(Imagem Ilustrativa)

Há dois dias, em 15 de outubro, comemoramos, no Brasil, o Dia do Professor. No mundo, embora a ONU tenha escolhido o dia 05 de outubro, cada país tem uma data específica. Na China, por exemplo, o dia do aniversário de Confúcio, 28 de setembro foi o escolhido.

Pesquisando sobre a origem da data em nosso país, a maioria dos sites com a informação faz menção ao dia em que D. Pedro I, no ano de 1827, baixou um Decreto Imperial criando o Ensino Elementar no Brasil. A primeira grande contribuição da lei foi a determinação que obrigava as Escolas de Primeiras Letras (fase hoje que é conhecida como ensino fundamental) a ensinar para meninas e meninos a leitura, a escrita e as quatro operações de cálculo. Nessas escolas também eram ensinadas noções gerais de geometria prática (essa última disciplina não era ministrada às meninas, que, em seu lugar, tinham aulas de corte e costura, bordado e culinária). Graças ao decreto, as primeiras escolas primárias do país chegaram em todas as vilas, cidades e lugares mais populosos do Brasil.

Cento e vinte anos depois, a data foi transformada em feriado. Salomão Becker, um professor paulista, sugeriu que em 15 de outubro fosse dado aos professores um dia de folga, haja vista que o segundo semestre escolar era extenso, começando em 1º de junho indo até 15 de dezembro.

Mas eles não descansavam não, reuniam-se para analisar os rumos do restante do ano letivo, momento em que também contavam com a participação dos alunos.

Nesses encontros, usaram frases bastante interessantes e marcantes como “Professor é profissão. Educador é missão.” e “Em Educação, não avançar já é retroceder”.

A celebração ficou famosa e se repetiu por todos os anos em São Paulo, até se tornar, oficialmente, feriado escolar pelo Decreto Federal nº 52.682, de 14 de outubro de 1963, aprovado pelo presidente João Goulart.

Já se passaram 192 anos desde o ensino idealizado por D. Pedro I, e pelo que vivi, já que nasci no mesmo ano do Decreto de João Goulart, retrocedemos, mesmo tendo cada vez mais acesso às informações.

Eu sempre sonhei em me tornar um professor, pois considero a mais nobre das profissões, pois como disse Rubem Alves: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais”.

Muitos também já sonharam se tornar professores também. Se você perguntar para uma criança nos primeiros anos escolares o que ela quer ser quando crescer, 70% delas provavelmente responderão que querem se tornar professores, opinião influenciada pela admiração e reconhecimento pelos mestres em sala de aula. Já no ensino médio, a opção pelo magistério atinge apenas 2% dos estudantes. É provável que a não escolha se dê, não por falta de respeito, mas porque a grande maioria dos professores é mal remunerada, pouco reconhecida e carente de aprimoramento.

Assim, ser professor é uma profissão mais ligada ao dom do que qualquer outra coisa.

Enquanto não conseguirmos mudar esta situação da falta de valorização do ensino, seremos apenas habitantes de um país do futuro, um futuro muito distante de se alcançar.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Como encarar o fim de uma vida
Um primeiro passo
Iluminados