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Em terra de imigrante polonês, tradições portuguesas e espanholas, são destaque

Fotos: Silvamo Surmacz e Fabiano Bulcovski

Em terra de imigrante polonês, tradições portuguesas e espanholas, são destaque. Curioso? Explicamos, sem dúvida nossa característica cultural preponderante é a polonesa, no entanto, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes e o “Encontro regional de tropeiros”, remontam às nossos origens mais intrínsecas.

Um rápido giro pela história nos revela os primeiros humanos, portugueses e espanhóis, a povoarem nossa “Rainha bela do Iguaçu”.

Esta é uma referência em especifico da região a qual margeia o traçado da “estrada Palmas”, relacionando ao ato de fixar residência. Os acampamentos, pontos de parada, mais tarde vieram a se tornar comunidades. Portanto tropeiros (descendentes de espanhóis, portugueses, africanos ou mesmo caboclos) foram um dos primeiros grupos humanos a povoarem, a referida região. É importante ressaltar que os indígenas já habitavam a região, e por serem na maioria nômades, isso não resultou em nenhuma forma de povoado, que viesse a se tornar uma comunidade, vila, etc. Não significa que os povos indígenas não possuíam formas de se organizar, diferentemente dos conceitos de organização que o homem branco implementa.

Ao contrário do que muitos pensam, muito antes da chegada dos imigrantes poloneses, a estrada de Palmas, aberta em 1842, propiciou o marco da povoação pelas terras são-mateuenses. Considerada uma das vias de transporte de tropas, mais antigas do estado, ligava os campos de Palmas ao caminho de Viamão, este sim, tido como o mais importante caminho de tropas do Brasil.

Segundo o pesquisador Rodrigo Lima de Castro, “a estrada de Palmas foi aberta em 1842 e já contava com 15 anos, na verdade era apenas uma picada por onde circulavam tropas de muares, cavalos e gado. Foi esta estrada que gerou o início da ocupação das terras são-mateuenses”.

Ainda que de forma rudimentar, os tropeiros foram os principais responsáveis, onde ao logo do caminho, fixaram residências, bem como meios de comercio para aquela situação especifica.

A edição do Gazeta Paranaense de 28 de setembro de 1887, trata de uma solicitação dos primeiros moradores da região do, Rio das Pedras, Turvo, Tijuco Preto, Putinga, Emboque, Estiva, Borraçhão, Taquaral, por meio de um abaixo assinado, solicitam e encaminham ao governo da província, que estas áreas, fossem loteadas, tornado às aptas à venda, e ainda, sugerem “mandar para este lugar imigrantes que desenvolverão o comercio por meio da lavoura”.

Este é um fato pouco conhecido no que se refere a imigração, mal sabiam estes que já habitavam nossas terras, de que seriam agenciados os poloneses para ocuparem a região, daí vem nosso ‘jeitão polaco de ser’. O artigo ainda trata da excelente fertilidade do solo e da facilidade em logística que ali existia, “encontrão os imigrantes, fácil transporte para as mercadorias nos vapores. Este lugar, é o centro do comercio neste sertão, e existe a muitos anos um ramal que da entrada geral do lugar denominado Tijuco Preto, parte em rumo a barranca do Rio Iguaçu”. Na realidade a região abrigava um entroncamento da estrade de palmas, está, por sua vez seguia até as margens do Iguaçu. Com essa proposta os moradores da região asseguravam que os meios de negócios por eles mantidos, geralmente, “secos e molhados” prosperassem.

Nesta primeira quinzena de fevereiro, o município revive por meio de eventos alusivos ao tropeirismo, o 2º Encontro Regional de Tropeiros. Dentre toda a agenda proposta, a expectativa se volta para o próximo sábado dia 13/02, onde ocorrerá um simpósio sobre a temática tropeira. São aguardados pesquisadores e historiadores como, Therezinha Wolff, Joaquim Osório Ribas, Fernando Tokarski, Aymoré Índio do Brasil e Paulo Henrique Schmidlin (Vita). O evento inicia-se as 8h30 seguindo até as 16h30 no Centro da Juventude.

Importante ressaltarmos a contribuição de um dos principais idealizadores e defensores do resgate da temática tropeira. Saudosista, recorda do “virado de feijão com torresmo” preparado por sua mãe. Nosso professor Caminski, que há vários anos, incansavelmente busca a inserção e divulgação deste importante ciclo em nosso município. A atividade dos tropeiros desempenha um papel muito importante para o desenvolvimento regional, bem como a integração do sul, ao restante do país, levou a ocupação e estabelecimento de vilas, que futuramente tornaram-se cidades.

Outro aspecto cultural ocorre com a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, ou Iemanjá (divindade africana) das religiões Candomblé e Umbanda, celebrada no dia 02 de fevereiro. No último domingo dia 07/02, a Vila Amaral promoveu a 26ª edição com a costumeira procissão fluvial. Logo pela manha, a procissão levando a imagem da santa, saiu do Parque do Rio Iguaçu com destino a capela da Vila Amaral, local de realização da festa. Após a missa a programação seguiu tarde a dentro, com almoço e demais folguedos.

A festa de Navegantes, refere-se à navegação europeia no inicio do século XV, especialmente com os portugueses e os espanhóis. Lançar-se ao mar nem sempre era uma missão segura, intemperes eram inevitáveis, assim como suas assombrosas consequências. Era preciso em nome da fé, invocar a Maria, aquela que protege os navegantes e guia-os pelos melhores caminhos, garantindo-lhes segurança até a chegada ao destino pretendido. Os relatos revelam que antes de iniciarem a jornada mar a dentro, os navegantes participavam da Santa Missa pedindo proteção aquela que ganhou o título de Nossa Senhora dos Navegantes, também chamada de Estrela do Mar.

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