Prismas

Em busca da simplicidade perdida

(Imagem Ilustrativa)

 

Há uma lenda do mundo corporativo que aborda a questão do fazer, usar o simples. Usando os termos atuais, seria uma fake news, porém bastante verossímil.

Diz a lenda que durante a Corrida Espacial, um dos marcos da Guerra Fria entre a extinta União Soviética e os Estados Unidos da América, os americanos investiram alguns milhões de dólares no desenvolvimento de uma caneta que escrevesse no espaço, para uso em suas missões programadas para chegar à Lua.

Já os russos, sendo mais práticos, buscaram o simples, e usaram o lápis, com custo de alguns centavos a unidade.

A verdade é que russos e americanos usaram o lápis, até que a caneta foi desenvolvida pela empresa Fisher Pen Company, num projeto de marketing que investiu algo próximo a dois milhões de dólares, de recursos privados, no seu desenvolvimento.

A Space pen, caneta sensação, foi vendida por poucos dólares e também os russos a usaram em suas viagens, pois quando usados lápis os pedaços de grafite, condutores de eletricidade, passeando pelas cabines poderiam gerar curtos-circuitos no contato com componentes elétricos e eletrônicos. Também havia o risco de incêndios, tendo em conta que a madeira usada em sua fabricação é inflamável.

Deixando de lado o aspecto ficcional da história, numa primeira análise, poderíamos considerar ela como um bom exemplo do uso do simples, afinal, um lápis registra tanto quanto uma caneta.

É claro que graças ao investimento em tecnologia, evoluímos muito desde que a Space pen foi inventada em 1965. Porém, na nossa vida organizacional ou na vida pessoal, em determinados momentos e situações, podemos fazer a opção pelo simples. Isto pode ser mais produtivo, menos custoso ou trazer resultados mais rápidos.

Há muitas empresas e muitas pessoas que acreditam que para resolver seus problemas precisam gastar muito dinheiro, investir muito tempo e até o fazem, comprometendo os resultados. Outras vezes formulam procedimentos complexos para determinadas rotinas.

Há muitas formas de se fazer, muitos caminhos a escolher para se chegar ao mesmo ponto, ao resultado pretendido. Acredito que a primeira e repetitiva pergunta que devemos fazer é: há um modo mais simples de se fazer isto? Descarte a primeira resposta, pense numa segunda, numa terceira, quantas vezes for possível, até que você se convença que não há mais alternativas de simplificação.

Também vale aprender com os outros. É muito provável que outras pessoas, outras empresas tenham enfrentando o mesmo problema que você, persigam os mesmos resultados que você. Não há vergonha alguma em buscar informações sobre a experiência de terceiros. Se a informação é pública, se não há direitos autorais envolvidos, use-as como ponto de partida na busca dos seus resultados. As experiências passadas são a base para o aperfeiçoamento, para as conquistas e tecnologias futuras.

Há um ponto a ressalvar: fazer o simples não é fazer mal feito, sem qualidade. É se chegar ao resultado esperado com menos recursos dispendidos. Há uma frase de Albert Einstein onde ele afirma que “tudo deve ser feito tão simples quanto possível, mas não simples demais”. Se na Física é possível tornar algo menos complexo, então em qualquer situação isso é possível!

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.

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