Chefe do NRE informa não ter uma definição de retorno às aulas presenciais. (Fotos: Reprodução Dedica/NRE)

Promovido pela Vara da Infância e Juventude de União da Vitória, Ministério Público (MP) e Núcleo Regional de Educação (NRE) de União da Vitória, via plataforma virtual, o evento formalizou o início do 2º semestre na região. As atividades do III Encontro telepresencial do Dedica teve como tema: ‘Olhares para a Infância e Juventude’ e reuniu a comunidade escolar nesta quinta-feira (29/07).

A parceria entre os entes da justiça e educação nasceu desde o projeto de combate à evasão escolar, há mais de uma década, e segue num trabalho regional para os nove municípios da Associação dos Municípios do Sul do Paraná (Amsulpar). Dentre eles, São Mateus do Sul e Antônio Olinto. Os eventos reúnem a chamada ‘rede de proteção’ que atuam na permanência e bem-estar dos estudantes, nas escolas.

Além das palestras de auxílio no momento de pandemia, o evento, também focou esclarecimentos pontuais sobre o reinício do calendário escolar do Estado, na região. O chefe do NRE de União da Vitória, Carlos Polsin, confirmou este retorno às atividades. Em vídeo, divulgado posteriormente pelo departamento estadual em que é o gestor, ele deu as boas-vindas aos alunos e professores.

Carlos Polsin informou o retorno das aulas, para o ensino fundamental e médio, nesta quarta-feira (29/07). Dia 3 de agosto (próxima segunda-feira) reinicia o ensino do Ensino para Jovens e Adultos (EJA) e demais modalidades que funcional em regime semestral. “Através do classroom, TV e do material imprenso, assim como foi no 1ª semestre”, detalhou na publicação o chefe do NRE.

Na publicação, ele enalteceu o empenho dos educadores e participação dos estudantes para que o ensino remoto seja mantido. Para a reportagem do GI, Carlos Polsin citou que não há data definida para o retorno presencial. “Para setembro de forma parcial se tiver liberação da saúde, com novo decreto do governo”, especula, mas reafirmando não existir uma certeza absoluta.

Perspectivas e cenários

A diretora Telma Staniszewski, do Colégio Estadual São Mateus, de São Mateus do Sul observa que o contexto atual sugere que “é uma nova era”. Neste momento delicado ela destaca o empenho dos professores, servidores e alunos. Em torno de 1.600 estudantes fazem parte da instituição de ensino e, destes, apenas cerca de 40 recebem material impresso pela impossibilidade de acesso ao material digital.

“A grande maioria faz aula on-line. O meet também é bastante usado, até por aproximar os professores dos alunos”, cita a diretora. “Nós temos uma porcentagem muito grande de participação por meet”, reafirma. Inclusive, usando a plataforma, os educadores conseguiram trazer para o ambiente de ensino palestrantes e profissionais de outras cidades para participaram destas aulas e agregar ao ensino.

Diretora do Colégio São Mateus cita acolhimento e adaptação ao novo cenário de aulas virtuais. Retorno só com
segurança e saúde. (Foto: Aquivo pessoal diretora Telma)

“Deram suas contribuições nas aulas práticas”, disse Telma, se referindo aos cursos técnicos do Colégio. “A gente está se reinventando. Sentido que o professor tem este dom”, acrescenta. Quando o aluno tem certa dificuldade, segundo ela, a equipe faz o contato direto. Existem grupos de WhatsApp que alcançam praticamente todos os alunos, distribuídos em suas referidas turmas.

Nisso o acolhimento e a ajuda, dentro das necessidades. Mesmo ciente da ausência de uma data para retorno presencial, a diretora de antemão pensa na saúde e proteção dos estudantes e comunidade escolar. O sistema híbrido, com aulas presenciais intercaladas com outras on-line, pode ser o caminho. Esta volta ao ensino habitual, e anterior, precisa de segurança para evitar possíveis contaminações.

Cogita-se a possibilidade de escolha por parte dos pais, com os devidos ajustes, para definir se requer o ensino presencial ou somente à distância, mas sem deixar ninguém de lado. Telma ressaltou o respaldo e apoio do NRE no sentido de auxiliar todas as tratativas e defende que o Paraná saiu na frente com uso de tecnologia para suprir esta ausência de aulas presenciais.

O Colégio São Mateus mantém equipe de plantão. Também recebeu várias transferências tanto da rede privada quanto de estudantes que mudaram para o município. A diretora, em contato com a reportagem da GI, se colocou à disposição para esclarecimentos necessários da comunidade escolar. Demonstrando confiança e sensação de estar cumprindo com o seu dever, mesmo em meio à crise da pandemia.

Palestras de orientação

‘Aspectos Psicológicos na Pandemia’, numa palestra ministrada pela psicóloga Marly Perrelli e ‘Como Será o Retorno à Escola?’, por Marcelle Rossa, também profissional de psicologia, foram temas de palestras aos participantes. Para aqueles que fazem suas inscrições pela Escola da Magistratura do Paraná EMAP há certificação com controle eletrônico de frequência, além do aprendizado.

É de praxe, da rede de apoio, esta tratativa de compreender os problemas relacionados ao ambiente de ensino e trabalhar soluções. Disso a parceria com Vara da Família e MP. Dando maior força, até jurídica, para fortalecer o trabalho educacional em toda a região. Disso a promoção de atividades e palestras para direcionar o trabalho educacional como um todo e de forma ampla.

O promotor Julio Ribeiro de Campos Neto destacou o apoio para manter o envolvimento, nas redes sociais e plataformas, e a educação em funcionamento. Ele reafirmou seu trabalho em parceria com o setor educacional. Menção fortalecida por juiz Carlos Mattioli que salientou a importância do acolhimento promovido pela rede de auxílio que segue funcionado e buscando ajudar a comunidade escolar.

Como será o retorno?

A resposta para esta pergunta é simples, para a psicóloga do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC), Marcelle Rossa. “Não sei quando”, apontou. Não há prognósticos nem previsão exata para que as aulas sejam retomadas de forma presencial. Na palestra a profissional trabalhou justamente neste princípio, levando orientação sobre postura e preparo neste sentido.

É fato, para a psicóloga, uma nova forma de comportamento pessoal dentro das escolas. O uso de máscara e correta higienização das mãos serão medidas importantes nos estabelecimentos de ensino que terão, certamente, a orientação da vigilância sanitária e a limitação de crianças ou adolescentes por espaço físico, evitando possíveis contágios posteriores com a Covid-19.

Marcelle Rossa palestrou sobre a perspectiva de como os alunos serão recebidos na escola.

Na abordagem a psicóloga citou o problema de estabelecer os limites de controle para os estudantes que vão retornar com saudades dos colegas. O distanciamento será um destes fatores necessários e a serem trabalhados. O desenho de uma nova postura, consciente e de entendimento, por parte deles será fundamental. Cabendo às escolas esta orientação com auxílio dos pais e comunidade escolar.

Marcelle Rossa mencionou a possibilidade de rodízio de estudantes. Como medida a ser pensada ou estabelecida. Também descreveu alguns quadros psicológicos que estarão inerentes, no seu entendimento, a este novo processo. Alunos de três grupos diferenciados tendem a chegarem para o novo ambiente escolar: estressados, vulneráveis e aqueles que voltam de férias.

Problema psicológico

A psicóloga esboçou que a perspectiva é de se deparar no ambiente escolar com três grupos distintos de estudantes. O primeiro deles oriundo de uma postura familiar atenta às restrições e isolamento social. A criança (ou adolescente) retornará à escola psicologicamente abalada pelo longo período que teve sua liberdade de circular cerceada e, por isso, estará com uma alta carga de estresse e saudade.

Outro grupo chegará na instituição de ensino carente de afeto e até debilitado por alimentação inadequada. A falta de alimentos pode ser parte da vida de muitos, neste período pandêmico, no entendimento de Marcelle Rossa. Um terceiro grupo, segundo ela, já certos resquícios de aversão ao estudo volta com a sensação de que esteve de férias por um longo período, sem muita atenção ao Coronavírus.

Posto o desafio educacional de compreender estas realidades e ter respostas psicológicas frente a estas necessidades, com uma nova postura que proporcione ambientes de ensino que contemplem a superação destas dificuldades. Mantendo o afeto e o acolhimento, que é de praxe da escola e do papel do professor, sem deixar de lado as orientações em saúde. Disso a importância de estarem capacitados.

Sidnei Muran

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