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Enquanto as cidades debatem o orçamento de 2018 as escolas se preparam para o Halloween

Em meio a problemas de ordem social, econômico, educacional, de saúde pública e crises políticas que assolam o país, a preocupação nas escolas deveria ser com o futuro do país. Mas a preocupação é outra: o Halloween. Esta “festa” que tem por origem o norte das américas chama a atenção dos estudantes a ponto de dedicarem seu tempo, materiais e energia para a sua realização. Não quero aqui desmerecer o trabalho dos profissionais que utilizam o Halloween para o processo de ensino-aprendizagem, porém, adjacente a esta preocupação há outra: orçamento de 2018 da cidade.

Muitos professores desconhecem os valores arrecadados e as previsões para os próximos anos de suas cidades, desconhecem os orçamentos, custos de manutenção do setor público e as estimativas de investimentos. E os estudantes? Estes muito menos. Culpados? Nem tanto, não sabem. Ignorância? Não! Ingenuidade intelectual. Conhecem o Halloween (zumbis, múmias, bruxas…). Não percebem que andam como zumbis, agem como tais frente a uma sociedade massificada recheada de propagandas e apelo ao consumismo. Inundada de entretenimento, criadora de consciência ingênua, indivíduos adestrados, conformados com a mediocridade.

E a escola está sendo conivente! Deveria ser o lócus do conhecimento por excelência. E o envolvimento na pólis(cidade) como extensão e resultado da conformação da consciência crítica. Esta instituição deveria ser promotora da participação ativa nas preocupações que permeiam a cidade. Talvez a descredibilidade da sociedade na escola pública seja motivada pela não efetivação de suas funções, entre elas a de incentivar os estudantes para a participação efetiva na pólis.Não estou negando a necessidade de momentos de integração entre os alunos e alunas. Porém tais momentos não devem estar além das preocupações políticas e sociais, mas no mínimo equiparadas. A participação nas audiências públicas para debate do orçamento de 2018 seria uma ótima oportunidade para as escolas demonstrarem interesse e importância à participação nas decisões das cidades e no exercício da cidadania. Mas o Halloween é mais importante…

Por Professor Me. Alceu Junior Maciel. Filósofo, Professor e Pesquisador. Membro do Grupo de pesquisas em Ciências Humanas, CNPq – UnC.

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