Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Enfermagem: a arte de salvar vidas

Jaqueline Maria Guimarães atua como enfermeira há 28 anos e foi a primeira enfermeira graduada do Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Atuando junto aos médicos, nutricionistas, psicólogos e vários outros profissionais da saúde, o profissional da enfermagem é responsável em promover, manter e a restabelecer a saúde das pessoas. Profissional indispensável em hospitais, clínicas e em atendimentos domiciliares.

Os enfermeiros são habilitados para realizar todo o cuidado direto com um paciente, utilizando técnicas específicas e baseadas em estudos científicos para aliviar a dor e o sofrimento do enfermo. O profissional não é capacitado somente para o cuidado, mas para gerenciar uma equipe e administrar instituições de saúde. O enfermeiro não faz apenas o curativo, ele analisa a ferida, faz uma intervenção para que a cicatrização seja melhor e mais rápida.

No campo da saúde coletiva, atua em comunidades na prevenção de doenças ou fazendo trabalho educativo. O licenciado é preparado para ministrar aulas teóricas e práticas em cursos profissionalizantes, que formam auxiliares e técnicos de enfermagem.

Segundo estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a partir de uma iniciativa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), divulgado em 2015, mostra que a enfermagem no país é composta por um quadro de 80% de técnicos e auxiliares e 20% de enfermeiros. As mulheres ainda predominam entre os profissionais, elas representam cerca de 85% do total. Em relação à área de atuação, cerca de 60% das equipes de enfermagem encontram-se no setor público, 32% no setor privado e 8% no ensino.

Uma das profissionais da área da enfermagem em São Mateus do Sul e região é Jaqueline Maria Guimarães de 50 anos, formada há 28 anos pela Pontifícia Universidade Católica (PUC). Ela será a nossa personagem que trará sua história profissional para exemplificar e enaltecer o quadro profissões.

Uma história de amor e encanto pela profissão que iniciou desde muito cedo, quando ainda criança. “Tenho de confessar que me encantei com a profissão depois de um acontecimento na infância. Cai em um poço d’água e machuquei meu joelho, sendo necessário levar alguns pontos no Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes (HMDPF). Fui atendida pelas freiras que eram as responsáveis pelo hospital, que me atenderam com muito carinho e me chamaram a atenção para a área da enfermagem”, diz.

A jovem são-mateuense que cresceu diante vários professores, brinca que foi a única ovelha desgarrada na família Guimarães, e que desde pequena queria ser veterinária ou enfermeira.

Jaqueline conta que já em Curitiba, fez alguns cursinhos pré-vestibular e em sua primeira tentativa já conseguiu passar na PUC, iniciando os estudos em 1984 de forma empenhada, sempre se destacando diante as colegas. Lembra que desde aquele tempo já existia uma grande concorrência como ainda há hoje em dia em várias outras profissões.

Quando formada em 1989, Jaqueline conta que foi atrás de emprego na grande Curitiba, enviando currículo para vários locais. Recorda-se que um dos lugares que fez estágio foi o Hospital Pequeno Príncipe e se encantou com a atuação no local, a levando a marcar uma entrevista com o diretor geral do hospital para uma possível contratação. “O diretor me perguntou o que eu queria e de imediato explanei que havia feito estágio ali e me encantei no trabalho com as crianças. Contei meu interesse em trabalhar no hospital e que se a oportunidade me fosse dada ele não iria se arrepender.”

A são-mateuense conta que o diretor apenas olhou em sua direção e afirmou que em uma semana mandaria lhe chamar. Mesmo desacreditada naquela afirmação Jaqueline teve esperança. Exatamente uma semana depois foi chamada para atuar na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), no período noturno.

Filha do saudoso Roberto Paulo Guimarães, a enfermeira conta que seu pai não queria que ela assumisse esse desafio, mas a jovem entusiasmada no auge de seus 20 anos, mencionou que aquela era a sua oportunidade e que se passasse por isso, poderia enfrentar qualquer atividade.

Ela conta que iniciou seu trabalho em uma UTI geral e que encarou muitas dificuldades junto a equipe, mas aos poucos, com seu jeitinho são-mateuense, conquistou todos os colegas. Jaqueline trabalhou no Pequeno Príncipe durante três anos, aprendendo a mexer com todos os equipamentos e a atuar em diversas situações.

Retornou à São Mateus do Sul movida pelo amor à profissão e iniciou os trabalhos no HMDPF, sendo a primeira enfermeira da entidade, que contava apenas com as freiras que eram técnicas e atendentes de enfermagem. “Foi o início de uma nova missão, tão árdua quanto meu primeiro emprego, pois ali seria responsável por várias ‘irmãs’ muito mais velhas que eu.”

Jaqueline ficou cerca de um ano e meio no hospital e mesmo enquanto trabalhava lá, passou no concurso público em São João do Triunfo e atuava naquele cidade também. Logo após, prestou concurso na Prefeitura de São Mateus do Sul, que trabalha há 23 anos, onde já atuou na obstetrícia, na ginecologia, clínica médica e hoje está no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).

A enfermeira é pós-graduada em saúde pública, em enfermagem do trabalho, acupuntura e pedagogia na enfermagem, além da atuação há 10 anos como professora do Senac. “Amo atuar na saúde pública e atender os pacientes. Me apaixonei por ensinar o que aprendi.”

Uma história para toda a vida

Em 28 anos de profissão, uma das histórias mais marcantes em sua trajetória profissional foi logo no início da sua carreira, quando atuava no Hospital Pequeno Príncipe. Ela se deparou com a pequena Suelen, que tinha um problema cardíaco, assim como várias crianças que passavam dias, semanas e meses internadas no hospital, vindas de inúmeras regiões do país em busca de tratamento.

As crianças passavam tanto tempo lá, que muitas vezes tinham o direito de sair passear com as enfermeiras para descontrair. Em um desses passeios, junto da pequena Suelen e seus coleguinhas, a jovem enfermeira os levou para conhecer pela primeira vez um shopping e lembra que gastou metade de seu salário do mês comprando as coisas para agradar as crianças.
“Foi algo incrível e gratificante, lembro dos olhares daquelas crianças, em especial da pequena Suelen até hoje. Ela tinha um problema irreversível e mesmo com cirurgia teria mínimas chances de sobrevivência”, lembra emocionada.

Suelen está marcada nas lembranças de Jaqueline quando encaminhada à UTI, em seus últimos momentos de vida. “Ela agradeceu por todos que tentaram ajudar e lhe deram alguns dos momentos mais felizes da sua vida. Ela fechou os olhos, deixando ali uma das maiores provas e recompensas que já tive em toda a minha vida e que me serve até hoje como motivação”, afirma.

Perspectivas profissionais

Quanto às perspectivas profissionais, a enfermeira elenca não pensar em aposentadoria. Quando alcançar esse direito se aposentará das atividades na saúde pública e se especializará em ensinar mais e mais pessoas a atuarem como enfermeiras e enfermeiros, além de trabalhar na acupuntura, uma área que também é encantada.

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