio